22/06/16 - 14:00:06

CUT: VICE-PRESIDENTE NACIONAL DEBATE SITUAÇÃO DO CAMPO

 

Por: Iracema Corso

Reconhecida por sua trajetória de luta nacional – iniciada ainda como trabalhadora rural no Estado do Pará, a vice-presidente da CUT nacional, Carmem Helena Foro, fez uma análise de conjuntura sobre a atual situação do campo para 13 sindicatos de trabalhadores rurais do Estado de Sergipe no auditório da Central Única dos Trabalhadores (CUT/SE) durante a manhã desta terça-feira, dia 21/06.

Para um público formado por lideranças rurais do campo em Sergipe, Carmem Helena enfatizou que a conjuntura política terrível para o trabalhador rural brasileiro não é um problema apenas do campo. “As ações do governo golpista neste momento tentam submeter uma população que tem contribuição econômica para o país à condição de indigente, novamente. É como se estivéssemos voltando para a década de 90, em que trabalhador rural nem sequer era reconhecido como gente. Conquistamos o direito à Previdência, e agora o governo golpista quer a reforma da Previdência com o claro objetivo de retirar os trabalhadores rurais do Regime Geral da Previdência. Acabou com um Ministério que construiu, formulou, elaborou e empoderou a agricultura familiar, os quilombolas, os indígenas, a população que sempre esteve à margem da política de agricultura neste país voltada à perspectiva do agronegócio. Acabar com este Ministério é acabar com as políticas que nos fortaleceram nos últimos 13 anos”.

Dirigente do Sindicato de Trabalhadores Rurais de Aquidabã, Sirley Ferreira dos Santos destacou, em âmbito estadual, perdas acumuladas. “Assistimos a abertura do Estado para o agronegócio e a atrofia da agricultura familiar. Acompanhamos o fechamento de escolas nos campos, o rareamento das Unidades Móveis de Saúde que as mulheres e famílias do campo tanto precisam. Sabemos que a situação no campo não está fácil e entendemos o sindicato como um instrumento. O campo é o lugar de produção e reprodução da vida. Precisamos nos fortalecer como grupo para impulsionar e dar continuidade a nossa luta”.

Segundo Carmem Foro, mais que nunca a CUT deve cumprir o papel de articulação e fortalecimento dos trabalhadores da agricultura familiar para os enfrentamentos que precisam estar colocados. Ela enumerou perdas previstas para o trabalhador rural, que tem uma expectativa de vida de 5 anos a menos, e as mulheres trabalhadoras rurais têm expectativa de vida ainda menor que isso, em comparação ao trabalhador da cidade.

Carmem explicou que as mudanças na Previdência tendem a tornar a aposentadoria inacessível, contribuindo para o retorno de uma pobreza extrema no meio rural. “Precisamos nos organizar, é indissociável, não dá para separar a luta pelos nossos direitos da luta pela democracia. Num país que não tem democracia a tendência é os direitos dos trabalhadores serem reduzidos a pó. É isto que estamos vivenciando nesse momento de golpe e intervenção na democracia brasileira. O que está acontecendo neste país é muito grave, mas só tem uma saída para um processo como este: povo organizado nas ruas, e estar em evidencia a luta de classes. Muitos achavam que essa história de golpe era uma conversa da CUT, cada dia a mais o golpe se revela muito além do que nossa denuncia tinha apontado. Enquanto trabalhadores rurais temos uma responsabilidade muito grande com a luta que a gente precisa fazer”.

Secretário da CUT/SE, Jairo de Jesus (SINDTIC/SE) convidou os sindicatos de trabalhadores rurais a participarem das atividades de luta da central sindical em defesa da democracia e pautas comuns entre as diferentes categorias de trabalhadores afetadas pela conjuntura política desfavorável aos trabalhadores.

Dirigente nacional da CUT, a professora Ângela Melo (SINTESE) destacou assuntos afins para serem tratados entre professores e trabalhadores rurais, tais como educação no campo, merenda escolar através da agricultura familiar, entre outros.

Presidente da CUT/SE, Rubens Marques lembrou que o auditório onde aconteceu o encontro tem o nome do primeiro presidente e fundador da central sindical: Manoel Dionízio, trabalhador rural e também fundador do PT. Segundo a polícia, ele faleceu acidentalmente, vítima de assalto em agência bancária. Mas os companheiros do sindicato acreditam na versão de crime de mando. “A gente reconhece o papel de Manuel Dionízio na construção da luta, na unidade entre o campo e cidade. Ele foi nosso primeiro presidente, portanto a CUT/SE recebe esta atividade (análise de conjuntura) com satisfação, pois esta é uma central sindical fundada também por trabalhadores rurais”. Antes de finalizar ele fez questão de destacar a luta de classes que acontece no Brasil e que as mobilizações contra o golpe e em defesa das conquistas trabalhistas e sociais devem continuar.