Por José Firmo*
A disputa pela chão, pelas terras entre Aracaju e São Cristóvão, principalmente na antiga Zona de Expansão, não leva em conta o elemento mais importante: as pessoas.
Em quase três décadas de disputas os dois principais entes públicos que deveriam se preocupar efetivamente com as nossas comunidades, mais teorizam, mais nos enrolam e pouco fazem por nós. Se os trinta anos de amores verbalizados fossem transformados em obras e serviços os bairros Robalo, São José dos Náufragos, Gameleira, Areia Branca, Matapoã e Mosqueiro já deveriam estar um brinco.
Aqui tenho o dever de não personalizar, de não fulanizar, de não nominar gestores, mas sei de memória o nome de todos com quem tratamos dos assuntos. E nem precisaríamos fazê-lo. Eles são pagos pelo povo para isso.
Na esfera do Governo do Estado, estamos há mais ou menos essas três décadas solicitando a construção do novo prédio para o Colégio Paulino Nascimento, no Robalo, que, além de ser pequeno, de apresentar problemas estruturais, tem uma enorme demanda de matrículas reprimidas. Em trinta anos o Governo de Sergipe não poderia ter construído este prédio? Claro que sim!
Ainda na esfera estadual, o trânsito nas duas rodovias da região (rodovia dos Náufragos e Rodovia José Sarney) já mataram e mutilaram incontáveis moradores. Temos registros históricos de pedidos de melhorias que atendessem a nós transeuntes. Ao contrário, sempre que é para beneficiar o trânsito de condomínios, shopping, turistas, os remendos são feitos. E não que não devessem fazer. Mas, para reduzir os transtornos e o perigo para nós, principalmente idosos, deficientes e crianças, quase nada é feito.
Também na esfera estadual, o Governo de Sergipe está à beira de cometer uma injustiça irreparável conosco, moradores nativos e pobres, e com a cultura e com a história mundial. O Memorial dos Náufragos, previsto dentro do Projeto Orla Sul, inicialmente no local onde os naufrágios se deram com maior incidência, em 1944, até agora não foi construído e já se fala que poderá ser deslocado de onde se deram os fatos históricos, aqui no Robalo, para outro bairro distante.
No âmbito do município a “dívida” conosco é bem maior.
Juntando todos estes bairros, a Prefeitura de Aracaju somente construiu uma praça até agora.
Em três décadas, a prefeitura não poderia ter construído áreas de lazer em toda região?
Eu costumo dizer que temos algumas gerações que nunca viram ou nunca verão uma praça. Sem contar que as áreas de lazer naturais, como as prais e os rios, estão sendo desavergonhadamente cercadas para uso de pequenos e privilegiados grupos.
Temos somente três UBS em toda área. Há poucos anos a Prefeitura de Aracaju derrubou o prédio da UBS Niceu Dantas e passou alguns anos para reconstruir. Agora derrubou o prédio da UBS João Bezerra e está refazendo. E as novas UBS em várias áreas “descobertas”, sem atendimento próximo e adequado?
Na área da educação temos sérios problemas de ofertas do ensino de creche e das primeiras séries, com a ausência dos equipamentos públicos. Em três décadas esses problemas já não deveriam ter sido superados?
A escola Maria Carlota, no Bairro São José dos Náufragos, não consegue atender a demanda local há anos. O prédio ainda apresenta a estrutura de escola rural. Não temos escolas e creches municipais na Gameleira e no Matapoã. Em três décadas já não era para termos algumas escolas no enorme bairro São José dos Náufragos e nos demais bairros?
A escola Tênisson Ribeiro, no Bairro Robalo, sequer área para o recreio e quadra esportiva possui. E também já não consegue atender a 100% da demanda local.
E não tem espaço neste singelo texto para falarmos dos problemas na coleta de lixo, da quase ausência de limpeza pública, na ausência de abrigos nos pontos de ônibus, da precariedade das linhas de ônibus, no serviço de cemitérios judicializado.
Desse modo, quando os gestores públicos dizem morrerem de amores pela antiga Zona de Expansão, que isso se reverta em ações concretas.
*José Firmo é Presidente da Associação dos Moradores do Bairro Robalo.
