07/10/19 - 17:00:59

Evento indica caminhos para acesso a crédito para produtores agroecológicos

Seagri traz técnicos do governo da Paraíba para compartilhar experiências exitosas

Na última quinta-feira, 03, o 1º Seminário de Apoio ao Financiamento Agrícola de Base Agroecológica e Fortalecimento Territorial Sergipano reuniu, na sede da secretaria de Estado da Agricultura (SEAGRI), produtores rurais, gestores e técnicos em torno de discussões sobre formas de acesso a financiamento para produção agroecológica. O evento contou com mostra da agricultura familiar, palestra sobre o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar – Pronaf com o Banco do Nordeste, e palestra sobre Elaboração de Projetos e Financiamento Agrícola de Base Agroecológica, com o técnico da Secretaria de Agricultura da Paraíba, Giovanni Medeiros.

O principal objetivo do seminário foi divulgar a existência do financiamento para produtores agroecológicos e orgânicos, como explica o secretário de Estado da Agricultura, André Bonfim. “Tivemos a oportunidade de acompanhar as experiências do financiamento federal (Pronaf) na Paraíba. Entramos em contato com o Banco do Nordeste e o governo da Paraíba para fazer este evento, que busca incentivar a importante cadeia da produção de orgânicos em nosso estado. Hoje, os agricultores familiares receberam informações sobre como obter o crédito. Com esse financiamento, o produtor pode captar recursos e investir na sua produção, desde a compra de adubos orgânicos, até a aquisição de veículos para o escoamento da produção. Então, esse recurso será utilizado desde a semeadura até a comercialização”, destaca.

Convidado para compartilhar sua experiência, o consultor técnico da secretaria de Estado da Agricultura Familiar e do Desenvolvimento do Semiárido do Governo da Paraíba, Geovanni Medeiros, disse que 58% dos projetos de financiamento em agroecologia do Brasil (Pronaf) estão na Paraíba, segundo dados do Banco Central. “É um número significativo, pois normalmente quem tem essa tradição são os estados do Sul. Para fazer um projeto de financiamento, o produtor deve procurar as assessorias técnicas de extensão rural, como a Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro), ou da sociedade civil. O projeto deve ser realizado por agrônomos, técnicos agrícolas, veterinários – em comum acordo com as famílias de agricultores. Após a elaboração do projeto, o documento deve ser encaminhado para as agências de financiamento, que são o Banco do Nordeste e o Banco do Brasil, que poderão apoiar o projeto através do financiamento do Governo Federal (Pronaf),”, explica.

Financiamento Agroecológico

Há três linhas de crédito especiais para o produtor agroecológico ou orgânico, de acordo com o gerente executivo do Banco do Nordeste, Helisson Viana. “Com esse encontro de hoje, esperamos contribuir com a elaboração de um plano de ação para incentivar a utilização das linhas de crédito disponíveis para o Pronaf. As linhas têm taxas de juros atrativas, de 3% ao ano, com prazos diferenciados e, em algumas situações, pode chegar a 20 anos, com até 12 anos de carência. Temos três linhas para o Pronaf: Pronaf Eco, Pronaf Agroecologia e o Pronaf Floresta; e, uma linha para os demais produtores rurais: FNE Verde. As linhas variam de 5 mil a 165 mil reais. Com isso, esperamos incentivar a produção orgânica e agroecológica em Sergipe”, afirma.

O agricultor familiar Edson Souza Rodrigues, do assentamento Vitória da União (Santa Luzia do Itanhy) foi um dos expositores da Mostra da Agricultura Familiar Agroecológica, realizada durante o evento. Com 20 anos de produção orgânica, ele conta que o financiamento será importante para o desenvolvimento da sua produção. “Tenho uma pequena fabriqueta de polpas de frutas naturais, e uma horta que produz frutas, verduras e hortaliças. É tudo orgânico, produzido pela minha família, em um sítio de seis hectares. O financiamento é muito interessante, pois a falta de recursos é uma das principais dificuldades que os agricultores agroecológicos enfrentam. Com o financiamento, podemos produzir mais e melhor, expandindo nossos produtos e a nossa produção”, afirma.

Para o engenheiro agrônomo e consultor em agroecologia do projeto de desenvolvimento agrícola Dom Távora, Jorge Rabanal, a visita do técnico da Paraíba foi importante para conhecer as características dos projetos contemplados para o financiamento. “Geovanni veio para mostrar o caminho das pedras, para compartilhar o que eles enfrentaram na Paraíba e como eles conseguiram convencer os gestores dos bancos a disponibilizar o crédito adequado para os agricultores. A nossa expectativa é poder ajudar os movimentos agroecológicos ou orgânicos que demandam por esse crédito, sobretudo em Sergipe, que ainda não foi contemplado com esse financiamento. Há uma competição desigual entre a produção agroecológica e a indústria agrícola. Dessa forma, o crédito irá fortalecer a diversidade da agricultura camponesa e sua produção de saberes, passados de geração em geração”, conta.

Foto Fernando Augusto

Da assessoria