09/02/17 - 16:04:03

Ipesaúde oferece dentista a pessoas com necessidades especiais (Foto ascom)

Nacislaine Rodrigues de Oliveira de 19 anos tem paralisia cerebral, seqüela de uma intercorrência durante o parto. A jovem não fala, não anda, possui pouca coordenação neuromotora e baixa capacidade de aprendizagem e ainda foi abandonada pela mãe biológica ao nascer. Como se não bastasse, a jovem não conseguia atendimento odontológico. Graças a uma iniciativa do Centro de Reabilitação Maria Virginia Leite Franco, agora Nacislaine e outros 30 pacientes recebem atendimento odontológico. É o projeto ‘Eu também quero sorrir” que objetiva a prevenção em saúde bucal.

A mãe adotiva de Nacislaine, Telma Rodrigues de Oliveira perdeu as contas de quantos profissionais procurou, de todas as respostas negativas que ouviu, mas nada disso a fez desistir. “Ela vinha aqui para o dentista e nenhum queria atender, um jogava para outro e outro jogava para outro, foi muito difícil conseguir”, relata  “Só sabe a dificuldade que uma mãe passa quem tem uma filha assim. “Ela vinha aqui para o dentista e nenhum queria atender, um jogava para outro e outro jogava para outro, foi muito difícil conseguir”, relata Telma Rodrigues.

“São pacientes autistas, com síndrome de down, paralíticos cerebrais que eu passei a atender desde julho do ano passado. Temos que ter um cuidado muito especial com eles. O paciente autista, por exemplo, não gosta de ser tocado. Outros não têm coordenação. Por isso, eu e as atendentes estamos sendo treinados por uma equipe do Hospital Universitário para fazer esse trabalho”, explica o dentista Iury Andrey Campos, que foi convidado pelo Ipesaúde especialmente para atender essa demanda.

O dentista afirma que foi totalmente por acaso. Fui convidado para atender esses pacientes, ingressei no treinamento e a cada dia estou mais envolvido. Para estar nesse trabalho é preciso ter muito amor, acolhimento e contato com a família. Eu quero me especializar cada vez mais e atender muito mais pacientes para que nem eles e nem os pais se sintam rejeitados”, afirma emocionado.

Os pacientes são encaminhados através do Centro de Reabilitação Maria Virginia Leite Franco. Na primeira consulta, o odontólogo faz uma entrevista e colhe todas as informações do paciente, desde as limitações e principalmente as medicações. “Esta semana eu precisava fazer uma extração dentária em uma criança de cinco anos que tem síndrome de Down, mas como ele também é cardíaco, a cirurgia foi suspensa”. Além disso, as próximas consultas já são marcadas diretamente com o dentista, sem a necessidade de filas e novas guias.

Iury Andrey Campos garante que no Centro de Reabilitação Maria Virginia Leite Franco o paciente só retorna para casa depois de ser atendido. “Não existe mais a peregrinação que eles fazem antes. Imagine os que vinham do interior? Por isso que faço questão de deixar todas as demais consultas devidamente marcadas. Muito por conta disso e por isso temos conseguido atender cada vez mais pessoas especiais”, conclui Campos.

O Atendimento acontece duas vezes por semana (quartas e sextas) no Centro Odontológico que funciona na sede do Ipesaúde, à rua Campos 177.  Informações mais detalhadas podem ser obtidas no próprio Centro de Reabilitação, à rua Dom José Thomaz, 339, ou pelo telefones 3214-3702 e 3226-2759/2764 (Centro Odontológico).

Texto e foto: Ascom/Ipesaúde