O momento político no País é completamente desfavorável para o governador Jackson Barreto (PMDB). Diante do iminente afastamento da presidente Dilma Rousseff (PT) da presidência da República, está claro que JB não tem o mesmo prestigio com o vice-presidente Michel Temer (PMDB), tanto que ficou “acuado” após o resultado do domingo (17), na Câmara dos Deputados. O governador sergipano não conseguiu mudar nenhum voto desfavorável à petista na bancada federal, e pior: ainda viu o deputado Fábio Reis (PMDB) votar a favor do impeachment da presidente. Certamente toda essa “desconstrução” não estava nos planos de Jackson.
Mas o que estava ruim, começa a ficar pior: a bancada do governador em Sergipe começa a entrar em confronto. Existem muitas insatisfações, muitas contrariedades. Não só apenas “focos de revolta”, mas verdadeiras “feridas expostas”. Se o clima do governador com o senador Valadares e parte do PSB não era bom, agora está ainda mais complicado. O voto do deputado federal Valadares Filho (PSB) a favor do impeachment da presidente – que é legítimo, diga-se de passagem – desagradou de vez alguns aliados. A turma do PCdoB, por exemplo, que sonha com o apoio de JB para Edvaldo Nogueira (PCdoB), já iniciou o processo de “queimação” de Valadares Filho. Estão “fritando” o deputado federal.
Como se não bastasse, familiares do governador e outros aliados não gostaram nem um pouco do voto favorável do deputado Fábio Reis. Acham que ele teria traído a confiança de Jackson Barreto após tantos anos juntos e após alguns investimentos do governo federal em Lagarto. Tem aliado do governo que não aguanta nem ouvir o nome do parlamentar peemedebista que já começa a espernear. Valadares Filho e Fábio Reis que também foram escolhidos por setores do Partido dos Trabalhadores como “traidores”. O deputado do PSB assumiu os riscos, teve posição definida e acompanhou seu partido. Alguns aliados estão usando esse voto para afastá-lo de vez da base do governo.
Os ataques a Valadares Filho têm uma explicação lógica também: o PSB andou “namorando” uma possível aliança com o Grupo Amorim e isso incomodou por demais a base governista. Politizando não duvida que o próprio Jackson Barreto esteja a frente desse processo de “queimação” do pré-candidato do PSB. A coisa tende a esquentar ainda mais agora na votação do pedido contra Dilma Rousseff no Senado Federal. Valadares “pai” tem posição definida pelo impeachment. Isso, inclusive, pode acelerar o rompimento. O PRB do deputado federal Jony Marcos, por exemplo, já teve a primeira baixa: Ismael Silva foi exonerado do DNIT. Resta saber como ficará em relação a JB.
A prova de que a base do governador está mais do que dividida, nessa quarta-feira (20), no plenário da Câmara Municipal de Aracaju, o vereador Lucas Aribé (PSB) ocupou a tribuna para criticar a postura do deputado federal Valadares Filho que votou a favor do impeachment. O questionamento de Lucas chamou a atenção de todos e recebeu o apoio incondicional da vereadora Lucimara Passos (PCdoB), que não amenizou nem um pouco para o deputado do PSB. Lucimara, fazendo o jogo para Edvaldo, chegou a pedir desculpas aos aracajuanos por ter ido às ruas em 2012 pedir votos para Valadares Filho. Quem acabou fazendo a defesa do deputado federal foi o presidente da CMA, vereador Vinícius Porto (DEM).
É fato: a base do governador Jackson Barreto entra em processo de desintegração! Ontem a deputada estadual Ana Lúcia (PT), por exemplo, criticou todos os seis votantes sergipanos a favor do impeachment. Inclusive, sobrou “alfinetada” até para o chefe do Executivo. Pelo visto, a partir do momento em que o governador anunciou que estaria se aposentando da política ao final deste mandato, ele começou a perder o comando do grupo político que liderava. Está claro que cada partido está buscando sua independência, o seu caminho. Com a queda dos “governos petistas”, todos estão se voltando para um novo tempo na política. E dificilmente JB conseguirá reverter este quadro.
Veja essa!
Em conversa com Politizando, a deputada Ana Lúcia fez uma avaliação sobre os votos dos deputados sergipanos na Câmara Federal, no último domingo (17), quando da aceitação da denúncia de crime de responsabilidade contra a presidente Dilma Rousseff (PT) e dando continuidade ao processo de impeachment da petista.
E essa!
Ana Lúcia acusou a maior parte da bancada de Sergipe por, segundo ela, não reconhecer os feitos dos governos de Lula (PT) e Dilma pelo Nordeste. “A maior parte da bancada não tem compromisso com as políticas sociais, não reconheceu que a diferença dos governos de Lula e Dilma para o Nordeste é substantiva. Vimos vários parlamentares dos mais variados partidos, inclusive do PMDB, sendo contrários ao impeachment por reconhecer que nós não podemos retroceder e esse projeto é um retrocesso”.
Valadares Filho
Questionada sobre o voto do deputado federal Valadares Filho (PSB) e sobre um possível apoio do PT a sua pré-candidatura a prefeito de Aracaju em 2016, Ana Lúcia praticamente vetou alianças com o PSB. “De forma alguma! Eu acredito que no País inteiro o PT não vai mais fazer aliança com o partido socialista. No governo do presidente Lula, por exemplo, o PSB tinha mais prestígio que o PT. Isso não foi reconhecido e eles romperam em 2013, quando lançaram um candidato a presidente da República. Mas existia diálogo. A partir dessa votação será muito difícil manter esse diálogo em relação a programas de governos”.
André Moura
Já sobre o voto do deputado federal André Moura (PSC), a deputada disse que é ideologicamente contrária a ele e não lhe poupou críticas. “Nós pensamos de maneira completamente diferente, mas isso faz parte da democracia. Mas ele responde a vários processos no STF e só exerce um mandato parlamentar graças a uma liminar, que a qualquer momento pode ser derrubada. E ainda assim ele foi o grande coordenador desse golpe para tirar Dilma do Poder”.
Sem crime
“Não há crime de responsabilidade da presidente e eu o vi gaguejando na televisão, mas estão votando em cima de um parecer do TCU. Parecer não é orientação jurídica. Vi muitos votos em nome de Deus, da mulher, da filha. É preciso ter responsabilidade porque estão em jogo os princípios da democracia. Se estão tirando os direitos de uma presidente da República, imagine do José da feira, do morador de rua”, acrescentou a petista, dizendo que também critica Dilma, na tribuna, nas ruas e nos movimentos sociais, mas, segundo ela, sempre defendendo a democracia.
Jony e Fábio Reis
Sobre os votos dos deputados Jony Marcos (PRB) e Fábio Reis, Ana Lúcia foi ainda mais crítica. “Fábio Reis, até o último momento criou a expectativa de que votaria a favor da presidente. Ele é do PMDB, é próximo do governador Jackson Barreto, que disse ser contrário ao impeachment, mas que não demonstrou nenhum esforço para que esse voto fosse mantido. Já Jony Marcos justifica que o partido exigiu seu voto. Então ele não tinha convicção do voto que ia dar, do papel que ele tem como parlamentar e dos princípios que jurou quando tomou posse”.
Adelson Barreto
Sobre o voto favorável do deputado Adelson Barreto (PR) ao impeachment, Ana Lúcia disse que “Adelson também ficou nesse jogo de apóia e não apóia. Isso é muito ruim. O parlamentar representa a população e tem que ser firme em suas concepções. Nos outdoors pagos pelo Movimento Basta, inclusive, ele era criticado porque ia votar a favor da presidente e agora terá que responder pelos retrocessos que virão”.
Laércio Oliveira
Sobre o deputado Laércio Oliveira (SDD), Ana Lúcia sintetizou dizendo que “foi o voto mais coerente para mim! Ele é empresário e defende a flexibilização dos direitos trabalhistas. E são os empresários que vão passar a comandar o País com esse golpe parlamentar. Ele é muito coerente quando defende exatamente o contrário que nós defendemos”.
João Daniel e Fábio Mitidieri
“João Daniel mostrou que é coerente com seus posicionamentos, com seus princípios, luta e com a democracia. Já Fábio Mitidieri votou, apesar de ser um empresário, a favor da população. Mesmo com a votação definida, vendo que os empresários seriam priorizados e não a população, ele deu uma demonstração de coragem e justiça social. E isso nós estamos reconhecendo publicamente”, comentou a deputada sobre os votos de João Daniel e Mitidieri a favor de Dilma Rousseff.
Jackson Barreto
Ana Lúcia concluiu sua análise fazendo uma crítica sutil ao governador Jackson Barreto. “Os governadores do Maranhão e do Ceará estavam em Brasília (DF) já na sexta-feira (15), tentando convencer a bancada. Eles até conseguiram reverter alguns votos, não a totalidade. Já Jackson Barreto não conseguiu reverter nenhum! O governador disse que não estava fazendo pressão, que estava tentando convencer os deputados. Esse é o modus operandi de Jackson Barreto”.
Goretti Reis I
A deputada estadual Goretti Reis (PMDB), tia do deputado federal Fábio Reis (PMDB), explicou ontem o voto favorável do sobrinho sobre a aceitação da denúncia de crime de responsabilidade contra a presidente Dilma Rousseff (PT). Goretti explicou que Fábio votou seguindo a orientação do PMDB e que conversou com o governador Jackson Barreto (PMDB) antes da votação do domingo.
Goretti Reis II
“Todo mundo sabe do respeito e do carinho que Fábio tem pelo governador Jackson Barreto e pela família dele. Eles têm uma história de amizade juntos e isso vem de muito tempo. Fábio registrou isso, recentemente, no ato de minha filiação no PMDB, na Câmara Municipal de Lagarto”.
Tudo conversado
Em seguida, Goretti assegurou que tudo fora conversado com o governador. “Nada do que aconteceu foi feito em comum acordo com o governador. Fábio se mostrou a disposição de votar contra o impeachment se seu voto fosse necessário para vetar o impedimento. Ele não teria nenhum receio de votar contra a orientação do PMDB. Ele acataria o pedido do governador”.
Boatos
“Quando Fábio Reis foi votar, Pernambuco já havia decidido a votação. Já tinha atingido o número de votos necessários para o impeachment. Aí Fábio decidiu seguir a orientação do partido. Existem muitos boatos, críticas de pessoas que não sabem do contexto do diálogo dele com o governador. Estão tentando queimá-lo, como se tivesse traído a confiança de Jackson Barreto. A nossa relação com ele (JB) continua a mesma, muito boa, sem atritos, sem problemas”, assegurou a deputada.
Vinícius Porto I
O vereador Vinicius Porto (DEM) voltou a fazer a defesa do deputado federal Valadares Filho (PSB), duramente criticado na manhã dessa quarta-feira (20) pelos vereadores Lucas Aribé (PSB) e Lucimara Passos (PCdoB) por ter votado a favor do impedimento da presidente da República, Dilma Rousseff (PT), no último domingo, em votação no plenário da Câmara Federal, em Brasília. “Tirar uma presidente sem motivos, não é democracia. É hipocrisia. Isso é deputado que está ocupando o cargo sem a devida competência (…). Meu Deus do céu, deveria ter vergonha”, esbravejou Lucas, em discurso na tribuna da Câmara.
Vinícius Porto II
“O vereador Lucas Aribé foi líder do PSB por dois anos e, hoje, destila toda a sua ira contra o presidente estadual desse mesmo partido”, lamentou Vinicius Porto, ressaltando que Lucas deve estar querendo sair da agremiação e está buscando motivos para isso. “Quando Lucas diz que os deputados federais que votaram a favor do impeachment não têm preparo, ele está colocando por terra o discurso dos próprios colegas do partido que há três anos apontam Valadares Filho como o maior homem do mundo. E agora ser criticado dessa forma, só porque se posicionou favorável ao impeachment de uma mulher que tem levado o país à falência? Não entendi. Da mesmo modo as pessoas que acompanham a política não devem ter entendido nada”.
CRÍTICAS E SUGESTÕES
