02/10/18 - 05:00:42

MOVIMENTO #ELENÃO REUNIU MAIS DE 8 MIL PESSOAS EM ARACAJU

A primavera de 2018 ficará para a história do Brasil, como sendo a primavera das mulheres em defesa da democracia e contra o fascismo. No último sábado, 29, mulheres de todos os lugares do Brasil – e de fora do país – foram às ruas mostrar sua força durante atos públicos da campanha #EleNao.

Em Aracaju, o grande ato público contou com mais de 8 mil mulheres e homens que lotaram as imediações do viaduto do DIA (Distrito Industrial de Aracaju), no último sábado, 29, para ecoar em voz alta #EleNao e mostrar o repúdio a um projeto preconceituoso e violento que ameaça o Brasil por meio de uma candidatura ao maior cargo do Poder Executivo, a de Presidente da República.

“A força de nós, mulheres, mostrou que é possível construir a unidade para enfrentar o fascismo e reconstruir um projeto democrático para nosso país”, destacou Maria da Pureza, presidente da União Brasileira de Mulheres (UBM/Sergipe), uma das entidades que construiu o ato público em Aracaju.

Além da UBM, integram esta frente ampla que idealizou e materializou a manifestação dezenas de entidades não governamentais, movimentos sociais e de juventude, sindicatos, entidades de classe, centrais sindicais, partidos de diversas orientações políticas, e um grande número de mulheres ativistas independentes.

A diversidade de cores, vozes, contextos sociais, identidades e orientações político-partidárias foi refletida num colorido ato, onde predominou o respeito às diferenças, a diversidade cultural e o amor. “O que nos uniu foi a luta contra o fascismo, o racismo, a homofobia, o machismo, o conservadorismo, o aprofundamento das perdas dos direitos e o retrocesso materializados no projeto defendido por este candidato”, completou Simone de Freitas Gama, diretora do Departamento de Políticas Sociais, Gênero e Etnia do SINTESE, outra entidade que construiu o movimento em Sergipe.

“Temos papel fundamental no processo de reflexão e educação de nosso povo.Vamos seguir, enquanto mulheres, fazendo história. Nossa luta não se encerra com o processo eleitoral, no dia 7 de outubro, nem em 28 de outubro. Nossa luta será constante para enfrentar as ideias fascistas que infelizmente crescem no seio de nossa população”, completou Simone.

Programação e mais diversidade

Com caráter lúdico, a atividade integrou diversas manifestações culturais produzidas e protagonizadas exclusivamente por mulheres artistas sergipanas. Apresentações musicais de diversos estilos marcaram o evento – do samba ao Hip Hop, passando pela MPB e o Jazz.

O grupo percussivo formado por professoras militantes do SINTESE fizeram o “esquenta” do ato, que seguiu com sua programação musical: Nanã Trio, Letícia Paz, Diih Flow Minas, Dani DK – Art. 163, Samba de Moça Só, Soayan, Ariane Passos, Yala Souza, Anne Souza e Patrícia Luz. Oficina de cartazes, além da confecção de um bandeirão feito em patchwork pelo coletivo Linhas de Aracaju também estiveram na programação.

História

O movimento, que tomou forma por meio das redes sociais, teve início em Sergipe por meio da criação de um grupo em um aplicativo de mensagens eletrônicas chamado “Mulheres contra Bolsonaro”. Uma dessas vozes indignadas que contribuíram desde o início deste processo foi a da assistente social e professora do Departamento de Serviço Social da UFS, Magaly Nunes de Gois.

“Entre 12 de setembro – quando o grupo foi criado – até o dia do nosso grande ato, milhares de mulheres foram mobilizadas – seja pelas redes sociais, seja pelo diálogo presencial – para se somarem à nossa luta”, explicou Magaly, destacando que o grupo que deu início às articulações para o ato foi criado por Rejane Gomes Silva, militante do Movimento Sem Terra (MST) do município de São Francisco.

“De lá para cá, foram duas reuniões de organização – uma na sede da UBM e outra na Praça Camerino – uma roda de conversa sobre a conjuntura de crescente fascismo e sobre o papel da mulher na defesa da democracia; uma oficina de cartazes, no Parque da Sementeira; uma entrevista coletiva e diversas comissões de trabalhos, além de várias negociações e articulações”, rememorou a assistente social.

Segurança

O tom de respeito às diferenças e divergências de opiniões, teve reflexo direto na segurança da manifestação. “Nenhum incidente conflituoso e nenhum ato de violência foi remetido à organização do evento. Diversas/os manifestantes parabenizaram pelo clima de harmonia. Famílias inteiras, pessoas de todas as idades, incluindo cadeirantes participaram com entusiasmo do ato público. Ficou provado que é possível realizar um ato político dessa magnitude, de forma pacífica, quando se respeita os valores democráticos”, destaca Taline Macedo, advogada e membro da Comissão de Segurança do Ato.

O Ato #EleNao teve o apoio logístico do BPChoque, CPTRAM, Policiamento do GETAM, SMTT Aracaju, SAMU e Corpo de Bombeiros.

Por Débora Melo

Foto Valeska Montalvão