Diógenes Brayner
O senador Almeida Lima (PMDB) de tolo só tem quem pensa que ele o é. Há algum tempo que vinha alertando da sua estratégia de ir se habilitando para ficar em posição de receber a bola em condições de marcar o gol. E trabalhou certo. Previu que algumas mudanças ocorreriam e, em determinado momento, filosofou ao dizer que a história de amanhã se faz com uma reflexão dos procedimentos do passado. Desde que assumiu a presidência da Comissão Mista do Orçamento (CMO), que o senador Almeida Lima se desnudou do ar de prepotência que expunha aos seus semelhantes. Calçou a sandália da humildade e não usou da posição destacada que conquistou para olhar de cima para baixo os pobres mortais. Fez exatamente o que um bom estrategista traçaria para um político, que gostava do embate e não se curvava a conceitos que não batessem exatamente com os dele.
Dialogou à vontade. Passou a servir indistintamente a prefeitos de todos os municípios, independente de partido. Praticamente pôs o cargo de presidente da CMO à disposição de todos e lutou para liberação de recursos. Muita gente recebeu verbas que imaginava perdida e as Prefeituras contempladas ficaram e estão gratas ao senador, que em 2008 estava na rua em campanha pela Prefeitura de Aracaju, cujo adversário era o então prefeito Edvaldo Nogueira. O “Almeidinha paz e amor” adotou um estilo que distribuía simpatia e bondade para todos os lados. E sabe quem almoçou com ele, como convidado da família? Quem disse Edvaldo Nogueira (PCdoB) acertou. E foram tantas as emoções, que os dois se deixaram encantar pelo fim das divergências e o reinício de uma nova etapa em que tudo é compreensão e confraternização. Antes do almoço familiar, lógico, Almeida Lima tivera um encontro formal com Edvaldo Nogueira e mostrou trabalho a favor de Aracaju. Ao deixar o gabinete, o prefeito já defendia a inclusão do senador na base de apoio a Déda.
A cada vez que isso acontecia, Almeida cumpria etapa do seu processo de habilitação para marcar o gol que o consagraria como craque.
Ainda de licença do mandato, o governador Marcelo Déda (PT) teve demorado encontro com o senador Almeida Lima, no Palácio de Veraneio. O papo estava tão atraente que Almeida perdeu o vôo a Brasília. O que falou impressionou. Os dois não trataram apenas de liberação de recursos do orçamento. Foram além. Trataram de estratégias políticas e de participação nas eleições deste ano. No início desta semana, Almeida e Déda tiveram uma nova conversa sobre a posse do novo coordenador do Dnocs, que aconteceu nesta sexta-feira em Aracaju. E entraram em assuntos diversos, onde a política predominava. No final Almeida Lima convidou o governador para um almoço em família, que acontecerá em sua panorâmica casa na Farolândia. No cardápio, a pedido do governador, uma quiabada com carne magra. A professora Maria Helena, mulher do senador, é cozinheira cinco estrelas e recebe como ninguém. Será um encontro informal, onde a política correrá solta.
Quem foi à posse do engenheiro Fernando Almeida (não é parente) na direção do Dnocs, percebeu o grau de aproximação entre o senador e o governador. Tanto que Marcelo Déda gostou desse novo estilo zen de Almeida Lima, que levantou a bandeira branca e estendeu a mão para o primo Jackson Barreto, inimigos ferrenhos há 15 anos. O primo é que faz doce e rejeita o conciliador parente. Um fato, entretanto, provocou surpresa a aliados do governador. Na sexta-feira à tarde, Marcelo Déda declarou que estava empenhado em solucionar problemas naturais para formação da chapa majoritária, que o terá como candidato à reeleição. Disse que pelo menos cinco políticos reivindicavam posição nela e incluiu o senador Almeida Lima: “eu não sabia que Almeidinha já estivesse nessa condição de disputa. Ele avançou muito nesse projeto de se habilitar”, disse um velho integrante da aliança, com ar de queixoso.
Pior foi o boato, que se espalhou na sexta-feira à noite (aproveito para desmenti-lo aqui) de que Marcelo Déda já avisara a Jackson que ele tentasse a reeleição, porque Almeida seria o seu vice. Imagina a confusão! Mas é mentira, porque seria esse exatamente o fogo que se aproximaria do estopim. De qualquer forma, sem muito trabalho, Almeida já está bem colocado e frente-a-frente com o goleiro. Falta apenas calma para marcar o gol.
PESADO
O Planalto decidiu mudar de estratégia: agora vai jogar pesado com o PSB e tentar sufocar o partido, principalmente dificultando as alianças regionais.
O Planalto também deve jogar pesado em estados como Rio Grande do Norte, Ceará e Sergipe, ameaçando dificultar acordos regionais já adiantados.
SERGIPE
Segundo informação de Brasília, em Sergipe o senador Antônio Carlos Valadares (PSB) deseja tentar a reeleição com o apoio do governador Marcelo Déda (PT).
O Partido dos Trabalhadores ameaça dificultar até mesmo alianças para as eleições proporcionais, o que prejudicaria a eleição de deputados federais pelo PSB.
RELAÇÃO
O governador Marcelo Déda disse que a candidatura de Ciro Gomes (PSB) a presidente da República, não tem nada a ver com o senador Antônio Carlos Valadares (PSB).
“Existe uma relação histórica entre o PSB e PT e não tem conjuntura nacional que comprometa o entendimento entre os dois partidos em Sergipe”, disse Déda.
ENTREVISTA
O deputado federal Ciro Gomes concedeu uma entrevista e disse que o senador Valadares não defende a sua candidatura a presidente.
Do Rio de Janeiro, onde se encontra, o senador Valadares confirmou que manterá aliança com o PT e defenda a candidatura de Dilma Roussef a presidente da República.
HELENO
A atitude do PT Nacional em querer abortar a candidatura de Ciro Gomes presidente, preocupa o ex-deputado federal Heleno Silva (PRB).
Segundo Heleno, um partido que quer ganhar uma eleição não pode atropela o desejo de outros, principalmente dos aliados.
ALMOÇO
O governador Marcelo Déda (PT) e o senador Almeida Lima (PMDB) marcaram almoço para a próxima semana. Será na casa do senador.
O cardápio será política e só política. Almeida é um dos políticos que Déda está ouvindo sobre a aliança para as eleições deste ano.
AUDIÊNCIA
Dessa vez a agenda já está marcada. Marcelo Déda tem previsão de audiência com o presidente Lula na quarta-feira pela manhã.
Será uma conversa ampla.
Déda vai a busca de recursos para Sergipe e de investimentos pela Petrobrás, construção da Usina Nuclear e rever o dinheiro perdido no orçamento para irrigação.
FELIZ
O senador Valadares desembarca em Brasília na segunda-feira. Chega muito feliz com a promulgação da PEC da Alimentação, de sua autoria.
Valadares é o primeiro senador de Sergipe que consegue duas mudanças na Constituição. A PEC da Alimentação e a PEC da Saúde.
LUCIANO
O prefeito de Itabaiana, Luciano Bispo (PMDB), tem certeza que o deputado federal Albano Franco (PSDB) é candidato ao Senado ao lado de João Alves Filho (DEM).
Para Luciano, o deputado Albano Franco está esperando que José Serra (PSDB) oficialize a sua candidatura a presidente da República.
VITÓRIA
Para Luciano Bispo, se as eleições fossem “agora, em março”, o ex-governador João Alves Filho ganharia por grande diferença do governador Marcelo Déda.
Como o pleito acontece em outubro, Luciano diz que vai depender do trabalho de ambos e da força de lideranças do interior, que podem modificar o rumo de uma eleição.
PRÉ-CAJU
Luciano disse que acompanhou João Alves Filho durante o Pré-Caju e ficou impressionado com a receptividade que ele tem junto ao povo.
“Vi isso de perto, no meio da pipoca e o povo aplaudindo”, disse Luciano, que trabalha para Jerônimo Reis ser o vice da chapa.
SURPREENDEU
Provocou surpresa a aliados do governador Marcelo Déda a inclusão do nome de Almeida Lima (PMDB) entre pretendentes de candidatura majoritária pelo bloco.
Almeida vem utilizando uma estratégia de paz em busca de um entendimento saudável e já estendeu a mão ao primo Jackson Barreto, de que foi inimigo há anos.
ÓCULOS
Ao inaugurar a rodovia que liga Barra dos Coqueiros a Atalaia Nova, o governador Marcelo Déda alfinetou: “a oposição precisa usar óculos para enxergas nossas obras”.
O deputado Augusto Bezerra (DEM) respondeu: “a oposição precisa é de travesseiro para esperar a conclusão das obras. Uma rodovia de 7km foi construída em três anos”.
ALIADOS
Augusto Bezerra disse que a oposição não está preocupada com declarações de prefeitos que passaram a declarar apoio ao governador Marcelo Déda.
“A maior preocupação da oposição – disse Augusto Bezerra – é se o governador Marcelo Déda acreditou nessas declarações”.
Debate
O leitor Mário Melo envia e-mail para comentar duas notas sobre declarações do secretário da Indústria, Jorge Santana, postas em seu twitter e publicadas por Plenário: O secretário constata que “bastou o governo decidir recriar a Telebrás para assumir a banda larga e as teles apresentaram proposta de baixar preços”. Jorge Santana diz ainda que, “as teles abusam porque o marco regulatório das privatizações, de Fernando Henrique Cardoso (FHC), foi intencionalmente frouxo e a Anatel pouco pode fazer.” ·Mario Melo comenta: “Muito bem. Jorge Santana não pode criticar FHC, pois Lula cansa de desdenhar a importância das agências reguladoras ao aparelhá-las com apadrinhados políticos, ao invés de técnicos”.
E continua: “fora isso, vale relembrar essa matéria do Estadão em julho de 2006: O governo federal tem asfixiado as agências reguladoras com o corte de bilhões de reais de verbas do orçamento. Só em 2005, as seis principais agências do setor de infra-estrutura foram contingenciadas em mais de R$ 4,4 bilhões dos R$ 5,2 bilhões previstos, 84% do total, segundo estudo feito pela Associação Brasileira de Infra-Estrutura e Indústrias de Base (Abdib), a pedido do Estado. O problema tem se repetido nos últimos anos, em especial desde o início do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003. Fato que compromete tanto a qualidade como a quantidade dos serviços prestados à população, como energia elétrica, telefonia, estradas e combustíveis”.
E conclui: “Dá para dizer que a falta de força das agências é culpa de marcos regulatórios de FHC? Lula quer duas coisas: acabar com as agências e recriar estatais. No caso da Telebrás, o perigo é a linha telefônica voltar a ser um bem tão caro que era obrigado a declarar no Imposto de Renda. Não custa lembrar que era assim antes da privatização”. (O espaço está aberto para o debate, caso o secretário Jorge Santana deseje)
É fogo
O empresário Luciano Barreto, da construtora Celi, pediu ao governador Marcelo Déda mais cuidado com a saúde. Acha que ele está exagerando em suas atividades.
No final de semana passado, o governador participou de várias inaugurações e festejo. Chegou em casa por volta das 3 horas da madrugada de domingo.
Marcelo Déda ainda não definiu o que fará no período de carnaval. Pode ficar em Aracaju ou descansar em uma casa de praia.
Dezenas de políticos foram ao Carnatobias neste final de semana. A cidade pegou fogo. A folia se encerra neste domingo.
Os auxiliares do Governo em segundo escalão que pode disputar mandato em outubro, não foram convidados a deixar os cargos.
O deputado Eduardo Amorim (PSC) diz estará ao lado de Itabaiana: “cidade precisa de representatividade para desenvolver-se”.
O governador Marcelo Déda, ao lado do senador Almeida Lima, vão a Brasília na próxima semana para falar com o ministro do Planejamento e confirmar recursos.
Em seu discurso, na posse do diretor do Dnocs em Sergipe, Déda disse que Almeida Lima cumpriu integralmente tudo que assumiu com ele.
O almoço que Almeida Lima vai oferecer a Marcelo Déda, em sua casa, tem no cardápio carne com quiabo.
A sugestão foi do próprio Marcelo Déda, que fez apenas um pedido: a carne seja magra. Assim será feito.
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