10/10/20 - 20:35:39

Ibope constata posição de Edvaldo, destaca Danielle e mostra Márcio na contramão

Por Diógenes Brayner

A TV-Sergipe publicou, na sexta-feira (09), pesquisa do Ibope, exatamente no mesmo dia em que foram ao ar os primeiros programas eleitorais de radio e televisão. Já se tornaram hábito essas pesquisas projetadas pela Rede Globo, através das suas afiliadas, nas eleições majoritárias às Prefeituras das Capitais e de outras cidades de grande porte, assim como nos pleitos aos Governos dos Estados.

Dessa vez a pesquisa foi bem no início da campanha, onde o eleitorado ainda está se adaptando aos candidatos e pensando mais na pandemia que nas eleições. Como sempre acontece, as pesquisas do Ibope devem retornar às vésperas do dia da votação, revelando uma fotografia mais próxima da realidade. A avaliação da sexta-feira mostra tendências de quem possa chegar ao segundo turno ou não e expõe uma situação de agora, quando todos os postulantes estão engatinhando.

O cenário oferecido para o momento pelo Ibope, em relação aos mais citados pelos eleitores, é o que se percebe no sentimento da população hoje. O prefeito Edvaldo Nogueira (PDT), com 32% das intenções de votos, não provocou surpresas nem aos seus adversários. É comum se ouvir, de todos os segmentos sociais, que em Aracaju terá segundo turno, com Edvaldo apenas esperando o resultado da votação do primeiro, para saber quem será seu adversário.

Nos bastidores todos os demais candidatos sabem disso, mas não expõem por estratégia de marketing. Há também quem sequer admita uma segunda votação, porque acha que o prefeito será reeleito de imediato, mas a tendência é que isso não deve acontecer, pelo número de candidatos – são onze – e em razão do avanço [ainda tímido] das demais candidaturas. Ninguém nega que Nogueira faça boa administração, principalmente no que se refere ao pagamento rigorosamente em dia dos salários dos servidores.

Além disso, Edvaldo Nogueira reorganizou a cidade, recuperou asfalto em várias avenidas importantes [incluindo a Euclides Figueiredo] e manteve rigor no setor da Saúde, principalmente no período da pandemia. Além da atuação na periferia, há um trabalho sendo realizado na Avenida Hermes Fontes, que fará a diferença no escoamento do trânsito nos horários de picos. Não há dúvida em relação ao trabalho que o atual prefeito realiza.

Outra constatação – A presença da delegada Danielle Garcia (Cidadania) em segundo lugar também não provocou fato novo. Ela tem sido a mais citada pela população, principalmente depois que desfez o seu discurso do “novo” e aceitou composições com legendas que sempre estiveram nas disputas em Aracaju. PL, PSDB e PSB deram-lhe a representatividade que ela não tinha. Os 21% que obteve na pesquisa do Ibope, deixam passar que praticamente todo esse potencial é em razão do seu vice, Valadares Filho (PSB), que atrai uma parte do eleitor dele para ela.

Se dependesse do seu aliado mais forte, senador Alessandro Vieira (Cidadania) até hoje estaria rastejando. Além disso, Danielle é primária na conquista do eleitor e confiava que por ser delegada e ter participado de operações policiais em Aracaju, teria o povo aos seus pés. Erro grande de perspectiva. Tamanho que teve que se render a nomes que combatia para conseguir um bom lugar na disputa. Tem sido simpática em suas carreatas e visitas que faz na periferia, mas nas suas aparições em áudios e vídeos incorpora a figura da delegada severa, grosseira e sem habilidade para resolver problemas em clima austero, mas sem perder a ternura.

Um exemplo é o vídeo mais recente em que ela “desafia” – assim mesmo – Edvaldo Nogueira para um debate. Danielle sugere que o prefeito diga “dia, hora e local”, usando o tom de “intimação” e cenho fechado. Realmente uma dura delegada em plena atividade. Além disso, cometeu erro crasso: durante uma entrevista, ao já anunciar o nome do secretário de Desenvolvimento Econômico, iniciando a montagem de sua equipe, com excesso de soberba. De qualquer forma, Danielle se apresenta como a candidata que pode polarizar com o prefeito Edvaldo Nogueira.

Agora a Surpresa – O candidato do PTB, deputado federal Rodrigues Valadares, ficou em terceiro lugar nessa primeira pesquisa do Ibope. Obteve 6% das intenções de votos, mas poucos imaginavam que ele estivesse nessa posição, mesmo com a diferença de 15% do segundo colocado, ele próprio considerou um avanço. Tem certeza que vai ao segundo turno e explica as razões: “em outras avaliações chegava a pouco mais de 1%”.

Rodrigo Valadares, inclusive, se considera prejudicado porque o Ibope expôs ao eleitor apenas o nome de ‘Rodrigo’ e eliminou o ‘Valadares’, que é como “eu me identifico e o povo me conhece”, disse. O candidato petebista faz oposição direta à delegada Danielle Garcia e revela o que ele considera de falhas, equívocos e erros comportamentais, como o de ter sido vinculada ao presidente Bolsonaro e se tornado opositora, através do discurso do senador Alessandro Vieira, que conseguiu eleger-se como um bolsonarista.

Aí há uma constatação: Por ter a delegada Danielle Garcia como foco e apresentando um crescimento na primeira pesquisa do Ibope, a estratégia de Rodrigo pode vir dando certo. Neste sábado (10) Rodrigo disse que sua aceitação “na rua está espetacular”, e acrescenta: “estou me surpreendendo a cada dia”. Para ele, “o jogo começou! Vamos para cima e estou muito confiante”. Otimista, diz que tem tudo para chegar ao segundo turno “e vencer essas eleições”.

Posição do PT – A pontuação do candidato do PT, Márcio Macedo, não era a que se esperava. Ele ficou em quarto lugar com apenas 5% das intenções de votos. A análise de políticos e pessoas próximas a ele e do próprio partido (o Faxaju ouviu 12 pessoas) é de que o candidato petista não irá muito longe. Mas há quem admita sua presença no segundo turno. Macedo escolheu como “vitrine” o prefeito Edvaldo Nogueira, a quem foi aliado até final de 2019.

Faz críticas contundentes à sua administração, mesmo que participasse diretamente dela por três anos. Um exemplo é a vice-governadora Eliane Aquino, que esteve vice-prefeita de Edvaldo de 1º de janeiro de 2017 até 27 de dezembro de 2018 e conduziu a política social de Aracaju durante este período, mas o PT continuou apoiando o prefeito durante todo o ano de 2019, com participação na administração.

Rompeu no início de 2020 porque pretendia assumir posição majoritária na Capital, na disputa pela Prefeitura. Edvaldo Nogueira é uma indicação do PT, em todos os mandatos que já exerceu, através do ex-governador Marcelo Déda. Hoje, Marcio reverencia Déda, mas Edvaldo também, com toda lealdade. Há um detalhe: todos os erros que Marcio revela da atual administração têm a participação do PT, que deixou suas digitais durante todo o Governo municipal.

Dentro do Partido dos Trabalhadores teve quem discordasse do rompimento com o prefeito, mas a força de Márcio Macedo junto à militância aprovou o distanciamento e a disputa pela Prefeitura. O eleitor de Márcio faz parte do eleitorado de Edvaldo e a maioria demonstrou na pesquisa do Ibope que ficará com o candidato que sempre fora indicado pelo próprio PT. Estranhamente, Márcio está ao lado do discurso de Danielle contra Edvaldo, embora estejam politicamente em campos diferentes.

Um fato que fora revelado pelo Ibope: Danielle aparece bem nas pesquisas, com o seu discurso de oposição, mas Márcio Macedo foi lá para o quarto lugar. Por que? Simples: “o eleitor não consegue acreditar no que diz o PT, que sempre se pôs ao lado do prefeito, e em apenas um ano expõe críticas duras a uma administração da qual participou”. Além disso, em termos político ideológico, Márcio e Edvaldo estão muito mais próximos, em relação ao Cidadania.

Um atuante membro do partido disse que “o PT estava esperando que o ponteiro se deslocasse para poder descolar”. E admitiu que Márcio Macedo esteja no segundo turno e enfrentará Edvaldo Nogueira. Lembrou que a legenda faz uma campanha de estabilidade, mas esperava mais. Entretanto revela que o “PT sempre empolga no final e vira o jogo”

Hoje o Partido dos Trabalhadores não é o mesmo de antes, em razão do que passou com o Lava Jato. Prejudicado ou não pela ação de Sérgio Moro, a convicção da inocência não se generalizou. Por trás enfrenta uma direita radical e ideológica – como a do Cidadania, que defende Sergio Moro – assim como o conservadorismo aberto e declarado, que tem à frente o presidente Jair Bolsonaro.

Se Márcio insistir em fazer campanha dura contra Edvaldo e esquecer a direita que não o deseja, chegará ao fundo do poço mais rápido, porque faz um discurso exatamente na contramão do que sempre pregou para Aracaju. Já estão avaliando isso  e provavelmente dentro de mais uma semana, a postura do candidato petista pode ser outra.