Aracaju, 26 de fevereiro de 2024

O carnaval no país de Jorge Amado, escreve Acrísio Gonçalves

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Acrísio Gonçalves de Oliveira (*)

À memória dos carnavalescos estancianos.

Conforme o livro Estância Secular, o primeiro carnaval moderno estanciano aconteceu em 1905. Um feito. Verdadeira apoteose na cidade. Desde então, o carnaval passou a ser uma das prediletas festas estancianas. Daí surgiriam os clubes, os blocos e, mais tarde, as escolas de samba. Nesse momento, voltaremos nossos olhares para os anos 30, mais precisamente o final dessa década.

Era 1939. Nesse começo de ano, a presença de Jorge Amado fazia a cidade de Estância pulsar com bastante força suas expressões culturais, a exemplo do carnaval que teria “excedido as expectativas”. Algo que a imprensa diria ter sido a mais encantadora festa carnavalesca já realizada.

A folia viria das diversas localidades da cidade, como da Cachoeira, que trouxe o grupo “A.E.I.O.Urca”, apresentando foliões de diversos clubes. Ao passo que no centro já desfilava o grupo das “Chofer de Fogão”, produção de Carlos Mattos, um “criativo” artista e “espirituoso” folião que Estância possuía. O tal Chofer de Cozinha foi praticamente uma apresentação teatral em movimento pelas ruas. Um grupo bem alegre que enchia a avenida com “gozadas exibições carnavalescas”. Também por ali já se encontravam os conjuntos “Escola da Professora Florisbela” e “Em procura do Monstro”.

A eufórica agitação teria começado às 15 horas, quando “Os Batutas da Lira”, classificado como o melhor cordão da cidade, se encaminhou para a Rua da Miranga, com o intuito de se integrar ao Carro chefe “Gente Nossa”. Por ali também já estavam presentes os blocos do “Denguinha” e das “Moreninhas”, que, sambando, encantavam a quem assistia.

Muito do que era apresentado no carnaval estanciano vinha da direta inspiração do carnaval carioca, já que o Rio de Janeiro, além de ser a capital do País, era especialista no ramo, tanto na produção musical, quanto na criação de blocos carnavalescos, de carros alegóricos… Ao menos nesse ano 1939, duas famosas marchinhas deram nomes aos blocos estancianos: “O teu cabelo não nega” e “A Jardineira”. A primeira se tornou um bloco por iniciativa de Adolfo Amado, um carnavalesco respeitado, que com esse cordão vinha trazendo calor em seus sambas. “O teu cabelo não nega” foi uma composição de Lamartine Babo e dos irmãos Valença, de 1931. A música, que continuava na boca do povo, fez aumentar “as fileiras de foliões”. Já “A Jardineira”, de 1938, composição de Humberto Porto e Benedito Lacerda, também foi sucesso no Rio e no Brasil todo.

Estância, ambiente de muitas fábricas, fato que a tornou também conhecida como cidade proletária, fez com que os estancianos trouxessem para a avenida o carro alegórico intitulado “Alegrias proletárias”, então apontado como “um verdadeiro conjunto artístico”.

Poderia o leitor querer saber onde se encontrava Jorge Amado nesse ínterim. Bem, esse se encontrava no meio da multidão. Mais adiante vamos entender um pouco a frase que Jorge Amado certa vez dissera sobre a cidade ao rememorar o passado de Estância. Ele afirmou ter chegado “triste e cansado” e ela lhe deu “paz e alegria”. (Continua)

(*) Pesquisador, professor do Estado e da Rede Pública de Estância

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