03/09/16 - 05:11:04

PAULO FREIRE SERÁ HOMENAGEADO PELA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA

 

A Assembleia Legislativa concederá o Título de Cidadania Sergipana póstumo ao educador que fez uma revolução na concepção da educação no país, Patrono da Educação Brasileira e Sergipana, Paulo Freire. Sua viúva Ana Freire receberá, em seu nome, a homenagem. A solenidade será realizada às no dia 5 de setembro, às 17h, no Plenário da Assembleia Legislativa de Sergipe.

A homenagem a Freire é resultado de uma propositura de autoria do saudoso Marcelo Déda, no período em que ele foi deputado estadual, ainda no final dos anos 1980, e foi retomada pela deputada estadual Ana Lúcia, que foi responsável pela articulação para que a homenagem pudesse ser entregue a Ana Freire.

Paulo Reglus Neves Freire (1921-1997) foi o mais célebre educador brasileiro, com atuação e reconhecimento internacionais e é conhecido principalmente pelas suas pesquisas, estudos e práticas pedagógicas, sobretudo no campo da alfabetização de adultos. Sua obra e sua história de vida contribuem para que homens e mulheres entendam que nossa ação na sociedade não é neutra, portanto em todos os espaços sociais, nós interferimos na realidade a partir de uma concepção de mundo, que é política e ideológica. Paulo Freire nos ensinou que a educação é instrumento de libertação. Ele nos ensinou que estudar não é um ato de apreender ideias, mas de criá-las e recriá-las para transformar a realidade social.

Patrono da educação sergipana

Pela sua contribuição, Paulo Freire, além de ser Patrono da Educação Brasileira, passou a ser Patrono da Educação Sergipana, por meio da Lei 7.382/2012, de autoria da deputada Ana Lúcia. Sancionada em janeiro de 2012, a lei prevê que todo mês de setembro, na semana na qual o dia 19 estiver inserido, poderão ser desenvolvidas atividades pedagógicas, seminários exposições sobre as obras e a história do educador, por se tratar do dia do seu nascimento.

Homenagem do Estado

Além de receber o Título de Cidadania Sergipana em nome de Paulo Freire, Ana Freire também será homenageada em Sergipe com a Medalha do Mérito Aperipê, maior honraria concedida pelo Poder Executivo do Estado de Sergipe. A solenidade acontece antes da entrega doTítulo de Cidadania Sergipana, às 15h30, no Palácio Museu Olímpio Campos.

Ela também irá visitar o Colégio Estadual Professor Paulo Freire, no Bairro Industrial, às 14h30. A escola, que se chamava Castelo Branco, teve seu nome modificado pelo Governador Jackson Barreto em janeiro do ano passado, numa ação que retirou os nomes de ditadores de todas as unidades estaduais de ensino de Sergipe. Na ocasião de sua visita, será colocado o retrato do Mestre Paulo Freire a pedido do governador do Estado.

Sobre Paulo Freire

Paulo Reglus Neves Freire nasceu no dia 19 de setembro de 1921, em Recife, Pernambuco, na época, uma das regiões mais pobres do país, onde logo cedo pôde experimentar as dificuldades de sobrevivência das classes populares. Graduado pela Faculdade de Direito de Recife (Pernambuco). Foi professor de Língua Portuguesa do Colégio Oswaldo Cruz  e diretor  do setor de Educação e Cultura do SESI de 1947-1954 e superintendente do órgão de 1954-1957. Ao lado de outros educadores e pessoas interessadas na educação escolarizada, fundou o Instituto Capibaribe. Ele foi quase tudo o que deve ser como educador, de professor de escola a criador de ideias e concepções pedagógicas.

Casou-se, em 1944, com a professora primária Elza Maia Costa Oliveira, com quem teve cinco filhos. Após a morte de sua primeira esposa, casou-se com Ana Maria Araújo Freire, uma ex-aluna, com quem conviveu até o fim de sua vida.

Sua filosofia educacional expressou-se primeiramente em 1958 na sua tese de concurso para a universidade do Recife, e, mais tarde, como professor de História e Filosofia da Educação daquela Universidade, bem como em suas primeiras experiências de alfabetização como a de Angicos, Rio Grande do Norte, em 1963.

A coragem de pôr em prática um autêntico trabalho de educação que identifica a alfabetização com um processo de conscientização, capacitando o oprimido tanto para a aquisição dos instrumentos de leitura e escrita quanto para a sua libertação fez dele um dos primeiros brasileiros a serem exilados pela ditadura militar.

Em 1969, trabalhou como professor na Universidade de Harvard, em estreita colaboração com numerosos grupos engajados em novas experiências educacionais tanto em zonas rurais quanto urbanas. Durante os dez anos seguintes, foi Consultor Especial do Departamento de Educação do Conselho Mundial das Igrejas, em Genebra (Suíça). Nesse período, deu consultoria educacional junto a vários governos do Terceiro Mundo, principalmente na África. Em 1980, depois de 16 anos de exílio, retornou ao Brasil para “reaprender” seu país. Lecionou na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

Em 1989, tornou-se Secretário de Educação no Município de São Paulo. Durante seu mandato, fez um grande esforço na implementação de movimentos de alfabetização, de revisão curricular e empenhou-se na recuperação salarial dos professores. A metodologia por ele desenvolvida foi muito utilizada no Brasil em campanhas de alfabetização e, por isso, ele foi acusado de subverter a ordem instituída, sendo preso após o Golpe Militar de 1964. Depois de 72 dias de reclusão, foi convencido a deixar o país. Exilou-se primeiro no Chile, onde, encontrando um clima social e político favorável ao desenvolvimento de suas teses. Desenvolveu, durante 5 anos, trabalhos em programas de educação de adultos no Instituto Chileno para a Reforma Agrária (ICIRA). Foi aí que escreveu a sua principal obra: Pedagogia do oprimido.

Foi reconhecido mundialmente pela sua práxis educativa através de numerosas homenagens. Além de ter seu nome adotado por muitas instituições, é cidadão honorário de várias cidades no Brasil e no exterior. A Paulo Freire foi outorgado o título de doutor Honoris Causa por vinte e sete universidades. Por seus trabalhos na área educacional, recebeu, entre outros, os seguintes prêmios: Prêmio Rei Balduíno para o Desenvolvimento (Bélgica, 1980); Prêmio UNESCO da Educação para a Paz (1986) e Prêmio Andres Belloda Organização dos Estados Americanos, como Educador do Continentes (1992).

Em Paulo Freire, conviveram sempre presente senso de humor e a não menos constante indignação contra todo tipo de injustiça. É autor de muitas obras, entre as quais se destacam: Educação como prática da liberdade (1967), Pedagogia do oprimido (1968),Cartas à Guiné-Bissau (1975), Pedagogia da esperança (1992) e À sombra desta mangueira (1995).No dia 10 de abril de 1997, lançou seu último livro, intitulado Pedagogia da autonomia: Saberes necessários à prática educativa. Paulo Freire faleceu no dia 2 de maio de 1997 em São Paulo, vítima de um infarto agudo do miocárdio.

* Com informações do Instituto Paulo Freire

Débora Melo