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Filarmônica de Itabaiana: há 273 anos formando mais que músicos, cidadãos

Itabaiana, a cidade do agreste sergipano com inúmeras particulares. Umas delas é a Sociedade Filarmônica Nossa Senhora da Conceição (SFNSC) – linkar https://www.filarmonicansc.art.br, a mais antiga instituição musical do Brasil e em funcionamento. Fundada em 1745, há exatos 273 anos é mais que uma escola de música, carrega consigo uma função social: a de formar cidadãos. Não é a toa que grandes personalidades do estado passaram por ela, um exemplo bem atual é o prefeito da cidade de Estância, médico e ex-deputado estadual Gilson Andrade.

Eleita uma das 7 maravilhas de Itabaiana, a SFNSC tem sua Sede Administrativa e um espaço cultural localizado na Praça Fausto Cardoso. No local, está guardado o acervo da história musical do município, ou melhor, está o Museu da Música juntamente com uma galeria de arte e conta também com uma sala de projeção chamada CineClub, onde é exibido mensalmente filmes clássicos para a comunidade. Já a parte de aulas e ensaios acontecem no Instituto de Música maestro João de Matos, anexo ao Colégio Estadual Murilo Braga (CEMB). Atualmente, a filarmônica conta com três bandas e três orquestras. E, a frente disso tudo está o professor e maestro Valtenio Alves de Souza, como presidente.

“Aqui é uma instituição para crianças e adolescentes. Anualmente, fazemos matrículas para alunos de sete a 15 anos que saiba ler e escrever. De sete a dez, eles começam na turma de flauta doce e de 11 aos 15 anos na turma de teoria musical, nesta aprende a ler partituras e com isso depois ingressa para o instrumento. Estamos com cerca de 800 alunos e oferecemos aulas de segunda a sábado nos três turnos. Para se matricular, basta a documentação do aluno e a assinatura do responsável”, explica o arquivista do Instituto de Música, Frederico Silva Cunha.

O aluno Paulo Gabriel tem 10 aninhos e conta como decidiu entrar nesse mundo da música: “Gosto da música desde os meus cinco anos de idade. Tenho uma prima que toca na Filarmônica de Moita Bonita e ela me inspirou. Eu queria tocar saxofone, mas não tirei uma boa nota na prova, então o professor me listou para a trompa e comecei a gostar do instrumento, próximo ano já vou estar na banda Infanto-Juvenil. A experiência está sendo ótima”, conta muito entusiasmado.

Com apenas 19 anos, mas com tanto talento, a aluna Thauana Alves acabou se tornando monitora de violino. “Toco violino há cinco anos, com um tempo fui me destacando e o maestro Valtenio perguntou se eu poderia ser monitora para os pequenos, e já tem cinco meses que estou ensinando à eles. A música é tudo pra mim, sem ela acho que não faria sentido. A filarmônica é uma segunda família, quando estou triste venho pra cá, fico alegre e esqueço de qualquer problema. A música é  a base, é uma cultura, todas as pessoas deveriam conhecer”.

Lutheria

É tanto talento, tantos artísticas que compõem a Filarmônica Nossa Senhora da Conceição que não tem como não ficar encantado. Ao conhecer de perto esse trabalho você se depara com algo que podemos dizer que é até inimaginável, a existência de um laboratório de Lutheria no Instituto de Música.

O jovem Laedson Santos Souza trabalha na Lutheria não só na manutenção, mas também na construção dos instrumentos. “Esses instrumentos precisam de muita manutenção, é muita coisa que precisa de reparo, que se quebra. A grande maioria do que aprendi foi através de estudos próprio, lendo diversos livros sobre lutheria na sua maioria italianos e americanos. Este trabalho necessita de uma capacidade já natural sua porque você trabalha com a madeira com o pensamento de que aquilo não é um simples pedaço de madeira, ele vai virar um instrumento logo, logo, e cada parte do instrumento necessita de uma certa delicadeza, ou seja, a pessoa tem que ter o conhecimento, mas também precisa ter uma intuição muito grande sobre a madeira. Trabalho há cinco anos com isso e mesmo assim estudo diariamente”, comenta o luthier e também professor violão.

A criação de instrumentos acústicos é feita com dois tipos de madeira bem específicas, abeto e mapel, e que vêem da Itália. Na  Lutheria é construído, principalmente, violino, viola, violão selon e contrabaixo, nessa ordem, e cada instrumento demora de dois a três meses para ser finalizado. O laboratório também é aberto para os alunos que têm interesse em aprender sobre esta arte.

Segundo o músico e grande artista que é Laedson, quem passa pela SFNSC realmente não se torna um cidadão comum. “Criar cidadãos é um grande pensamento daqui. A criança que cresce num local que é habitado por música, se cria nessa vivência, vai ser um adulto totalmente diferente da maioria em vários aspectos. Para mim, aqui é minha segunda casa, passo mais tempo aqui do que na minha própria casa. Aqui fujo de todos os problemas, é muito gratificante estar aqui estudando, dando e tendo aula. Eu fazia faculdade de engenharia mecânica, mas quando entre aqui mudei de ideia, vi que não era aquilo, hoje faço o curso de música na UFS e agradeço demais a todos os envolvidos na instituição. Música me define, é minha vida. Fico até sem palavras”.

Merece destaque demais, por isso vale falar aqui desse belo trabalho desenvolvido por esta grande instituição instalada no pequeno e rico estado de Sergipe.

Foto assessoria

Por Josie Mendonça