*Paulo Márcio Ramos Cruz
Se existe um consenso entre os operadores de segurança pública de Sergipe, é que o governo Belivaldo Chagas (PSD) conseguiu entrar para a história como o mais autoritário e intransigente no trato com as categorias profissionais e suas respectivas entidades de classe.
Com efeito, desde que tomou posse como governador do estado, em 07 de março de 2018, Belivaldo traçou uma estratégia consistente em estimular o embate entre as corporações, simulando apoio simultâneo a projetos antagônicos, para, ao final, no ápice do tensionamento maquiavelicamente provocado, desvencilhar-se dos compromissos assumidos, sob a justificativa de que só poderia acolher propostas consensuais.
Coincidentemente, em 07 de março de 2022, dia em que completava exatos quatro anos como governador de Sergipe, Belivaldo encerrou unilateralmente as negociações com o Movimento Polícia Unida, pegando de surpresa as categorias e suas lideranças, que se preparavam para uma reunião decisiva na tarde do dia seguinte, na Secretaria de Estado da Segurança Pública.
Ao final de quase dois anos de exaustiva negociação, a periculosidade não veio, a reposição das perdas inflacionárias não veio, a reestruturação das carreiras não veio… Mas não faltaram processos administrativos disciplinares, sindicâncias, inquéritos, enfim, o violento rolo compressor do estado esmagando homens e mulheres traídos e abandonados pelo poder público.
Acontece que a sociedade sergipana, sempre solidária, não ficou indiferente à dor dos milhares de policiais ultrajados. Sentido o peso dessa herança maldita, Fábio Mitidieri (PSD), candidato de Belivaldo ao governo do estado, tentou, sem sucesso, aproximar-se das categorias policiais, oferecendo-lhes tudo aquilo que seu principal aliado negara.
É bem verdade que Fábio atraiu para o seu palanque meia dúzia de figurinhas carimbadas do meio policial, algumas visivelmente constrangidas. Mas ficou apenas nisso. No primeiro turno, a maioria esmagadora dos profissionais de segurança pública dividiu-se entre Valmir de Francisquinho (PL) e Rogério Carvalho (PT), candidatos de oposição. A falta de credibilidade de Belivaldo contaminara a candidatura de Fábio de maneira irreversível.
Selada a aliança entre Valmir e Rogério no segundo turno, é visível a adesão cada vez maior dos policiais à candidatura do petista. Adesão, diga-se de passagem, acompanhada de intensa campanha, dentro e fora da polícia, para consolidar a vitória de Rogério no dia 30 de outubro.
Costuma-se dizer que os policiais são os olhos e ouvidos da sociedade. Mais do que isso, sua quase onipresença, por assim dizer, os converte em uma espécie de caixa de ressonância de tudo aquilo que se fala em cada quadrante do território. E, no momento, ressoa apenas uma notícia nos bastidores da SSP: Rogerio Carvalho já foi escolhido pelo povo como o próximo governador de Sergipe.
*Paulo Márcio Ramos Cruz é Delegado de Polícia e foi candidato a prefeito de Aracaju em 2020
