Aracaju, 13 de abril de 2024

Cannabis medicinal promove amparo a pacientes no tratamento

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Em abril de 2023, a Lei 9.178/23 foi sancionada instituindo a Política Estadual de Cannabis para fins terapêuticos

A epilepsia é uma síndrome neurológica em que o paciente tem várias crises convulsivas não provocadas por algum outro tipo de problema. Suas causas são diversas, e variam muito a cada faixa etária. Nesta terça-feira, 26, é celebrado o Dia Mundial de Conscientização sobre a Epilepsia, e a Secretaria de Estado da Saúde (SES) reforça a importância de abordar essa condição de saúde, além de destacar o uso do canabidiol no tratamento desta doença.

A autônoma Julie Vieira dos Santos tem uma filha de quatro anos com esclerose tuberosa. Ela conta que as crises convulsivas de Maria Francy começaram aos três meses de vida e que somente aos dez meses conseguiu fechar o diagnóstico da síndrome dela. Para Julie, o canabidiol melhorou bastante o cognitivo e o desenvolvimento da criança, assim como o contato visual e interação nas tarefas diárias.

“Muitas pessoas não entendem, mas o efeito do canabidiol é muito bom, principalmente em crianças que têm epilepsia. Eu acreditei no potencial do medicamento pelo seu efeito natural, que tem ajudado bastante a minha filha. É perceptível sua eficiência rápida no desenvolvimento cognitivo, percepção, comportamento e até mesmo na atenção de Maria Francy”, relatou Julie, convicta de que o uso da Cannabis Medicinal foi essencial na melhora do quadro da filha.

Sobre a epilepsia

De acordo com o neurocirurgião do Núcleo de Atendimento em Terapias Especializadas (Nate), Tiago Cavalcante, existem em média 12 mil pacientes com epilepsia no estado. “Dentro dessa média, existe um grupo em que o canabidiol é praticamente um tratamento. Então, o medicamento funciona como uma espécie de anti-inflamatório e permite que um paciente deixe de ter 30 crises convulsivas por dia, para ter uma crise ou duas por semana. É uma mudança de vida imensa para a pessoa e para a família, sendo um avanço para a saúde pública”, explicou o neurocirurgião.

No quesito tratamento, há uma divisão entre dois grupos. “Ele pode ser medicamentoso, adaptado de acordo com o tipo crise, pois existem muitos tipos e a maior parte delas são divididas em generalizadas e focais. Outra parte do tratamento muito importante é a questão do estilo de vida. O paciente com epilepsia deve dormir bem, não fazer ingestão de bebida alcoólica e manter um estilo de vida saudável. Também é necessário o cuidado com os alimentos, principalmente com as dietas cetogênicas, que são um grupo de alimentos em que o açúcar não participa”, pontuou o neurocirurgião.

Dieta cetogênica

No Nate, os pacientes com epilepsia de difícil controle, mais conhecida como fármaco-resistentes, recebem um acompanhamento atencioso e especializado. Segundo a nutricionista neurológica do Nate, Andressa Cavalcante, o núcleo oferece orientações sobre a terapia cetogênica, por meio de uma alimentação controlada, reduzida em carboidratos e rica em gorduras saudáveis.

“O consumo elevado de gorduras vai proporcionar a produção dos corpos cetônicos. Eles trazem controle nas crises convulsivas, permitindo melhorar a qualidade de vida do paciente, oferecendo conforto tanto para ele como para a família, e permitindo um neurodesenvolvimento adequado”, salientou.

Condução de pacientes

Em abril de 2023, o governador Fábio Mitidieri sancionou a Lei 9.178/23, que institui a Política Estadual de Cannabis para fins terapêuticos, medicinais, veterinários e científicos. A nova legislação estabelece o acesso universal e gratuito, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), a tratamentos eficazes de doenças e condições médicas com o uso da planta.

Diante da Política Estadual de Cannabis, o Governo do Estado entregou o Núcleo de Atendimento em Terapias Especializadas, localizado no Ambulatório de Retorno do Hospital de Urgências de Sergipe Governador João Alves Filho (Huse). O espaço tem o intuito de oferecer acompanhamento especializado para a condução terapêutica à base da planta Cannabis Sativa na Rede Estadual de Saúde.

Neste primeiro protocolo clínico, os pacientes beneficiados com produtos de Cannabis são aqueles com epilepsia refratária que se encaixam em doenças específicas como síndrome de Dravet, síndrome de Lennox–Gastaut (SLG) e Complexo Esclerose Tuberosa (CET).

Acesso ao Nate

Para ter acesso aos produtos de Cannabis padronizados na Rede de Atenção à Saúde de Sergipe, os pacientes devem realizar o cadastro no Nate e no Centro de Atenção à Saúde de Sergipe (Case); apresentar todos os documentos exigidos nos Protocolos Clínicos e agendar consulta para orientações sobre o uso. Porém, a condução clínica/assistencial dos pacientes continuará sendo realizada pelo médico encaminhador. Vale ressaltar que os documentos necessários para o agendamento no Nate estão disponíveis no site: https://saude.se.gov.br/uso-medicinal-da-cannabis/ .

Foto: Flávia Pacheco

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