Aracaju, 30 de novembro de 2023

O Brasil não pode ter a cara da miséria, escreve Ronildo Almeida

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Ronildo Almeida-UGT-fecomse-ok

*Ronildo Almeida

Após os recentes anos de um projeto de exclusão da classe trabalhadora e dos mais pobres, o Brasil começa a vivenciar um novo momento social e econômico, no qual a inclusão dessa fatia da população – maioria, por sinal – nas discussões e nas políticas públicas passa a ser uma realidade.

Por certo, ainda existem vícios, ranços e benesses coloniais – aprofundados nos últimos anos – e um sentimento gritante de servidão que precisam ser rompidos para que um projeto libertador seja consolidado, mas já é possível dizer: retomamos a caminhada.

É só observar os avanços sociais e econômicos nestes primeiros meses de um governo popular. Queda da inflação, da cesta básica e do desemprego; programas sociais retomados, como o Mais Médicos, e ampliados, como o Bolsa Família; protagonismo do Brasil no cenário internacional; agenda ambiental como pauta prioritária e valorização da democracia são alguns exemplos que podem ser apontados.

Sem falar que, nas esferas parlamentar e institucional, continua a forte disputa de projetos, como no caso do Banco Central, com a insistência de manter os juros mais altos mundialmente – o que acaba inviabilizando ainda mais avanços no mercado de trabalho e no ambiente de negócios – e que agora, como o anúncio de um queda de 0,5% ocorrida este mês, vê-se uma pequena vitória do Governo Federal na busca por efetivar as propostas de inclusão social apresentadas durante o processo eleitoral vitorioso.

Ou seja, os reflexos da total destruição do papel do Estado como força impulsionadora do crescimento econômico e social trarão mazelas por um bom tempo ainda. No entanto, apesar desse contexto, um fato é claro: o pobre voltou a fazer parte do orçamento do Governo Federal.

E a classe trabalhadora volta, ainda que de maneira tímida, a ser compreendida como força social indispensável para o crescimento econômico do país. São os trabalhadores e as trabalhadoras que movimentam a economia, e, portanto, são peça-chave no atual projeto de desenvolvimento socialmente responsável.

Todos nós estamos na expectativa de um entendimento entre o Governo Federal e o Congresso Nacional voltado para a estabilização do país, com paz, respeito e avanços para toda a sociedade brasileira, em especial, para os trabalhadores e as trabalhadoras.

A ordem social ainda se mantém inabalável na desigual relação entre patronato e trabalhador, capital x trabalho, é importante destacar. Mas é fundamental construir um processo de negociação no qual a classe trabalhadora possa recuperar uma condição digna de vida, com respeito às pautas financeiras e melhorias trabalhistas das categorias.

O Brasil não pode ter a cara da miséria, da fome, da enganação, do desemprego, da retirada de direitos, da desestabilidade da economia, da falta de condições de sobrevivência dos trabalhadores e dos mais pobres.

Nesse sentido, a classe trabalhadora – base da pirâmide na produção da riqueza e na movimentação da economia – precisa ser vista, respeitada e ouvida nas suas reivindicações.

As dificuldades apresentadas pelo patronato como desculpa para retirar direitos e negar avanços sociais aos trabalhadores e às trabalhadoras não podem ser aceitas com verdade absoluta, visto que os únicos prejudicados são aqueles que, com a força do trabalho, constroem esta nação.

As relações sociais e trabalhistas baseadas na insegurança, na fragilidade e na usurpação de direitos e de condições de vida precisam estar fora do projeto de desenvolvimento atualmente em construção. Um novo modelo de sociedade foi escolhido democraticamente pelo povo brasileiro nas últimas eleições – este foi o claro recado dado pela população com a vitória de um governo popular. O momento histórico nos chama a continuar mobilizados, atentos e fortes. Vamos à luta!

*É presidente da Federação dos Empregados no Comércio e Serviços do Estado de Sergipe – Fecomse – e da União Geral dos Trabalhadores em Sergipe – UGT-SE.

Foto: Lucas Matos

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