Após a determinação do juiz Marcel Maia Montalvão, da comarca do municipio de Lagarto ter determinado o bloqueio do WhatsApp, o magistrado tem sofrido muitas agressões, inclusive em sua pagina social.
O juiz determinou o bloqueio após reiteradas vezes ter solicitado da administração do WhatsApp, algumas informações, já que está em suas mãos um processo sobre crime de tráfico internacional de drogas e não ter sido atendido.
Nesta segunda-feira, o magistrado mandou bloquear os serviços, e isso acabou gerando muita polêmica, embora muitos não tenham conhecimento do trabalho do juiz no combate ao tráfico de drogas.
Na manhã desta quarta-feira (04), a Folha de São Paulo publica uma longa matéria sobre o assunto. Na mantéria, A Folha diz que ” Juiz de Lagarto ‘ trata igualmente “do presidente da República ao vendedor de picolé’.
Veja o conteúdo da matéria:
Na semana que vem, no dia 12 de maio, o juiz Marcel Maia Montalvão, que está na magistratura desde 2014, completa um ano de atuação na vara criminal de Lagarto, cidade de 102,3 mil habitantes no interior de Sergipe que está construindo seu primeiro shopping center e que viu a população –e a violência– escalarem nos últimos anos.
Montalvão ganhou a alcunha de inimigo número 1 do WhatsApp ao, em março, mandar prender um executivo do Facebook, e agora, ao determinar que 100 milhões de usuários do aplicativo ficassem impedidos de usá-lo. Tudo como forma de pressionar a empresa a liberar informações para investigações sobre uma quadrilha de tráfico de drogas.
Pode parecer uma medida extrema, de alguém que busca os holofotes, mas, segundo advogados, policiais e membros da administração pública com quem a Folha conversou, são traços de um juiz muito empenhado em combater o crime.
“Ele tem perfil bastante contundente, personalidade forte, não mede esforços quando o tema é investigação”, disse Eduardo Maia, presidente da seccional de Lagarto da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil).
Isso talvez explique a obstinação de Montalvão em conseguir a qualquer custo os dados do WhatsApp a respeito da quadrilha de tráfico de drogas investigada pela Polícia Federal e que motivou o bloqueio ao aplicativo. “Ele gosta de produzir mais provas, de deixar processo bem robusto”, afirma Maia.
O combate ao tráfico de se tornou um tema premente em Lagarto, e isso explica um pouco da fama que o juiz obteve na cidade em seu ano de atuação por lá.
Por isso, a imagem de um magistrado “extremamente sério”, “temido”, o “primeiro a chegar e o último a sair”, alguns dos elogios ouvidos pela reportagem, cai bem –mas também o obriga a andar com escolta.
Antes de ganhar projeção nacional por causa do app, Montalvão era conhecido principalmente por combates a crimes locais. No ano passado, mandou prender um ex-deputado acusado de desvio de recursos na Assembleia Legislativa do Estado.
Apesar da fama de durão, no trato pessoal, dizem advogados, trata igualmente “do presidente da República ao vendedor de picolé”.
Em audiências, ele costuma dar lições de vida a meninos infratores, dizendo que o crime não compensa. “Pense na sua mãe, no seu pai, busque trabalho”, costuma dizer ele, segundo relato de um outro advogado.
A matéria na íntegra pode ser vista na Folha de São Paulo, edição desta quarta-feira, 4 de maio
Munir Darrage
