Aracaju, 22 de julho de 2026

Aracaju, 30 de maio de 2026

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Desafio no 2º turno será conquistar votos de “terceiros”!

Finalizada a apuração da eleição municipal em Aracaju, com a confirmação do segundo turno entre Edvaldo Nogueira (PCdoB) e Valadares Filho (PSB), por mais que tratemos como uma nova disputa, não podemos dizer que se trata de uma nova eleição. É um novo processo que não se inicia do “zero”. O candidato do PCdoB teve no 1º turno exatos 1.744 votos a mais que o postulante do PSB. Esta vantagem não pode ser desconsiderada porque dificilmente estes eleitores vão mudar de opinião, ou seja, quem votou em Edvaldo, tende a seguir com ele, da mesma forma para quem votou em Valadares. Qualquer alteração neste universo vai depender apenas do comportamento de ambos durante a campanha a partir de agora.

Por sua vez, o que começa verdadeiramente nessa segunda-feira (3) é a corrida para conquistar os votos dos “terceiros”. O prefeito João Alves Filho (DEM) teve 25.715 votos, Emerson Ferreira (REDE) teve 23.190, Sônia Meire (PSOL) teve 6.436 votos e Vera Lúcia (PSTU) teve 4.278 votos. Com o registro de candidatura ainda indeferido, João Tarantella (PMN) não teve seus votos contabilizados, mas as informações dão conta de que giram em torno de 14 mil. Sem contar que, de um universo de 397.228 eleitores em Aracaju, 14.015 votaram em branco, 54.062 anularam seus votos e 71.646 se abstiveram de votar. Separando os votos dados a Edvaldo e Valadares no 1º turno, temos cerca de 200 mil votos em aberto para o segundo turno.

O primeiro grande desafio para Edvaldo e Valadares Filho é ser convincente no sentido que consigam convencer os 139.723 eleitores que votaram em branco, anularam ou se abstiveram de votar. Essas pessoas já os conheciam de outras eleições e acompanharam suas propostas durante os 45 dias de campanha. Ainda assim não se mobilizaram, não se comoveram, não ficaram estimulados em votar em um dos dois. São pessoas que só ampliam a vasta rejeição à classe política, insatisfeitos com o sistema político, decepcionados com tanta corrupção, com gestões inócuas, que não conseguem transformar, efetivamente, as vidas das pessoas. Este eleitorado dificilmente irá às urnas no próximo dia 30. Há, inclusive, a perspectiva deste número aumentar.

Outro grande desafio para Edvaldo e Valadares é absorver os votos dos eleitores de Sônia Meire e de Vera Lúcia. Estes votos são conhecidos como “ideológicos” e de críticos veementes do sistema político atual, sobretudo, dos dois candidatos. Quem votou em uma das duas candidatas, tende mais a “engrossar o caldo” dos brancos e nulos do que de aderir a uma das duas candidaturas. Por sua vez, os eleitores de João Tarantella representam sim uma parcela significativa do que chamamos em uma campanha de “voto de protesto”. São pessoas insatisfeitas com a classe política, com os governos atuais, mas que preferem não se abster na eleição. Escolheram João Tarantella pela campanha independente que empreendeu, combatendo diretamente os três principais candidatos a prefeito no 1º turno. Talvez ele não se manifeste no segundo turno e os eleitores ou mudem de opinião ou também anulem seus votos.

O que está em jogo, a partir de agora, em especial, são os votos de João Alves e Emerson Ferreira. Por conta do histórico de disputas e pela oposição que faz ao PT, o eleitorado do democrata em quase sua totalidade deverá seguir com Valadares Filho. Esta é a tendência natural. Por sua vez, pela história que construiu como militante do PT, Emerson Ferreira tende a pender mais para Edvaldo Nogueira, sendo que ele deixou a legenda com o discurso de que “o povo está cansado da velha política, sobretudo, os mais jovens”. Sua filiação na REDE se deu por “espaços maiores de construção de um consenso progressista, sem ter que abrir mão daquilo em que acredita”. É uma linha mais ideológica, que pode sucumbir a depender da disputa no 2º turno. Em síntese, temos uma eleição completamente indefinida, a partir de agora, mas já iniciada e com pequena vantagem para Edvaldo. Quem aglutinar mais os “votos alheios” será o novo prefeito de Aracaju…

Veja essa!

35% dos votos na eleição em Aracaju foram anulados, em branco ou fruto de abstenções. É uma parcela gigantesca, um recorde negativo do processo eleitoral, que deve aumentar ainda mais no segundo turno. A relação eleitor/classe política não vai nada bem…

E essa!

Este colunista chama atenção que o problema não está apenas nos políticos de Sergipe. Há um sentimento de descrédito geral da população em todo o País. Isso é reflexo dos bilhões de reais que foram desviados nos mais variados esquemas de corrupção, dentre eles, o Petrolão. O descrédito é fruto da Operação Lava Jato…

Violência

Outro aspecto que chamou a atenção deste colunista foram os registros de violência no interior do Estado. O efetivo policial era pequeno e não tinha como conter tantas demandas. A disputa foi acirrada em vários municípios e as informações dão conta de muita compra de voto, muitas vezes, por até duas candidaturas em determinadas cidades.

João Alves Filho

A “surpresa negativa” da eleição na capital foi a pífia votação do prefeito João Alves Filho (DEM), que buscava a reeleição teve apenas 25.715 votos (9,99% dos votos válidos). Só os vereadores eleitos pela coligação do atual prefeito somaram 28.776 votos. Entre os 40 vereadores mais votados da capital, os que compõem a coligação com João Alves somaram 39.019 votos.

Emerson Ferreira

Com a proposta de “construir uma nova política” quando se filiou ao REDE SUSTENTABILIDADE, o candidato Emerson Ferreira surpreendeu a todos com 23.190 votos, chegando na quarta colocação e muito próximo do atual prefeito João Alves Filho. E mesmo com um pouquíssimo tempo de rádio e televisão.

Câmara Municipal

Uma grande renovação se deu na Câmara Municipal de Aracaju. Dos atuais 24 vereadores, apenas Iran Barbosa (PT), Vinícius Porto (DEM), Lucas Aribé (PSB), Bigode do Santa Maria (PMDB), Anderson de Tuca (PRTB), Manuel Marcos (PSDB), Nitinho (PSD) e Dr. Gonzaga (PMDB) se reelegeram, ou seja, apenas 1/3 continuam com mandato.

Surpresas

Kitty Lima (REDE), Zezinho do Bugio (PTB), Isac (PCdoB), Fábio Meireles (PPS), Palhaço Soneca (PPS) e Américo de Deus (REDE) foram as grandes surpresas da eleição em Aracaju. Os outros 10 eleitos são figuras mais conhecidas da opinião pública, são ex-vereadores como Juvêncio Oliveira (DEM), Evando Franca (PSD), Emília Correa (PEN) e Elber Batalha (PSB).Outros

O Pastor Alves (PRB) foi o candidato da Igreja Universal; o professor Bittencourt (PCdoB) tem tradição na militância de esquerda e já vem bem desde 2012; Seu Marcos (PHS) foi o candidato do atual vereador Dr. Agnaldo (PR); Jason Neto (PDT) é radialista e irmão do prefeito de Socorro, Fábio Henrique (PDT); Thiaguinho Batalha (PMB) é filho do secretário de comunicação da PMA, Carlos Batalha; e Cabo Amintas (PTB) é policial militar, atuante e com participação em coberturas jornalistas de operações policias na televisão.

PT

A decadência do Partido dos Trabalhadores, muito por conta do cenário nacional, também se registrou em Sergipe: dos 75 municípios, o partido reelegeu os prefeitos Chico (Glória) e Pedrinho (São Domingos) e apenas elegeu o prefeito de Macambira, Luciano de Vital.

DEM

O partido começa a dar sinais de recuperação em Sergipe. Apesar da derrota massacrante em Aracaju, os Democratas elegeram seis prefeitos pelo interior: Carmópolis, Cedro de São João, Laranjeiras, Pedra Mole, Rosário do Catete e Ribeirópolis.

PSB

O partido que ainda disputa a prefeitura de Aracaju no segundo turno, já elegeu nove prefeitos em 2016: Arauá, Brejo Grande, Graccho Cardoso, Malhador, Propriá, Salgado, Santo Amaro, São Francisco e Siriri.

PSC

O Partido do senador Eduardo Amorim foi o segundo maior vencedor das eleições municipais elegendo 10 prefeitos e prestes a confirmar mais as prefeituras de Pirambu e Japaratuba. O Grupo venceu ainda em Areia Branca, Carira, Gararu, Ilha das Flores, Lagarto, Malhada dos Bois, Pacatuba, Poço Verde, Santana do São Francisco e Simão Dias.  

PMDB

Por sua vez, o partido que mais venceu eleições foi o PMDB do governador Jackson Barreto. Ao todo foram 15 prefeituras: Barra dos Coqueiros, Frei Paulo, Indiaroba, Itabaianinha, Maruim, Moita Bonita, Nossa Senhora Aparecida, Nossa Senhora das Dores, Pinhão, Riachuelo, Santa Luzia do Itanhy, São Cristóvão, Telha, Tobias Barreto e Umbaúba.

Grande Aracaju

Nos quatro municípios da Grande Aracaju, o governador já conta com três aliados. Em São Cristóvão e na Barra dos Coqueiros, a disputa se concentrou entre dois aliados do governo. Em Nossa Senhora do Socorro, o Padre Inaldo (PCdoB) surpreendeu derrotando Zé Franco (PSDB), que tem tradição nas eleições do município. Agora a eleição em Aracaju tem um peso bastante significativo, onde a oposição concentra forças e que peso determinante para 2018.

Centro-Sul

A dobradinha PSC/PSB elegeu quase todos os prefeitos da região: Salgado, Lagarto, Simão Dias e Poço Verde. Em Riachão do Dantas a prefeita é do PTdoB e também alinhada com a oposição. Por sua vez, o governo venceu apertado em Tobias Barreto e Itabaianinha.

Mudanças

Com o resultado final das eleições no interior do Estado, e com a confirmação das vitórias de Valmir Monteiro (PSC) em Lagarto, Gilson Andrade (PTC) em Estância e do Padre Inaldo em Socorro, muda um pouco a configuração da Assembleia Legislativa: em 1º de janeiro assume os mandatos os suplentes Adelson Barreto Filho (PR), Gilmar Carvalho (PR) e Morito Matos (PROS).

Antônio dos Santos

Caso o candidato Valadares Filho vença a eleição em Aracaju, seu vice, o deputado estadual Antônio dos Santos (PSC), também deixará a AL e quem assume o mandato é o suplente Daniel Fortes (PEN).

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