03/06/16 - 21:58:26

“A verdade é que quatro, cinco dias atrás eu não conseguiria falar direito porque tudo estava confuso na minha cabeça.

Ana Hickmann estava com a agenda fechada no sábado, 21.05, para sua passagem por Belo Horizonte: uma parada rápida no Hotel Caeser Business para preparativos pós-viagem e presença no showroom que apresentava a primeira coleção da etiqueta própria. Os planos sofreram reviravolta dramática assim que o cunhado da apresentadora, Gustavo Correa, foi surpreendido por Rodrigo Augusto de Pádua e os momentos de pânico envolvendo a apresentadora, Gustavo e sua esposa Giovana Oliveira, assessora de imprensa, tiveram início. Por quase meia hora, o trio ficou refém do fã no quarto, alvos de ameaças violentas à apresentadora. Depois de balear Giovana com dois disparos, Rodrigo foi rendido por Gustavo e morto após embate corporal. Em depoimento exclusivo à Vogue marcado por pausas emocionadas, Ana revisita as memórias do atentado doze dias depois do episódio traumático e foca no retorno à rotina de trabalho, animada com o lançamento de sua primeira coleção autoral de moda, “My Secret Garden”. Leia na sequência.

“A verdade é que quatro, cinco dias atrás eu não conseguiria falar direito porque tudo estava confuso na minha cabeça. Neste último fim de semana, antes que eu retomasse de fato ao trabalho na terça-feira (31.05), pensei: “Chega. O que tinha que ter sofrido já passou. Estamos vivos, minha cunhada está voltando para casa, chegou a hora de virar essa página”. Agora, eu consigo falar a respeito do incidente sem chorar.

Seriam apenas algumas horas em Belo Horizonte. Na sexta-feira anterior, me despedi no ar avisando aos telespectadores: “Minas Gerais, me espera que estou chegando!”. As pessoas sabiam que eu ia para lá, tivemos divulgação. Rodrigo me acompanhava pelas redes sociais, mas até hoje não sabemos como tinha os detalhes de minha estadia. Quando ele chegou atrás de meu cunhado ao quarto do hotel, achei que era um assalto. Estava até tranquila; infelizmente isso faz parte de nossa realidade.Tudo mudou quando me dei conta de que estava com uma pessoa olhando diretamente nos meus olhos. com uma arma apontada em minha direção, dizendo “eu vim acertar as contas com você; se você não é minha, não será de mais ninguém”. Ele falava o tempo todo que eu sabia quem ele era, o que só aumentava o meu desespero. Nenhuma lembrança dele vinha à mente. Ficamos muito tempo ali dentro do quarto, por cerca de 25 minutos, tentando conversar. Conforme o tempo passava, me dava conta de que aquilo era real. Havia alguém na minha frente com aquele propósito, só porque não o correspondi da forma que ele havia idealizado. “Pronto, deste quarto eu não saio. Este é o meu último dia”, pensei.

Fonte: globo.com