28/05/16 - 06:12:01

PMA faz estudo para evitar alagamentos no período chuvoso (Foto: Emurb)

De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil é o sexto país no mundo que mais sofre com catástrofes climáticas. Boa parte delas causada por enchentes, oriunda das chuvas abundantes e do deficitário sistema de drenagem dos municípios. Mesmo não tendo histórico de grandes eventos negativos provocados por fenômenos naturais, Aracaju ainda sofre quando as chuvas ocorrem com maior incidência, seja com trovoadas ou nas chuvas continuadas de inverno. Com uma área territorial que mede cerca de 180 km² e uma população que soma quase 630 mil habitantes, segundo estimativas de Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), a capital sergipana tem registrado, nas últimas décadas, enchentes e alagamentos nos períodos mais chuvosos.

O crescimento populacional acelerado nas últimas décadas têm se dado de forma pouco ordenada, acabando por surgir complexos habitacionais sem a infraestrutura adequada de vias, transportes e logicamente, águas urbanas, considerando neste último, o abastecimento doméstico, saneamento, drenagem e coleta de resíduos sólidos. O crescimento significativo a partir da década de 60, com incrementos populacionais da ordem de 50% a cada dez anos até o início da década de 90, a partir da qual são observados aumentos médios de aproximadamente 15% para os decênios.

Nos anos 2000, a cidade se transforma em um polo atrativo para pessoas de outras cidades sergipanas e de outras partes do Brasil, em virtude do desenvolvimento e do progresso dos aracajuanos nas áreas de serviços e outras atividades financeiras. A ocupação se deu para áreas mais distantes do Centro e dos bairros mais tradicionais, a exemplo “boom imobiliário” da Zona de Expansão, Jabotiana, Santa Maria, Atalaia, entre outros. Coincidentemente, hoje são os locais que mais sofrem com alagamentos.

Os estudos que a Prefeitura de Aracaju, através de vários órgãos, fizeram apontam um diagnóstico que pode levar a algumas soluções a médio prazo no que diz respeito à rede de drenagem pluvial que cobre a cidade. A macrodrenagem em Aracaju, por exemplo, é composta por mais de 70 canais que desaguam nos diversos corpos hídricos presentes na região da capital, como rios Poxim, Sergipe, Santa Maria, do Sal além do oceano, lagoas e mangues. Esse sistema encontra-se parcialmente cadastrado, com destaque para os canais presentes na chamada Zona de Expansão de Aracaju, cujos estudos recentes exigiram levantamentos detalhados na região.

A Empresa Municipal de Obras e Urbanização (Emurb) fez um levantamento de pontos críticos de alagamentos em Aracaju, sendo contabilizados 64 pontos de recorrência frequente de acúmulo de água durante os eventos de precipitação.

Chuvas recentes

Levantamentos sobre a precipitação acumulada nesta semana indicam que já superam os 100 mm, sendo classificadas como chuvas intensas, o que provocou alagamentos em pontos da cidade. Outro fator que contribui para o aumento no número de pontos alagados foi o coeficiente de marés registrados que chegou em alguns dias a 70 mm, o que corresponde a um aumento das águas marítimas que chegam a mais de 2 metros.

Para os próximos meses, os níveis mais altos de maré chegarão a 2.06 m, índice considerado alto, que também dificulta os canais de drenagem desaguarem nos rios que banham a capital sergipana.

Entretanto, mesmo com a estimativa, a Prefeitura Municipal de Aracaju (PMA), concentrará esforços para que os serviços na rede de drenagem da capital sejam intensificados, reduzindo ao mínimo a possibilidade de enchentes na cidade. O contingente de profissionais da empresa municipal, que contempla cerca de 9 bairros por dia, será ampliado, para que mais localidades sejam beneficiadas pelos mutirões.

A desobstrução na rede de drenagem, conhecida como medida antialagamento, é um trabalho que consiste em retirar todos os dejetos dos canais de vazão das aguais pluviais. Além de entupir, a decomposição do lixo acumulado pode corroer e danificar as manilhas, aumentando ainda mais o prejuízo.

Lixo nas ruas

De acordo com dados levantados pela Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb), há 1.500 pontos de descarte irregular de dejetos na capital, totalizando uma coleta diária de 250 toneladas de lixo, que variam entre entulhos provenientes de obras e material doméstico, sendo que desses 300 são considerados críticos e 45 muito críticos. Esses índices alertam acerca das ameaças para a saúde pública e segurança, além de comprometer também a mobilidade urbana de toda a capital. A Prefeitura de Aracaju busca, além de desenvolver iniciativas para melhorar a vida de todos, a união com a sociedade para que os problemas sejam minimizados e os níveis de qualidade de vida cada vez mais expandidos.

Investimentos na drenagem

Os recursos investidos na ampliação de rede de drenagem da capital, realizados pela atual gestão da Prefeitura de Aracaju, além de serem obras que transformam a infraestrutura da cidade, levam mais dignidade, cidadania e possibilitam melhores índices de desenvolvimento humano. Para os moradores dos loteamentos Nova Liberdade I e II, Marivan, Aruana, Bairro Industrial, Aeroporto, Inácio Barbosa, conjunto Augusto Franco, por exemplo, a presença do Governo Municipal foi decisivo para resolver os problemas na drenagem.

Entre obras já totalmente concluídas e inauguradas e outras em andamento, as realizações totalizam um montante de investimentos de cerca de R$ 80 milhões, conveniados entre a PMA, Governo Federal, Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), beneficiando mais de 250 ruas com a ampliação total da rede de macro e micro drenagens e ampliando a capacidade de vazão das águas pluviais.

Fonte Emurb