23/06/16 - 17:10:33

APÓS PRISÃO DO MARIDO, GLEISI NÃO VAI À COMISSÃO DO IMPEACHMENT

A linha de frente de defesa da presidente Dilma Rousseff na comissão do impeachment ficou desfalcada nesta quinta-feira (23). A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) faltou em razão da prisão do marido, o ex-ministro do Planejamento Paulo Bernardo, acusado de participar de um esquema que, segundo os investigadores, desviou R$ 100 milhões dos cofres públicos. Gleisi, que normalmente se senta na primeira fileira da comissão, ao lado de Vanessa Grazziontin (PCdoB-AM), Lindbergh Farias (PT-RJ) e Fátima Bezerra (PT-RN), não compareceu ao Senado esta manhã. A assessoria de imprensa da petista não sabe dizer se ela se pronunciará hoje sobre a prisão do marido.

A avaliação geral é de que a prisão preventiva de Paulo Bernardo enfraquece a defesa de Dilma na comissão do impeachment. Gleisi comandou a Casa Civil entre 2011 e 2014 e é uma das figuras mais próximas da presidente afastada.

Em vídeo divulgado em seu perfil no Twitter, a senadora Vanessa Grazziotin comentou a prisão do marido da colega. “Creio que a justiça precisa continuar investigando, os fatos precisam ser esclarecidos, mas não há nada que tenha a ver com o processo que corre contra a presidente Dilma”, disse a senadora, que refutou os argumentos de que a prisão de Paulo Bernardo enfraqueceria a defesa da presidente no colegiado. “Uma coisa não tem nada a ver com a outra”, enfatizou Grazziotin.

Campanha de 2010

Este não é o único problema que Paulo Bernardo enfrenta na Justiça. Os investigadores entendem que há fortes indícios de que a campanha de Gleisi recebeu R$ 1 milhão em propina. Antonio Carlos Pieruccini, um dos novos delatores da Lava Jato, disse que transportou o dinheiro, em espécie, de São Paulo para Curitiba em quatro viagens e que entregou a quantia ao empresário Ernesto Kugler, apontado como pessoa próxima do casal. A PF identificou 25 ligações telefônicas entre Kugler e o então tesoureiro da campanha da petista.

A defesa do ex-ministro disse à TV Globo que desconhece as razões da prisão e que Paulo Bernardo sempre se colocou à disposição das autoridades.

Relatório da Polícia Federal, ao qual a TV Globo teve acesso, indica que o pedido de dinheiro para a campanha de Gleisi foi feito por Paulo Bernardo, quando era ministro do Planejamento de Lula, ao ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. Para os investigadores, não há dúvida de que o petista sabia do esquema de corrupção na estatal.