25/05/16 - 00:08:02

TEMER PEDE À BASE ALIADA PARA IGNORAR CRÍTICAS CONTRA O PLANALTO

No dia seguinte à revelação do áudio que levou à primeira queda de um ministro do governo interino de Michel Temer, responsável pelo aumento do tom crítico da oposição em relação a seu mandato, o presidente em exercício afirmou que sua permanência na chefia do Poder Executivo é legal e pediu à base aliada para ignorar críticas contra o Planalto – classificadas por ele como “agressões”.

“Sou uma consequência da Constituição. O vice-presidente é uma consequência do texto constitucional. Quero refutar aqueles que disseram que houve ruptura da Constituição. Isso não é verdade. Basta examinar a literalidade do texto para ver que as instituições estão funcionando”, disse, enfático, rechaçando a tese de “golpe” bradada pela defesa de Dilma e pela oposição em relação ao processo de impeachment da presidente da República.

A tese tem ganhado popularidade desde que o peemedebista assumiu interinamente o Poder e ganhou força nos últimos dias, durante a realização dos shows e eventos da Virada Cultural de São Paulo – marcados por gritos de “Fora, Temer” – e, principalmente, com a queda de Romero Jucá do Ministério do Planejamento, após divulgação de áudio no qual proporia obstrução às investigações da Lava Jato.

“Temos sido vítimas de agressões. É uma agressão psicológica. Mas não temos a menor preocupação com isso. Não temos de dar atenção a isso, temos de cuidar do País […] Precisamos compreender nossa interinidade, sou muito respeitoso com este fato. Mas isso não quer dizer que o País pare. Não podemos ficar paralisados.”

As duas primeiras semanas de Temer no Poder foram marcadas por desencontros de informações e tomadas de decisões responsáveis por gerar uma avalanche de críticas em cima do presidente em exercício. A pressão de artistas após a transformação do Ministério da Cultura em secretaria subordinada à pasta da Educação, por exemplo, levou Temer a voltar atrás no fim de semana, recriando o Minc.

Da mesma forma, ao menos três ministros – Alexandre de Moraes, Mendonça Filho e Ricardo Barros, respectivamente, chefes da Justiça, Educação e Saúde – fizeram declarações públicas que posteriormente precisaram ser negadas pelo presidente. Ao mesmo tempo, o Partido dos Trabalhadores, agora na oposição, e seus aliados ganharam mais opções para atacar o governo.

“As pessoas acostumaram que quem está no governo não pode voltar atrás. Mas não: quando cometermos equívocos governamentais, reveremos este pacto. Isso [mudança de atitude] é resultado do diálogo. Não faremos como Juscelino Kubitschek. Se errar algo, consertá-lo-ei. Temos de perceber que isso é fruto de diálogo”, ressaltou Temer.

“Deus colocou na minha frente para que eu cumpra esta missão, para que eu ajude a tirar o País da crise. E não será em 12 dias, 2 meses ou 3 meses que faremos isso. Mas se chegarmos a 2018 elevando o Pais à tranquilidade, teremos feito nosso trabalho. Por isso, insisto na tese de que precisamos pacificar o País. O País não pode ficar nesta situação.”