15/08/16 - 10:20:30

Agora ”imortal”, Bolt elogia torcida, mas lamenta tempo curto entre provas. Para ele, o pouco tempo de recuperação afetou o desempenho

Foram dois tiros em um intervalo de 1h20. Quem foi ao Engenhão na noite deste domingo teve o privilégio de ver Usain Bolt em ação duas vezes. Sorte de tantos, um obstáculo a mais para o Raio. Mesmo com o tricampeonato olímpico histórico na prova dos 100m, o jamaicano lamentou o intervalo pequeno entre as disputas da semifinal e da final. Para ele, o pouco tempo de recuperação afetou o desempenho e impediu tempos menores. O ouro veio com 9s81. As baterias da semi começaram às 21h. A decisão pelo pódio, às 22h25.

 

– Me afetou um pouco, sim. Me senti com pés um pouco amortecidos. Sabia que depois de começar a correr estaria bem. Não fiquei muito feliz de terem mudado o programa. Não é bom. É pouco tempo para recuperar. É sempre três horas ou mais entre as finais e semifinais. Se tivesse mais tempo, seria mais veloz. É a primeira vez que tive que voltar correndo para me preparar para a final – disse, logo após a conquista.

Usain Bolt levantou a torcida no Engenhão. Dando seu show particular antes, durante e depois da prova, fez do estádio carioca seu salão de festas. Comemorou muito. O apoio das arquibancadas foi maciço, a ponto de os brasileiros vaiarem Justin Gatlin por mais de uma vez.

– Sempre vou levar meu carisma para o esporte. A multidão adora a energia. A competição não é apenas para assistir, tento viver o momento. Os brasileiros têm sido excelentes. Não esperava essa atenção, é incrível. São incríveis – disse Bolt.

Quando foi bicampeão olímpico, há quatro anos, Bolt saiu de Londres dizendo que havia alcançado o status de uma ”lenda”. Ao ser questionado sobre qual patamar atingiu no Rio, o homem mais rápido do mundo se redefiniu de uma outra forma:

– Alguém disse algo na coletiva ano passado. Que se eu vencesse os três ouros, eu seria imortal. Gostei disso. Eu fico com essa imortalidade.

Veja outros trechos da entrevista de Bolt após o título:

Sobre a prova
Me senti muito confiante na corrida. As pernas cansaram pelo intervalo tão curto entre a semifinal e a final. Mas estava pensando na execução. Gatlin tem uma largada que é a sua assinatura. Sabia que seria dura como sempre. Ao longo da semifinal, me sentia mais confiante. Me sentia bem. Quando cheguei aos 50 metros, eu sabia que iria vencer.

Meta para quebrar o recorde dos 200m
Cheguei aqui querendo ter o recorde mundial nos 200m. Se conseguir descansar bem depois das semifinais, há possibilidade. Vou deixar tudo na pista. No dia das finais, vou executar o melhor. . Eu vim para a Olimpíada para ganhar três ouros, é meu foco. Se por acaso falhar, claro que vou ficar triste.

Sobre correr os 400m
Meu técnico sempre quer que eu corra os 400m. Se dependesse dele, estaria correndo hoje os 400m. Mas sempre fico descobrindo maneiras, evitando. Ele sempre diz que eu poderia ter o recorde, porque tenho resistência e velocidade

Plano para o futuro
Eu quero ficar no esporte, é um dos meus focos. Não quero abandonar o esporte. Quero continuar inspirando jovens. Manter vivo, sei que o esporte precisa de mim e espero que possa fazer parte disso tudo.

Fonte/Foto: globo.com