20/06/16 - 11:20:23

Artesanato Sergipano e Seidh participam do Arraiá do Povo (Foto: Pritty Reis)

O artesanato de Sergipe tem espaço garantido no Encontro Nordestino de Cultura – Arraiá do Povo, inaugurado pelo Governo de Sergipe na última sexta-feira, 17. Com stand localizado na Orla de Atalaia, artesãos de diversos municípios sergipanos estão tendo a oportunidade de comercializar suas peças, no espaço montado pela Secretaria de Estado da Mulher, Inclusão e Assistência Social, do Trabalho e dos Direitos Humanos (Seidh), que gerencia o Programa Artesanato de Sergipe através da Coordenadoria Estadual do Trabalho e Emprego.

No espaço, que permanece montado até o dia 30 de junho, estão disponíveis os artigos mais expressivos desse trabalho, que tem encantado e atraído turistas e visitantes locais. Entre eles, é possível conferir a arte de cabaça de artesãos de Aracaju; a renda irlandesa de Divina Pastora; o ponto cruz de Frei Paulo e Rosário do Catete; a cerâmica de Itabaianinha [povoado Poxica]; a renda de bilro de Nossa Senhora do Socorro; e a arte em madeira de Poço Redondo. A artesã Vera Ávila produz artefatos de cabaça há dez anos. “Me apaixonei por essa arte há uma década e criei o meu jeito de fazer. Hoje eu exporto para os Estados Unidos, França e Tailândia, e consegui projeção ao participar de feiras promovidas pelo Programa de Artesanato Brasileiro (PAB) e pelo Sebrae”, revelou.

Para a gerente geral de Artesanato da Seidh, Lena Cavalcante, o apoio do Governo na participação de feiras e eventos propicia maior geração de renda para os artesãos das diversas comunidades. “Essa iniciativa aproxima o profissional do mercado consumidor. A partir daqui, eles têm a oportunidade de ganhar visibilidade e gerar encomendas e é isso que nós queremos: que eles tenham condições de fazer do artesanato sua atividade principal”, afirmou a técnica da Seidh, que presta suporte e orientação a 3.205 artesãos e dois Mestres Artesãos, 20 associações, cooperativas e grupos hoje cadastrados.

As turistas de Quedas do Iguaçu (PR), Lourdes Rubiane e Jules Vaccari, visitam a Capital pela segunda vez, para conhecer os festejos do período junino. “Essa estrutura está muito bem organizada. Aqui tem um belo artesanato. Essas rendas, então, são maravilhosas e delicadas. O povo daqui cultiva bastante as tradições e isso é muito bacana. Sergipe está de parabéns por toda essa receptividade festiva do mês junino. Estou encantada”, disse Jules.

E quem chegava no stand da Seidh no Arraiá do Povo, encontrava Adelcília Carvalho em ação. Conhecida como Cilinha Rendeira, ela aprendeu a fazer Renda Irlandesa aos 12 anos com a avó e a mãe, e repassou às três filhas. “Quando minha mãe não tinha tempo de me ensinar, minha avó assumia. O modo de fazer se torna mais dispendioso, já que buscamos cada vez mais aperfeiçoar o ponto. É uma renda extra que me ajuda”, afirmou. Trazida por freiras da Irlanda, o artigo tem forte incidência no município de Divina Pastora, mas também está presente em Laranjeiras, Maruim, São Cristóvão e Santa Rosa de Lima.

Presente na abertura do stand, a secretária Marta Leão recebeu o secretário de Estado da Cultura, Irineu Fontes; da Sedetec, Francisco Dantas; da Casa Civil, Maurício Pimentel; para quem ressaltou a riqueza do artesanato sergipano. “Sergipe é o menor estado da Federação, mas abriga uma grande pluralidade de produção artesanal. O fruto desse processo criativo tem um valor imaterial incalculável que, para além de constituir a identidade sócio-cultural da nossa gente, é transformado em fonte de renda, em um importante elemento de inclusão social. E é por entender essa potencialidade que nos empenhamos em fomentar essa produção e valorizar os artesãos da nossa terra”, pontuou a secretária.

O diretor do Espaço Zé Peixe, Paulo Mendonça, também marcou presença na noite de abertura do stand da Seidh no Arraiá do Povo, destacando a importância da culinária típica de Sergipe, sobretudo nos festejos juninos. Para os visitantes, foram servidos licores, compotas e um quitute especial: o bobó de sururu, feito pelas mãos do próprio chef Paulo. “Em matéria de compotas, a de mangaba é a mais procurada; é a que está no auge. E esse bobó é uma receita minha. Resolvi arriscar com o sururu e deu certo”. Também conferiram de perto as delícias do chef Paulo o diretor do Centro de Arte e Cultura J. Inácio, Guga Viana; e o coordenador Estadual do Programa DST/AIDS, Almir Santana.

Texto: Míriam Donald e Rebecca Melo