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“Lixo é lucro: como as empresas podem reaproveitar seus resíduos sólidos?”.

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O Brasil segue liderando o ranking latino-americano de produção de resíduos: apenas durante o ano de 2018, fomos responsáveis pela geração de 79 milhões de toneladas de lixo segundo o Panorama de Resíduos sólidos no Brasil 2018/2019, divulgado recentemente pela Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe).

Além de todas as questões socioambientais acerca da luta global por práticas mais sustentáveis e da diminuição da produção de lixo, há também o impacto financeiro decorrente dos rejeitos envolvidos em nossas atividades humanas e econômicas. Ainda segundo dados da Abrelpe, desperdiçamos toneladas de lixo reciclável que poderiam gerar uma recita de R$ 3 bilhões ao ano para o país.

Vale ressaltar que desde 2010, quando a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305) entrou em vigor, as empresas precisaram adotar seu próprio sistema de gerenciamento de resíduos sólidos para cumprir as exigências legais e metas para a diminuição dos impactos ambientais. O que muitas delas ainda não podem saber é que existe uma possibilidade de ganhos reais com a gestão de resíduos sólidos bem aplicada.

Resíduos valiosos

Grandes empresas dedicam setores inteiros para a promoção de pesquisas e para o desenvolvimento dos seus sistemas de gestão de resíduos sólidos cada vez mais lucrativos. A fabricante de aguardente Ypioca, por exemplo, usa o bagaço da cana para a produção da bebida para alimentar uma usina termoelétrica que gera energia para a planta de sua fábrica e até reutiliza as fibras para a produção de papelão.

Já a gigante rede de fast food McDonald’s vem há alguns anos reaproveitar milhares de litros de óleo vegetal usados nas fritadeiras de seus restaurantes para a fabricação de um biodiesel que abastece a frota de caminhões que atendem os estoques da franquia.

Quando falamos de linhas de produções menores e modestas, nem sempre é possível implementar estruturas tão avançadas para reaproveitar e reintroduzir os resíduos de volta ao ciclo produtivo. Mas a boa notícia é que a partir de uma boa gestão de resíduos sólidos, essas empresas podem, além de cumprir as leis e exigências ambientais, vender e lucrar com seus próprios resíduos que seriam descartados.

Um dos fomentadores desse mercado é a VG Resíduos. A startup mineira que já recebeu prêmios nacionais e internacionais por inovação e sustentabilidade opera uma plataforma que, além de automatizar diversas etapas do gerenciamento de resíduos sólidos, também conecta empresas geradoras e tratadores especializados em reaproveitar esses materiais.

“Na plataforma Mercado de Resíduos, conectamos empresas que buscam destinar seus resíduos e tratadores ingressados em comprar determinados tipos de material para processá-los e comercializá-los”, explica Guilherme Gusman, sócio da VG Resíduos.

Muitos matérias que vão além dos entulhos e recicláveis podem se tornar parte da receita das empresas. “Além do impacto positivo ao meio ambiente, geramos até 20% de redução de custos com a destinação final de resíduos. Conseguimos que uma empresa que gastava em média R$ 900,00 para descartar paletes de madeira encontrasse um comprador que paga R$ 300,00 por eles. Uma economia de R$ 1.200 mensais que podem representar muito para produtores menores”, conta Gusman.

Entre alguns dos resíduos sólidos que costumam ter valor e demanda estão componentes eletrônicos, madeira, entulho proveniente da construção civil, borrachas, tecidos óleos e quaisquer outros materiais que possam ser processados adequadamente e se tornar novas matérias-primas para processos produtivos.

O importante é adotar uma nova perspectiva organizacional a partir dos processos produtivos para projetar as quantidades e origem dos resíduos sólidos e explorar mais este nicho que movimenta mais receita para a empresa.

Imagem: pixabay.com

Por Aline Matos

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