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FÁBIO: “JASON FOI O PRIMEIRO AMIGO QUE TIVE, A PESSOA QUE EU PRIMEIRO BRINQUEI”

Por Fábio Henrique

A gente está falando de uma pessoa por quem eu tinha muito amor, muito carinho. Eu tenho 48 anos de idade e Jason faleceu, aos 51. Ele era o meu irmão mais velho e convivemos praticamente juntos uma boa parte da vida. A nossa infância foi juntos, na cidade de Simão Dias. Quando viemos morar na capital, eu tinha 13 anos e ele 16. Jason foi o primeiro amigo que eu tive, foi a pessoa que eu primeiro brinquei. A primeira pessoa que eu tive contato desde a minha infância. Jason sempre foi um grande parceiro, um irmão muito carinhoso, muito amoroso, muito preocupado com todos nós.

Eu sei que quando as pessoas morrem só as virtudes aparecem, mas todos aqueles que conviveram de perto com Jason podem testemunhar que ele era um homem incapaz de um ato de ódio, de rancor. Jason não era um homem de fofoca, de maldade. Era um homem de coração puro. Um homem que fez o bem pra muita gente.

Pouca gente sabe, mas Jason é funcionário do Ipes há mais de 32 anos. Jason não foi indicado por mim, até porque quando Jason foi para o Ipes eu era menor de idade ainda. Ele foi pra o Ipes muito jovem, e quem o conheceu lá sabe a pessoa extraordinária que ele sempre foi. Não só um bom colega de trabalho, para aqueles que com quem conviveu, como também para as pessoas que o procuravam para resolver algum problema, para que tivessem algum atendimento – isso independente de política, porque estamos falando de um cidadão que, há 32 anos, trabalhava numa instituição; e só nos últimos 4 anos ele se dedicou à política. Tudo que ele fez foi pela missão de ajudar as pessoas, de amparar as pessoas.

Muita gente acha que Jason foi eleito vereador porque Fábio Henrique era prefeito de Socorro. Claro que eu dei minha contribuição, mas Jason foi eleito vereador de Aracaju, principalmente, como fruto de um trabalho que ele realizou; seja no Ipes, seja no rádio.

A eleição de 2016, que foi a que Jason foi eleito vereador, na primeira eleição que ele disputou, foi uma eleição que eu participei ativamente da eleição de Socorro. Eu era prefeito e Socorro sempre será minha principal base política. Eu tinha que estar presente no município, e participei muito mais da eleição de São Cristóvão do que em Aracaju.

Jason não foi eleito porque Fábio Henrique era prefeito de Socorro. Foi eleito com a contribuição e ajuda de todos, inclusive a minha, mas, sobretudo, pelo trabalho, pela pessoa que ele é…

Jason é mais velho que eu, mas eu comecei primeiro no rádio. Quando eu comecei, Jason sempre foi um entusiasta da nossa carreira, e isso o motivou pra que ele também seguisse a carreira de rádio. Jason é formado em Jornalismo, pela Universidade Tiradentes, e depois começou na Rádio Cultura como plantonista esportivo. Isso eu já atuava na rádio há algum tempo. Depois ele apresentava um programa de esporte e trabalhou muito tempo também na antiga Liberdade FM, ao lado de Magna Santana e de tantos outros profissionais.

Depois da Liberdade FM, Jason foi para Aperipê e fez trabalho de muito sucesso. Quando teve a eleição de 2018, em função de questões de ordem política, que eu não gostaria de tratar agora, ele foi afastado.

Eu nunca tinha trabalhado na rádio com Jason e tive esse prazer de voltar no projeto do Balanço Geral, na Rádio Jornal, com o apoio do meu querido amigo Augusto Júnior.

Jason é um profissional de comunicação, é um homem de rádio, um jornalista, que era também uma de suas paixões. Foi esse trabalho feito no rádio, no Ipes, o trabalho como cidadão, como pessoa de tantos amigos que levaram Jason a ocupar uma cadeira na Câmara Municipal.

É um momento de muita dor. Não é fácil para um pai e para uma mãe, sobretudo para uma mãe. Eu sou pai, mas mãe é mãe. Mãe é quem gera, quem cria, quem acalenta. Não é fácil para uma mãe sepultar um filho que ela gerou, criou, educou, que viu crescer. Meus pais estão sofrendo muito.

Mas, mesmo com todo esse sofrimento, só temos a agradecer a Deus pelo carinho e, sobretudo, pela oportunidade que ele nos deu, durante 51 anos, de ter convivido com um ser humano tão especial, uma pessoa extraordinária e de um coração bom que só deixa boas lembranças.

Eu disse a minha mãe que a gente não pode lembrar do Jason que vimos ontem no caixão. Temos que lembrar do Jason alegre, sorridente, feliz. Do Jason amigo e irmão – e agradecer sempre a Deus por ter nos dado uma pessoa tão especial na nossa família.

P.S.

Eu queria agradecer a Augusto Júnior, diretor da Rádio Jornal. Meu irmão já tinha falecido, e foi inclusive na Rádio Jornal que Petrúcio, que era assessor de Jason na Câmara, no desespero de ver seu amigo, seu companheiro, a pessoa com quem ele trabalhava agonizando nos seus últimos momentos de vida, ligou para a Rádio Jornal e pediu ajuda para que o SAMU pudesse agilizar o atendimento. A equipe do SAMU foi muito solícita e fez um atendimento humano.

Logo depois que foi detectada a morte do meu irmão, Augusto sabia disso e ficou o tempo inteiro em contato com Henrique Matos, para perguntar a ele se poderia divulgar a notícia. Mesmo alguns sites já tendo divulgado.

Minha preocupação é que eu sei que meus pais são ouvintes da Rádio Jornal e estavam em Salgado no sítio que é de Jason. Um sítio muito simples, mas um local por quem ele tinha um amor extraordinário e nos últimos cinco meses praticamente

Jason abriu mão da sua pré-candidatura a vereador para se resguardar em função do coronavírus. Poucas vezes ele veio para o estúdio. Fazia o programa pelo telefone, mas, sobretudo, ficava para cuidar do meu pai e da minha mãe. Quis o destino que Jason, em uma das poucas vezes que dormiu em Aracaju, tivesse um mal súbito em casa.

Minha preocupação era que a Rádio Jornal não divulgasse a notícia sem que meus pais estivessem preparados porque são pessoas idosas. Augusto só divulgou a notícia quando eu fui autorizado pelo médico que tinha ligado para minha mãe e conversado com ela.

Muitas vezes, nessa hora, o profissional de comunicação quer dar a notícia e ele respeitou o momento de dor de uma família. Muito obrigado, Augusto, pelo seu gesto.

Também quero agradecer ao companheiro Narcizo Machado, da Rádio Fan FM, que, hoje (ontem) pela manhã, fez um programa inteiro dedicado a  Jason. Obrigado aos diretores da Fan e ao profissional Narcizo pela homenagem que fizeram.

Obrigado ao meu amigo José Arinaldo, que é o proprietário da Jornal FM, ao lado de Augusto Júnior, e  que esteve no velório. Teve uma senhorinha que mora no Moema Meire, uma senhora muito simples, muito humilde, e disse que tinha pego um ônibus para dar um abraço no amigo Jason.

A gente só tem a agradecer muitas manifestações de solidariedade através das redes sociais. Muita gente não pode ir por conta da pandemia, mas todos aqueles que de forma presencial ou de forma espiritual dedicaram um minuto do seu tempo para lembrar do homem que era Jason, só temos a agradecer.

Texto transcrito pelo jornalista Joedson Teles, da entrevista cedida por Fábio Henrique no programa que era apresentado por Jason Neto, o Balanço Geral