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ANÁLISE: O “novo” o “de novo” e o “talvez”

*Por Francisco Emanuel Meneses Alves

Quando criança, em 1998, ouvi um jingle dizer que a resposta do povo era João e Maria. No mesmo ano “gente em primeiro lugar”, de Albano. Já em 2004, “Sukita vai mudar a sua vida, com o emprego, saúde e educação. Para Capela crescer, você tem que acreditar. Com o progresso as famílias viverão felizes…”.

Este não é um informativo sobre propaganda política, mas um apontamento sobre candidaturas, épocas, demandas e votos.

Todo eleitor (a) já deve ter visto uma candidatura que se apresenta como nova terminar ou numa grande decepção ou num mandato insosso.

O que importa é considerar os meios que fazem tais agrupamentos vencer.

Por exemplo, em 2004, o capelense então desconhecido na cidade, Sukita, chegou ao município com o apoio do então senador Valadares e da cúpula do PSB com um discurso de que era “o novo”. Venceu dois ex-prefeito com votação considerável. Pouco menos de um ano depois foi afastado e concorreu a uma eleição onde venceu um nome benquisto, mas sem vida político partidária por apenas centenas de votos.

Em 2018, o agora senador Alessandro Vieira, neófito na política partidária, desbancou nomes como André Moura, Jackson Barreto, Heleno Silva e Antonio Carlos Valadares.

Colocado como segundo voto de muitos (as) eleitores (as) e calcado num discurso anticorrupção muito identificado com o combate policial desse problema, surfou na onda da fé lavajatista.

No Senado, Alessandro é voz ativa pela judicialização da política, mas nos municípios do interior do estado esbarra, como todo político, com a política que nada tem de nova.

Cidades como Capela, Japaratuba, Aracaju, Laranjeiras, Barra dos Coqueiros e São Cristóvão, por exemplo, estão cheias de “de novos” com seus Sukitas, Mouras, Sobral, Hagenbeck, Martins, Anjos, Nogueira, Lima, Batalha e Rocha.

Casos como o de Sukita, Alessandro e a também delegada Daniele devem ser vistos com atenção às suas especificidades, mas tem em comum o título de “novo”.

É preciso ter clareza de que política se faz com diálogo, ideias e povo.

Deixemos os delegados, juízes e PMs fazerem seus trabalhos onde tem de fazê-lo. Todo mundo pode se candidatar dentro das exigências mínimas da legislação, mas a criminalização da política só serve a criminosos.

Delegados, juízes, PMs, pastores e demais nomes que não tem “carreira” política podem ser boas opções de voto? Talvez.

Política não é crime e se faz no dia-a-dia com cidadania, transparência, controle social e participação popular.

Votemos então…

*Professor de Sociologia, Cientista Social, Poeta, Psolista e Fiscal de Acesso. Aracajuano de registro, capelense de alma e sancristovense de experiência.