Servidores do Tribunal de Justiça do Estado de Sergipe (TJSE) realizaram na tarde dessa sexta, 2, um “Bananaço”, no Calçadão da João Pessoa, no Centro de Aracaju. O objetivo foi expor à população benefícios de juízes e cargos em comissão no Poder Judiciário Estadual.
A intervenção faz parte da campanha salarial dos servidores do tribunal que tem como mote “No TJSE é assim: Benefícios para os Juízes e as Sobras para os Trabalhadores”. Com as regalias representadas por bananas e as sobras pelas cascas, os servidores denunciam que a crise prejudica apenas os trabalhadores, enquanto juízes continuam recebendo valores fartos. “Os servidores públicos de Sergipe, inclusive nós do Judiciário, amargam perdas salariais e não têm direito nem ao cumprimento do que está na lei. Mas essa realidade não é a mesma para todos. Para juízes parece que não existe crise, porque os pagamentos continuam fartos e muitos chegam até a ganhar mais do que o teto permitido na lei”, critica o coordenador de Relações Institucionais do Sindijus, Plínio Pugliesi.
Com um grande telão colocado no calçadão, já conhecido como Mamatômetro, o Sindijus expôs alguns dos gastos do TJSE que os servidores desaprovam. Contracheques que ultrapassam R$ 100 mil por mês, gastos de R$ 7 milhões com auxílio moradia, R$ 499 mil com auxílio alimentação retroativo e R$ 18 milhões com Parcela Autônoma de Equivalência são alguns dos valores gastos pelo TJSE com juízes somente neste ano.
O sindicato também mostrou que, no mês de novembro, 93% dos juízes de Sergipe receberam pagamentos acima do teto salarial estabelecido na Constituição Federal, que atualmente é R$ 33,7 mil.
Outra discordância dos servidores apresentada durante a manifestação diz respeito ao fechamento de fóruns. Desde o ano passado, a gestão do TJSE já determinou o fechamento de 25 fóruns no interior do Estado. “O Judiciário já é visto como distante por muitas pessoas. O fechamento dos fóruns é um retrocesso, pois dificulta ainda mais o acesso da população aos serviços judiciais. Não há como concordar que fóruns fechem as portas, quando alguns magistrados recebem, em apenas um mês, valores que muitas pessoas teriam que trabalhar e juntar a vida inteira para atingir essa soma e outras pessoas talvez nunca alcancem essas cifras”, contesta o dirigente do Sindijus.
Por: Aline Braga
