25/07/16 - 06:02:57

SEMINÁRIO DISCUTE COMBATE À VIOLÊNCIA INFANTO-JUVENIL

 

O sábado (23) foi de muito aprendizado para pais e profissionais que trabalham com o púbico infanto-juvenil. A Associação Resgate de Sergipe (Arese) promoveu o seminário “Bons Tratos e Educação Sexual das Crianças”, em Aracaju, que discutiu estratégias para o fortalecimento da rede de atenção à criança e ao adolescente que têm seus direitos violados e estão em situação de vulnerabilidade e risco.

A preocupação com o tema partiu da percepção de que os casos de violência infanto-juvenil em Sergipe avançam. Só no ano passado, a Polícia Civil registrou, em média, três denúncias de exploração sexual de menores por dia, mas segundo o diretor da Arese, Jorge dos Santos, o problema é bem mais amplo e a solução depende do engajamento de toda a sociedade. “Por isso, buscamos sensibilizar pais e pessoas que já atuam em projetos sociais e têm contato com diversas demandas, sentem a dor das crianças que estão em situação de vulnerabilidade, para que, elas melhorem seu conhecimento sobre o assunto e possam lidar de forma mais adequada com essas realidades tão complexas”, justifica.

O curso baseado na proposta do programa Claves Brasil foi ministrado pela médica Joseana Galvão, especialista em sexualidade e terapeuta familiar. Ao longo do dia ela fez uma abordagem interativa sobre ferramentas úteis para prevenção e também enfrentamento aos mais variados casos de abusos. Segundo a especialista é preciso empoderar as crianças e adolescentes.

“Eles devem ser protagonistas e participantes ativos da prevenção primária dessa problemática. Eles são capazes de serem agentes protetores de suas próprias vidas. É dentro do espaço lúdico de interação aonde acontece esse preparo para que eles estejam habilitados com ferramentas para serem acionadas na hora necessária. A rede de proteção passa pela própria vítima, para que, por exemplo, ela não retenha a agressão como segredo porque é um grande mal”, explana Joseana.

Durante o seminário, os participantes também puderam refletir sobre as políticas públicas que atualmente estão sendo aplicadas para tratamento da questão no Brasil. Na ótica do diretor da Arese, elas têm sido deficientes na medida em que não conseguem desfazer de forma concreta o ciclo da violência. “Elas precisam ser revistas e o que é corre é a pouca participação da sociedade civil, falta representatividade. Os números mostram que há deficiência porque as políticas não estão alcançando de forma mais profunda as raízes do mal. Esses números têm crescido de forma assustadora. O caminho é o que estamos sinalizando, envolver o maior número de pessoas que estejam sensibilizadas para aprender a lidar com as doenças da alma”, salienta Jorge dos Santos.

Ao final do encontro os participantes receberam o certificado e destacaram a importância da iniciativa que agora será disseminada nas comunidades onde cada um deles está inserido. “Foi um tempo muito bom, totalmente enriquecedor”, comenta Jéssica Larissa. “Juntando tudo que aprendemos com um pouco de conhecimento de cada um de nós, conseguiremos alcançar o objetivo certo com nossas crianças e comunidade”, completa Maria Helena.

Por Will Rodriguez