25/10/18 - 05:44:54

Projeto de contação de história estimula espírito coletivo em escola da Soledade

Uma história pode servir como linha condutora para a transmissão de uma série de lições. É o que acredita a equipe da Escola Municipal de Educação Infantil (Emei) Monsenhor João Moreira Lima, localizada no bairro Soledade, e que durante todo o ano promove o projeto ‘Hoje é Dia de Poesia’. A ideia é trabalhar mensalmente uma história – ligada ou não a uma data comemorativa – e, partir dela, explorar uma série de conceitos que potencializam o aprendizado dos estudantes. Na tarde desta quarta-feira, dia 24, foi a vez do conto de fadas ‘João e Maria’. O público – formado por alunos da faixa etária entre 4 e 5 anos e educadores – acompanhou tudo atentamente. Mas para além da parte pedagógica, a iniciativa tem outro efeito positivo: fomenta o companheirismo na comunidade escolar.
“A contação é só uma parte do projeto, que encabeçado pelas pedagogas Fátima Beatriz Colares e Givaneide Santos. É a culminância, quando narramos, cenicamente inclusive, o conto. Mas antes disso, abordamos os temas que queremos ilustrar com a história através de desenhos, das acolhidas nas manhãs, nas brincadeiras, enfim, nas atividades do cotidiano. Em agosto, falamos sobre o folclore, verdades e mitos. Em novembro, traremos abordaremos a Consciência Negra pelo olhar de uma artista circense”, informa a diretora da unidade, a professora Rosane Galvão Maia. A educadora exemplificou a abrangência dos conteúdos. “Com ‘João e Maria’ falamos sobre alimentação saudável, sobre não aceitar presentes de estranhos, como lidar com as emoções, como medo, abandono e perdão. E isso é trabalhado pelo conjunto da escola.”, descreve.
Os cenários usados para as apresentações, inclusive com fantasias, são elaborados pelas próprias educadoras da escola, que dividem tarefas. “Junto com as professoras, nós planejamos todas as atividades e as relacionamos com o que está sendo visto em sala de aula. Fazemos a parte lúdica, para que a criança vivencie, de fato, as experiências; para que elas aprendam de uma maneira mais criativa. Daí, também damos vazão à nossa criatividade, fazendo adereços e decoração com muito carinho”, relata a pedagoga Givaneide dos Santos, uma das responsáveis pelo projeto. O protagonismo dos pequenos também é estimulado. “Hoje, por exemplo, temos o Enzo e a Alessandra nos ajudando. Eles são o João e a Maria. Eles gostam de ser envolvidos nas tramas, de participar das dramatizações”, diz Givaneide.
E é verdade. A Alessandra Tauane Vieira Ribeiro, de 5 anos, falou sobre o que mais gostou. “Gostei de vestir a roupa da Maria e de varrer o chão, quando a bruxa mandou. E eu aprendi que a gente não pode ir para a casa de estranhos”, revelou. O João da história, devidamente representado pelo Enzo Gabriel dos Santos Nascimento, 6 anos, também comentou a experiência. “Eu gostei de ficar preso na gaiola da bruxa e, depois, de fugir. Eu aprendi nessa história que a gente precisa ficar bem, não se entregar ao medo. E eu já sei ler, você sabia?”, confidenciou.

Para a diretora da escola, o mais significativo na iniciativa é que ela estímulo o espírito de grupo da escola. “Toda a comunidade escolar participa, se ajuda, se apoia. Aqui, as crianças ‘são’ da funcionária terceirizada, da regente da classe, da cuidadora, da pedagoga, da direção. É uma escola de todos e feita para todos”, afirma, com orgulho, Rosane.

Foto Walter Martins