Diógenes Brayner
As eleições de 2010 caminham naturalmente para uma definição de composições. Haverá muita discussão, conversas a valer e todas as estratégias para a montagem das coligações. Todos jogam para ganhar e têm perspectivas no futuro. A discussão agora é do quem fica com quem. No restante é arrumar os blocos e partir para a disputa. Não há nenhuma dúvida que essas eleições serão polarizadas entre o governador Marcelo Déda (PT), que tenta a reeleição, e o ex-governador João Alves Filho (DEM), que trabalha para retomar o poder. É a opinião geral de todos que, de alguma forma, lidam com a política sergipana. Há uma terceira via, Nilson Lima, candidato a governador pelo PPS, que não pretende abandonar a corrida por uma boa posição na estrutura política do Estado. Quem sabe Nilson não se credencie para disputar a Prefeitura em 2012? É possível, mas o socialista sequer aceitar falar nesse assunto. Leva adiante o seu projeto de chegar ao Palácio dos Despachos, atraído pelo discurso do novo, da renovação, assim como o fez Marcelo Déda em 2006.
O debate agora não é sobre candidatos ao Governo, mas pela formação da chapa majoritária. No grupo liderado por João Alves Filho, não há problema sobre o candidato a vice. Pode ser até o deputado federal Jerônimo Reis (DEM) ou, quem sabe, o ex-deputado Pedrinho Valadares (DEM). Também tem vaga para alguém do partido que formará a coligação, já certa com o Partido Progressista (PP) e em andamento com o PSDB. Pode vir mais alguma legendas (e/ou algumas) dependendo da progressão dos entendimentos e das chances apresentadas pelo candidato. Não há grande problema na formação da chapa, mas tem o PSDB que ainda não se definiu, porque o líder maior da legenda, deputado federal Albano Franco, não tem certeza se vai para a reeleição ou disputará o Senado Federal. É um impasse que não causará transtorno, porque o deputado federal José Carlos Machado (DEM), também está de olho em uma das vagas para senador.
A aliança que dá sustentação ao governador Marcelo Déda (PT) sofre de superlotação. É gente em excesso querendo disputar mandatos majoritários e proporcionais. Para o Senado tem três nomes – senador Valadares (PSB), deputado federal Jackson Barreto (PMDB) e deputado federal Eduardo Amorim (PSC) – que não abrem mão de seus objetivos. O vice já tem. É Belivaldo Chagas (PSB), que naturalmente não pretende perder o mandato. Nem ele, nem o partido. A arquitetura política que estão traçando é para satisfazer à legenda que está entrando na aliança, o PSC, com o objetivo de eleger Amorim para o Senado. Como o deputado federal Jackson Barreto é vulnerável a uma derrota na candidatura a senador, o nome dele surge para vice, o que promoveria a degola de Belivaldo, que está na fritura já há algum tempo. Todos os partidos têm direito de reivindicar posições na chapa única, o que é diferente do PSB que já a tem. Caso haja a saída de Belivaldo, quem indicar ganha, mas o PSB perde o que já está em mãos, o que é bem pior.
No caso da formação da chapa do DEM, certamente o candidato a vice-governador não está pensando em assumir em 2014 e disputar a reeleição. João Alves Filho sendo eleito, naturalmente se credencia para um novo mandato. Mas, na coligação liderada pelo governador Marcelo Déda, a possibilidade de ter um mandato tampão e disputar o Governo por mais quatro anos é o pensamento que domina a candidatura à vice. Ninguém imagina, entretanto, que o governador possa cumprir os quatro anos de um segundo mandato, em caso de ser reeleito, para sustentar em 2014 a candidatura de José Eduardo Dutra (PT) ao Governo do Estado, que é um nome próximo a Déda e tem o desejo de sucedê-lo. Lógico, que esse projeto a longa distância vai depender da eleição de Dilma Rousseff a presidente da República e suas chances de reeleição, onde Marcelo Déda pode ser ministro e iniciar o salto que puder.
Mas, não está fora de cogitação. Há uma chance grande dessa hipótese virar tese, porque o PT não passará o Governo para outra legenda de forma tão benevolente. Agora é esperar mais um tempo para as constatações, afinal ainda se tem uma eleição a disputar, conseguir ganhar, para se começar a pensar em estratégias tão distantes.
PALPITE
José Eduardo Dutra, presidente eleito do PT, avisou: “quem vai definir o vice é o PMDB e o PT não vai dar palpite.
O critério para a indicação do vice não é agregar voto, mas, sim, dar liga política. O bom vice é o que mantém bom relacionamento com o titular”, disse Dutra.
ALMOÇO
Quem vai almoçar com o ex-vereador Manoel da Lagartense, sábado próximo, é o ex-governador João Alves Filho (DEM).
Já está tudo certo.
O almoço foi agendado este final de semana, quando Manoel recebeu um telefonema de João para um encontro.
SEM ENTENDER
O ex-prefeita de Itabaiana, Maria Mendonça (PSB) quer entender como o PMDB apóia o Governo e mantém o prefeito Luciano Bispo trabalhando contra.
Ela disse que o PMDB tem secretário na atual administração, é forte dentro do Governo, mas se posiciona contrário em um dos municípios mais fortes.
VAI VOTAR
Maria Mendonça disse que vai votar em Marcelo Déda (PT) “mas ele precisa mostrar que quer ficar com quem esteve com ele desde o início”.
Neste momento a ex-prefeita de Itabaiana acha o quadro um tanto quanto obscuro e é preciso que o governador Marcelo Déda volte a conversar com as lideranças.
DESÂNINO
A ex-prefeita Maria Mendonça contou que estava conversando com um político do município ligado a ela e ouviu dele um certo desânimo com essa situação.
- Disse-lhe que não era assim, que todos seria ouvidos e acatados. Não podemos ser uma espécie de objeto descartável, respondeu-lhe Maria.
CANINDÉ
O ex-governador João Alves Filho (DEM) e o deputado federal André Moura (PSC) têm o apoio do mesmo grupo político em Canindé do São Francisco.
João e André estiveram sábado em Canindé e participaram da reunião do grupo, liderado pela ex-prefeita Rosa Feitosa (DEM), na sede e no povoado Capim Grosso.
DIRETÓRIO
A Direção Regional do PMDB está fervendo. É que a maioria da cúpula não acha justo o partido lançar Fábio Reis candidato a deputado federal se toda a família vota no DEM.
Fábio Reis é filho do deputado federal Jerônimo Reis (DEM) e sobrinho da deputada Goretti Reis (DEM) que estarão em outro palanque.
JORGE
Um forte membro da cúpula do PMDB, acha que a vinda de Fábio só seria interessante com a adesão do pai, Jerônimo Reis.
Aliás, o pessoal do DEM também não sabe como vai ficar Jerônimo, que trabalhará para eleger o filho, correligionário de Jackson e adversário do DEM. É muito confuso...
PALANQUES
Há um problema em Lagarto: o prefeito Valmir Monteiro e o ex-prefeito José Raimundo Ribeiro não vão aceitar a presença dos Reis no mesmo palanque.
Caso houvesse uma troca brusca na política lagartense, ou se montaria dois palanques, ou haveria rompimento de algum lado.
REUNIÃO
O deputado federal Albano Franco (PSDB) participou ontem de reunião com o novo líder do seu partido, João Almeida (BA), em Brasília.
Albano também teve uma conversa com o presidente tucano, senador Sérgio Guerra (PE) e retorna com a definição: é candidato ao Senado.
PESSOAL
É verdade que Albano Franco conversa muito para formar uma composição em Sergipe com o DEM, mas seus aliados não se mostram muito animados.
Há um silêncio no ninho tucano e todos acompanharão Albano. O que não se tem certeza é dos demais integrante do PSDB. Será um problema...
INDÓCEIS
Filiados de partidos vinculados ao PSC e PR, que têm liderança dos irmãos Edvan e Eduardo Amorim, estão querendo uma decisão mais rápida do comando.
Há consenso em seguir Amorim ao Senado, mas não existe unanimidade em relação à aliança. Os candidatos dos partidos pequenos querem o que for melhor para eles.
Notas
CÂMARAS
A preocupação dos vereadores brasileiros com a nova lei que reduziu os repasses para o Legislativo a partir deste exercício financeiro, promulgada em setembro do ano passado, passa longe de algumas câmaras municipais.
Nelas, apesar da choradeira feita durante a tramitação da proposta de emenda constitucional estabelecendo os novos percentuais de recursos, sobrou dinheiro em 2009. Devolvida, a verba voltou ao orçamento das respectivas prefeituras e se transformará em obras e benefícios para a população.
ANISTIA
Autora da ação que pede revisão da Lei da Anistia para punir torturadores da ditadura, a OAB classificou como equivocada a posição do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, que deu parecer contrário à solicitação da entidade. Em nota, o presidente da OAB, Cezar Britto, disse que a postura de Rangel é ruim para o Brasil.
A Ordem apoiou a lei e deu perdão para quem cometeu tortura, em nome do desarmamento geral e desejável como passo adiante no caminho da democracia. Mas, na sua manifestação, Britto não faz referência a essa argumentação de Gurgel.
CONGRESSO
O Congresso retoma os trabalhos hoje com uma agenda pesada e contaminada pelo processo eleitoral, que esgarçou as relações entre o governo e a oposição. Projetos de interesse do Planalto, como o que trata da partilha da renda do pré-sal, tendem a ficar empacados, porque a oposição promete obstruir votações.
Além disso, o veto do presidente Lula ao Orçamento da União, para liberar recursos a obras irregulares, atropelando o TCU e o próprio Congresso, acirrou ainda mais os ânimos dos parlamentares.
É fogo
A cantora sergipana Patrícia Polayne está no Estadão desta 2ª-feira. Ela é destaque porque venceu, em duas categorias, o 1º Festival das Rádios Públicas com a música “Arrastada”.
Entre os assuntos polêmicos que tramitam no Supremo está a manutenção, ou não, do projeto de transposição das águas do rio São Francisco.
Karina Drummont avisa em seu twitter que na zona de expansão de Aracaju os moradores temem chuvas fortes.
A deputada Ana Lúcia (PT) tem circulado o Estado. Está em todas e não perde nenhum evento. É incansável.
Ontem, Ana Lúcia esteve nos municípios de Carira e Frei Paulo, juntamente com o deputado federal Iran Barbosa, reunidos com professores.
O ministro Carlos Ayres Britto diz que o TSE “jamais vai julgar quem quer que seja com dois pesos e duas medidas”.
Permaneceremos livres de monitoramentos ou pressões de quem quer que seja, parta de onde partir”, salientou Carlos Britto.
O prefeito em exercício, Silvio Santos, entrega ao presidente da Câmara, Emanuel Nascimento, às 8 horas, o projeto de reajuste do funcionalismo.
A gasolina pode subir até 4% por conta da redução do percentual de álcool anidro de 25% para 20%.
Com quatro metros de altura, o Galo do Augusto Franco sairá neste próximo sábado. O acesso é livre e será puxado por bandas de frevo.
brayner@faxaju.com.br http://twitter.com/brayner