Aracaju, 18 de julho de 2024
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Cartas e telegramas jogadas para os peixes do Rio Sergipe

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Por Adiberto de Souza *

Udenista de carteirinha, o segurança aposentado do Senado, Cosme Fateira, nunca negou ter “afogado” centenas e centenas de cartas e telegramas no Rio Sergipe, que margeia Aracaju. Foi na década de 60, quando ele era um dos poucos carteiros da capital sergipana. Naquela época, o número de correspondências que chegava à cidade não era tão grande e Cosme conhecia o perfil político de praticamente todos os destinatários. Quando foi vereador, Fateira propôs a concessão um título de cidadão aracajuano para o urubu. Mas essa é outra história!

A, travessura do carteiro politizado era conhecida na cidade: quando a carta estava endereçada a um filiado ou simpatizante do PSD, o udenista funcionário dos Correios não perdia tempo em se deslocar até o endereço do destinatário para entregá-la, preferindo jogá-la nas águas turvas no rio. Aliás, o próprio Cosme brinca dizendo que, pelo volume de cartas e telegramas arremessado no estuário do Sergipe, é bem capaz que alguns peixes tenham aprendido a ler.

Fateira se defende dizendo que ele não era o único que ‘naufragava’ as correspondências: “A turma do PSD fazia a mesma coisa com as cartas endereçadas ao pessoal da UDN”, denuncia. Falastrão, Cosme jura, de pés juntos, que o ex-governador Jackson Barreto era um dos carteiros pessedistas que não pensava duas vezes para “afogar” as missivas destinadas aos udenistas. JB, claro, jamais confessou ter jogado cartas e telegramas para os peixes do Rio Sergipe. Crendeuspai!

* É editor do site Destaquenoticias

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