26/08/16 - 10:40:56

PROFESSORES RECEBEM SALÁRIOS A CADA 2 MESES EM AQUIDABÃ

 

Luana Capistrano

Parece até piada de tão absurda que é a situação, mas infelizmente esta é a triste realidade dos professores da rede municipal de Aquidabã. Desde o início do ano de 2016 que o prefeito José Carlos dos Santos (conhecido pela população com Carlinhos) vem pagando o salário dos professores a cada dois meses. Isso mesmo: o salário de janeiro foi pago em março; o de fevereiro em abril; o de março em maio; o de abril em junho e o de maio em julho.

O salário de junho foi pago da seguinte forma: Para os professores cujos nomes começam com a letra A, até parte dos professores com letra M, os salários foram pagos dia 11 de agosto; para o restante dos professores com letra M, até os professores cujos nomes começam com a letra N, os salários foram pagos dia 20 de agosto e para os professores da letra O em diante não há previsão. O salário de julho também não se sabe quando será pago.

Mas os abusos cometidos pela administração do prefeito Carlinhos não param por aí. Desde 2012 que os professores de Aquidabã não recebem 13º salário, nem gratificação por férias. Além disso, a prefeitura acumula uma série de dívidas com os professores referentes aos retroativos do piso salarial dos anos de 2012 a 2015. Em 2016 a prefeitura, até a presente data, também não concedeu o reajuste do piso salarial aos professores.

Para ter uma ideia mínima do quão elevada é a dívida da prefeitura com os professores veja o exemplo: um professor que possui graduação, tem nove anos de carreira (letra C) e  carga horária de 200 horas mensais deixou de receber da prefeitura, entre 2012 e 2016, mais de 38 mil e 600 reais. E este montante só cresce à medida que o tempo de serviço do professor aumenta. Um professor que possui graduação, em final de carreira (30 anos de magistério) e carga horária de 200 horas deixou de receber da prefeitura ao longo destes últimos quatro mais de 57 mil reais.

“Não é fácil ver dia após dia nossos direitos serem pisoteados como se não tivéssemos o mínimo valor. Até parece que pagar salário a trabalhador é favor e não obrigação. Não há erro nessa matemática: Nós trabalhamos e devemos receber pelo nosso trabalho. Os órgãos competentes devem tomar medidas urgentes porque negligenciar o que está ocorrendo com os professores Aquidabã é permitir que em um curto espaço de tempo a prefeitura simplesmente deixe de nos pagar um mês de salário. Precisamos de medidas enérgicas. Não aguentamos mais tanta humilhação”, clama o coordenador da subesede do SINTESE na região do Baixo São Francisco I e professor da rede municipal de Aquidabã, Vanderley Silva.

Dinheiro tem, mas prefeito insiste em dize que a culpa é da ‘crise’

O prefeito de Aquidabã, assim como grande parte dos prefeitos dos municípios sergipanos, se apoia no falacioso discurso de crise financeira para justificar a retenção de salários e a negação de direitos dos professores.

No entanto, somente de recursos do FUNDEB (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação) a prefeitura de Aquidabã recebeu de janeiro a julho de 2016 mais de 5 milhões de reais (R$ 5. 417.950,39). Recursos suficientes para assegurar o pagamento dos professores todos os meses e em dia. Vale destacar que os recursos do FUNDEB são transferidos para a conta da prefeitura pontualmente.

O SINTESE mais uma vez notificou o Ministério Público Estadual sobre a drástica situação de Aquidabã. Somente de 2014 até 2016 esta entidade sindical encaminhou ao Ministério Púbico 18 ofícios denunciando a situação caótica a qual os professores de Aquidabã estão submetidos.

Fonte Sintese