Diógenes Brayner
Ninguém pode negar a contribuição que o ministro Carlos Ayres Britto deu para evitar a proliferação da compra de voto. Não a evitou. É impossível. Mas a inibiu em parte. É bom para a democracia. A questão da fidelidade partidária também tem saldo positivo. Pode não ter alcançado o objetivo maior, mas deu força para que as legendas merecessem respeito e não fossem apenas instrumentos de acomodação. As eleições desse ano também terão rigor na fiscalização pelo voto honesto. Particularmente não acredito no êxito absoluto. A escolha do candidato pela vontade livre do eleitor, principalmente os que têm maior vinculação com os chamados cabos eleitorais, só acontecerá quando a eleição deixar de ser um bom negócio para a agiotagem eleitoral. Aqueles que vivem da indústria do voto e que fazem do eleitor o principal insumo para sua produção, ainda mantêm os seus balcões de negócios.
O Brasil não é um país preparado para o voto consciente. Nem vocacionado à escolha dos melhores nomes para representar a sociedade. O eleitor está viciado por velhos modelos de campanhas, feitas nas noites que antecedem as eleições. Ou nas manhãs do dia do pleito, quando encontra no chão próximo à porta de saída, o “santinho” de determinado candidato e, já que foi o mais recente a pagar, tem o seu voto. É da cultura do eleitorado, principalmente do interior, embora na periferia das grandes cidades, inclusive Aracaju, não seja diferente. Vou repetir o que diz um ex-político, quando ouve a palavra povo: “não me venha com isso?” E esculacha; “povo, que povo nada. Se a gente não tiver 20 reais para dar ao eleitor na boca de urna, está perdido”. E conclui: “esse tal de povo merece ter o político que lhe compra”.
Nas cidades do interior – de todo o país – acontece a mesma coisa. Valores altos em dinheiro são entregue a líderes políticos antes do galo cantar. Nas caladas das noites, muitos candidatos circulam silenciosos como almas penadas, cobrindo propostas e fechando colégios, que estavam sob domínio de adversários ou aliados concorrentes. Na casa de quem recebe o dinheiro já se encontram cabos eleitorais, que levam sua parte para cobrir gastos com gasolina e mobilização de boca de urnas, a fim de eleger sempre quem dá mais. Lembro de um cidadão que recebeu um alto valor para apoiar uma candidatura majoritária e traiu o compromisso. Não conseguiu dormir: por volta das três horas da manhã homens bem armados foram reaver o que lhe tinham pago. Essa história muita gente conhece.
O que é que se entende por “passar um colégio para um candidato?” Na minha curta visão é negociar de alguma maneira os eleitores de uma cidade ou região. Ou negocia trocando votos, ou recebendo em dinheiro vivo. E daí? Quem vende passa a apoiar quem paga, com o compromisso de repassar um número estimado de votos. Os mais confiáveis superam os números acertados. E o eleitor, o que ganha com isso? O assistencialismo barato, que cobre necessidades primárias, que são responsabilidades de Governo. Qualquer um dos leitores pode fazer o teste. Basta perguntar em quem algum amigo ou conhecido vai votar. A resposta será sempre a mesma: “em quem me der alguma coisa”. Não se vota em quem fizer mais pelo povoado, cidade, estado ou país.
O Bolsa Família é sim um processo de compra de voto, através do assistencialismo camuflado de um projeto para melhor distribuição de renda. E é oficial, aplaudido e mantido por qualquer outro Governo que conseguir chegar ao Planalto. Não existe nada melhor do que ganhar dinheiro para fazer filho. Se o ato em si já é um orgasmo, imagina pago? Nada melhor do que amar e ganhar, independente de como possa criar. Então, já que se instituiu a compra de votos, que nos locupletemos todos. Claro que um dia, ninguém pode imaginar quando, teremos um país politizado, consciente da necessidade de exercer a cidadania com decência e dignidade, para que nos transformemos em uma nação séria, maior, gigante pela vontade democrática do seu povo. Mantenho essa utopia...
E enquanto a sociedade não tomar essa consciência, enquanto cada um não votar por todos, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e seus Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) continuarão nessa luta árdua de reduzir a mercantilização eleitoral e punir com severidade a quem pratica esse crime contra o país e contra a democracia.
MOMENTO
O presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), diz que no momento certo o deputado federal Albano Franco vai se pronunciar.
Para o senador Sérgio Guerra, a prioridade dos tucanos é fazer uma composição com o DEM nos Estados e em Sergipe não será diferente.
SINALIZA
Albano Franco tem sinalizado que a sua meta é disputar o Senado fazendo uma composição com o DEM. Tem conversado, mas não se decide.
Há um problema nisso. É que membros dos democratas acham que o “momento certo” de Albano pode não ser “exatamente o nosso”.
DUTRA
O presidente eleito do PT, José Eduardo Dutra, comemorou o resultado das pesquisas recentes e disse que Dilma cresce a cada pesquisa, com ou sem Ciro.
Segundo José Eduardo, “essa pesquisa está sendo interpretada da forma errada. O que tem de comparar é a evolução de Dilma nas pesquisas”.
MUNICÍPIOS
Segmento importante do PMDB cria problema para a aliança de partidos do Governo em dois redutos eleitorais decisivos do interior sergipano.
Itabaiana e Lagarto se revoltam...
Essas manifestações de lideranças podem provocar uma fissura de conseqüências imprevisíveis e preocupam políticos da situação.
ITAMAR
O presidente do PPS em Lagarto, Itamar Santana, pretende disputar uma vaga de deputado estadual pelo município.
Ele defende que haja um único palanque em Sergipe para o governador José Serra (PSDB), com uma composição entre tucanos, DEM e PPS.
JERÔNIMO
O deputado federal Jerônimo Reis (DEM) diz que vai trabalhar para eleger o filho, Fábio Reis (PMDB), “aliado ao governador Marcelo Déda (PT)”, que ficará em seu lugar.
E diz que Não é preciso estar em cima de palanque para fazer política.
“Eu sou democrata por isso não discuto a situação do PMDB. O que vou fazer é votar em meu filho e ajudar a eleger-se”, explicou.
ALIADO
Um aliado de Jerônimo disse que isso não funciona: “ao tentar eleger o filho pelo PMDB ele tenta derrotar alguém do DEM e fortalece a situação”.
A mesma fonte acrescenta: “não cabe na cabeça de ninguém que os eleitores do Fábio Reis, para elegê-lo, vai votar contra a coligação que o candidato pertence”.
POSSE
O engenheiro Fernando Garcez Barreto assume nesta próxima sexta-feira a coordenação do Dnocs em Sergipe.
A indicação é do senador José Almeida Lima...
Almeida pediu ao governador Marcelo Déda que presidisse a solenidade de posse, que acontecerá no Palácio dos Despachos.
ARTEMÍSIO
O primeiro convidado para assumir a direção do Dnocs foi o geólogo Artemísio Resende, que recusou em razão do estado em que se encontra o órgão no Estado.
O outro convidado foi o ex-prefeito de Aquidabã, Eurico de Souza Filho, que também não aceitou e por último Wolney Britto, que teve problemas para ser liberado pela Embrapa.
JOÃO ALVES
O ex-governador João Alves Filho (DEM) admitiu ontem que estão informando errado ao governador Marcelo Déda (PT) sobre as obras realizadas por ele (João) no Estado.
João Alves disse que “qualquer cidadão pode fazer um comparativo entre o Governo e outro e perceber quem construiu e trabalhou mais por Sergipe”.
COMPARAÇÃO
É que o governador Marcelo Déda disse ontem que deseja comparar o seu governo com o do seu antecessor, João Alves Filho (DEM), no processo eleitoral deste ano.
Assumimos o governo no dia 1º de janeiro de 2007. Temos o dever de comparar a nossa administração com a administração que eu sucedi, disse Déda.
MACHADO
O deputado federal José Carlos Machado (DEM) foi a jantar, ontem, no apartamento da senadora Kátia Abreu. Muitos políticos por lá.
Hoje Machado terá mais um encontro com o colega Albano Franco, logo após conversa com o presidente do PSDB, Sérgio Guerra. Ainda não há novidade.
Notas
REGRAS
As eleições de outubro deste ano serão realizadas sob novas regras. Uma das principais novidades será o uso da internet nas campanhas - tanto para as propagandas como para a arrecadação de recursos.
De acordo com a nova legislação, sancionada em setembro passado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os candidatos poderão pedir votos oficialmente na internet somente a partir do dia 5 de julho. Apesar disso, fica livre toda manifestação de pensamento mesmo antes da campanha e até o seu final.
VETOS
Lula vetou três artigos do projeto de lei das novas regras. Um desses artigos desobrigava as emissoras de rádio e TV de convidar para debates todos os candidatos a um determinado cargo - apenas os sites continuam desobrigados. Mesmo assim, as emissoras de rádio e TV poderão realizar debates com a concordância de 2/3 deles.
Os outros dois vetos referem-se ao parcelamento de multas eleitorais e à restituição do imposto de renda para emissoras de rádio e TV relativa à veiculação de propaganda eleitoral gratuita.
DOAÇÕES
A lei também facilita iniciativas de apoio a campanhas eleitorais, como cessão de imóvel para funcionamento de comitê de candidato. Foi fixado em R$ 50 mil o valor da doação relativa a uso de bens móveis ou imóveis de pessoa física para um candidato ou um partido político.
Com o objetivo de coibir fraudes, a nova lei obriga também o eleitor a apresentar documento com foto no momento da votação, e o proíbe de levar para dentro da cabine de votação telefone celular, máquinas fotográficas ou filmadoras.
É fogo
“Mais recursos para o estado de Sergipe. Muito importante uma posição clara do governador Marcelo Déda”, do twitter do deputado José Carlos Machado (DEM).
Toda a renda da feijoada do Rasgadinho será revertida para o tratamento de saúde do compositor Irmão.
Irmão é economista e prestou um grande trabalho quando trabalhou em vários órgãos do Governo. A Colônia 13 partiu foi planejada por sua privilegiada cabeça.
As incoerências políticas são acompanhadas pelo eleitorado. A penalização política está por vir. Os recalcitrantes preferem não acreditar, do senador Valadares em seu twitter.
As vendas do varejo tiveram queda de 0,8% em janeiro na comparação com dezembro, no primeiro recuo após 13 meses consecutivos de expansão.
O deputado federal Eduardo Amorim esteve em Umbaúba na casa Jorge Rico (PSC). Ao lado de André Moura, prestigiou a missa de Nossa Senhora da Guia.
O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB), quer levar projeto ´ficha limpa´ para a pauta da Câmara e colocá-lo em votação na próxima semana.
O advogado sergipano Cezar Britto deixa a Presidência da OAB, o novo presidente é Ophir Cavalcante, que tomou posse ontem.
O secretário de Comunicação de Aracaju, Marcos Cardoso, informa que o prefeito Silvio Santos (PT) vistoria instalações do Projeto Verão às 10 horas de amanhã.
A professora Ana Lúcia e Iran Barbosa serão recebidos pelos ministros da Cultura, Juca Ferreira, e da Pesca e Aquicultura, Altenir Gregolin, em Brasília.
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