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‘Amor e Sorte’: Fabiula Nascimento e Emilio Dantas falam sobre experiência de viver casal em série gravada na quarentena. Os atores se reuniram virtualmente com os diretores Patrícia Pedrosa e Ricardo Spencer

Fabiula Nascimento e Emilio Dantas abriram o lar onde estão passando a quarentena para dar vida a um casal em crise na série Amor e Sorte. No episódio ‘Territórios’, os personagens estão se separando mas são surpreendidos pela pandemia. Nesta quarta-feira, 26/8, os atores se reuniram com a diretora artística Patrícia Pedrosa, o diretor Ricardo Spencer, o criador Jorge Furtado e as autoras Adriana FalcãoJô Abdu, para um bate-papo virtual com a imprensa. Eles contaram tudo o que vem por aí na nova série com quatro episódios independentes e estreia prevista para setembro.

Felizes com o relacionamento na vida real, Emilio e Fabiula tiveram o desafio de mudar a chave para viver um casal a ponto de se separar, em uma história ambientada na casa dos próprios atores.

“Como a gente estava nas duas linhas de frente do projeto, produção e atuação, a gente foi achando lugares tão bem conectados dentro das funções. Em nenhum momento a questão da separação dos personagens bateu pra gente. Chamou muito mais atenção nosso acerto prático, de pensamento, entendimento das coisas”, contou Emílio.

“Não tivemos muito tempo pra pensar nesses personagens. Eles são meio misturados com o que a gente é, sem muito pensar em uma construção. A gente estava muito tranquilo. A Patrícia e o Spencer estavam sempre nos dirigindo. Somos maravilhosos juntos, imbatíveis. Estamos há cinco meses nessa loucura da quarentena. Teve tempo pra tudo, repensar, pirar, conversar sobre diversos temas, falar sobre a gente, sobre um futuro muito próximo”, completou Fabiula.

As autoras do episódio recordaram de como receberam o convite do criador Jorge Furtado.

“Esse projeto foi só prazer. No meio da pandemia, todo mundo agoniado, e o Jorge teve essa ideia genial, dos casais quarentenados. No dia que ele falou comigo e com a Jô, eu pensei ‘que delícia escrever pra Fabiula e Emilio’. A gente começou a história de um casal que, quando está se separando, é pego pela quarentena”, lembrou Adriana Falcão.

“Muito bom falar desse casal que estava distante, longe do amor e, por uma sorte – se é que a pandemia pode trazer alguma sorte – puderam conviver mais”, ponderou Jô Abdu.

“Existe um tipo de diretor e criador que tira o melhor das pessoas. Eu convido as melhores pessoas. Quando surgiu essa ideia, eu pensei em chamar a turma que sei que não tem erro. Já trabalhei muito junto com a Adriana e a Jô. Aí a gente começou a se divertir”, disse Jorge Furtado.

Na história protagonizada pelos atores, os personagens decidem se separar à noite e, no dia seguinte, ele já viajaria para um congresso. Só que, pela manhã, é surpreendido pelo cancelamento do voo e do evento em que participaria. Para piorar a situação, ela fica doente e os dois suspeitam que ela esteja com o novo coronavírus. Os dois precisam então ficar isolados dentro do mesmo apartamento, lidar com a situação caótica no mundo, e ainda enfrentar a crise na relação.

“Não é fácil fazer humor de uma coisa tão triste, uma pandemia, pessoas estão morrendo. Claro que a gente queria que fosse o mais engraçado, mais leve, mais agradável de ver, com humor, mas também tinha uma emoção ali. Pensar com leveza esse casal da ficção ensinou muito pra gente”, conta Adriana Falcão.

“Adriana é minha mestre em diálogo, foi ela que me ensinou. Em diálogo ela é imbatível. Eu contribuo com muitas ideias. A Adriana é a pessoa boa e eu sou a pessoa ruim (risos). Quando você vê uma maldade é uma criação minha’, brincou Jô Abdu. “E o Jorge Furtado tira o melhor da gente”, completou.

Jorge Furtado ainda adiantou o que o público pode esperar do episódio. “A história começa lá em cima. Nessa quarentena todos nós estamos aprendendo muito sobre nós mesmos. Estamos convivendo com a gente mais do que nunca. E na história temos um casal que, de repente, tem que se reinventar. Isso é um bom ponto de partida para a dramaturgia. A Jô e a Adriana fizeram uma história ótima”.

As autoras também contaram que usaram algumas contribuições do elenco pra história, como o lado pintor de Emílio e os três cachorros do casal, que também viraram personagens.

“O Emilio que é o grande pintor, musicista, tudo… Na ficção a gente trocou, eu que sou a grande artista da casa. A gente pintou uma grande tela, e tivemos total liberdade de colocar a nossa impressão”, contou Fabiula.

“A Fabiula e Emilio gentilmente mostraram a casa deles pra gente. Pra nós, roteiristas, entrar na casa, na intimidade deles, faz você começar a escrever de outra maneira. É difícil separar os personagens dos atores”, destacou Jô.

“A gente queria a subjetividade do que a casa que estava pintada na tela representaria. Quando eles mandaram a primeira prova, era isso. Muito prazeroso trabalhar com pessoas sensíveis que conseguem agregar valor ao que a gente está fazendo”, elogiou Patrícia Pedrosa.

A produção

Os atores também contaram como foi adaptar o lar do casal para a gravação. “Ficou muito misturado. Mas foi muito natural o processo. A gente foi entendendo de tudo pra não deixar o outro na mão. Somos dois líderes por natureza. Encabeçamos real e as funções foram acontecendo no set. Essa foi a grande bagunça em casa“, disse Fabiula.

“A gente aprendeu muita coisa sobre a gente e sobre o ofício. Eu sou muito curioso, gosto muito de aprender, tinha muitas dúvidas sobre fotografia. Foi uma troca muito grande e também um pioneirismo.Não tinha um tutorial de como fazer. Foi louco descobrir isso tudo”, reforçou Emilio.

 

Os artistas também contaram que fizeram descobertas em relação ao outro. “Era lindo isso. Como a gente ficou com a função da câmera na mão, você mira aquela pessoa e vê onde ela imprimia melhor aquele quadro. É bonito ver os olhos, os traços do rosto do Emilio, a doçura, as coisas que ele tem e no dia a dia a gente não para pra olhar. Com a câmera isso dilata”, comentou Fabiula. “Você também descobre os ângulos da sua casa. É muito interessante”, acrescentou.