31/01/16 - 21:58:00

Dia da Visibilidade Trans é marco na luta por respeito à diversidade sexual

Em 2016 a Visibilidade Trans em Aracaju transbordou o dia 29 de janeiro e se estendeu por uma semana inteira de palestras, rodas de conversa, programação política e educativa.

A entidade ASTRA de Direitos Humanos e Cidadania LGBT promoveu bate-papo sobre Cidadania Trans e Vivências na Sociedade Semear. Na manhã desta sexta-feira, realizou o Cadastro Único das mulheres transexuais para que tenham acesso às políticas sociais. À tarde, a Defensoria Pública deu entrada em processos de mudança de nomes e também foi reservado um momento de cuidado da beleza feminina.

Nesta sexta-feira, a conselheira tutelar Silvânia Santos de Souza, de 26 anos, que sonha em cursar Direito e seguir carreira jurídica, deu entrada na documentação necessária junto à Defensoria Pública para emissão de RG e demais documentos com o nome que usa há 26 anos. “É por este nome que sou reconhecida na minha comunidade, o Conjunto Bugio. Há oito anos estou na militância LGBT e ao longo da caminhada consegui conquistar os familiares e vencer o preconceito, mas sofria com o constrangimento durante o trabalho, no meu carimbo ainda consta o nome da certidão. Por isso hoje é um dia importante”.

Com 27 anos de carreira, o cabelereiro Sandy sabe da importância da autoestima e do auto cuidado na afirmação da identidade sexual, por isso hoje se dispôs voluntariamente a passar o dia inteiro fazendo escova, tratamento e penteados em todos os transexuais que compareceram na sede da ASTRA. “Costumo fazer este trabalho voluntário também nas Casas de Apoio, ONGs e em várias atividades do movimento de gays, lésbicas, bissexuais e transexuais”.

Na Universidade Federal de Sergipe, o grupo AMOCETRANS promoveu uma semana inteira de palestras, debates, oficinas, culminando com um show de apresentações de artistas Transexuais no Teatro Atheneu.

A vasta programação visa incentivar a população a entender e respeitar a identidade de gênero e a diversidade sexual que abrange os travestis, os transexuais e os transgêneros – os últimos são pessoas que transitam entre gêneros.

Professora da rede municipal de Lagarto, filiada ao SINTESE, tutora e mestranda em Educação pela UFS, Adriana Lohanna dos Santos participa da construção dessa atividade política e de conscientização desde 2004, quando surgiu com o nome de ´Campanha Travesti e Respeito´, realizada pelo Ministério da Saúde com o apoio do Congresso Nacional.

Ao longo dos 12 anos de luta e mobilização, Lohanna Santos avalia que as conquistas e avanços políticos ainda estão aquém do propósito desta luta. “O preconceito ainda é muito grande e no atual contexto político de conservadorismo crescente, o problema parece mais grave. O preconceito religioso e social também leva à discriminação institucional. Então temos uma falsa impressão de que as coisas estão melhorando porque a gente está se mostrando mais. Estamos com coragem de nos mostrar e de dizer que existimos, mas na sociedade o conservadorismo só tem aumentado”, observou.

Lohana Santos aponta sérios entraves que mantém a maioria da população trans à margem da sociedade. “É um absurdo que o Plano Nacional da Educação tenha sido aprovado sem uma discussão de gênero. O que a gente quer é que a sociedade entenda que existe uma diversidade religiosa, cultural e de gênero. O acesso à educação e ao mercado de trabalho são pontos cruciais para que a pessoa trans seja respeitada. Por preconceito, os transexuais não são aceitos no mercado de trabalho. À margem da sociedade, para sobreviver, resta aos transexuais o trabalho como profissional do sexo. É uma decorrência da falta de opção. O transexual é uma pessoa que paga impostos, participa da sociedade, mas é segregada das políticas públicas, do sistema educacional e do mercado de trabalho. Por isso repetimos que não queremos direitos a mais. Nosso principal grito é por Igualdade e Respeito”.