Realizada pelo Governo de Sergipe, por meio da Fundação de Cultura e Arte Aperipê de Sergipe (Funcap), a Vila do Forró reúne elementos que ajudam a contar histórias sobre a formação cultural do estado. Nesse percurso, a Casa de Taipa se destaca por despertar memórias em quem reconhece os objetos e os ambientes apresentados, ao mesmo tempo em que aproxima novas gerações e turistas de uma realidade muitas vezes conhecida apenas por relatos familiares, livros, fotografias e produções audiovisuais.
A taipa é uma técnica construtiva antiga que permanece presente em áreas rurais do Nordeste. A estrutura utiliza pilares e tramas de madeira preenchidas com barro, em um processo manual também conhecido como pau a pique ou taipa de sebe. As varas são fixadas para dar sustentação às paredes e recebem camadas de barro, que secam ao sol até que as frestas sejam preenchidas.
Trata-se de uma ambientação que reproduz uma moradia sertaneja tradicional e convida o público a conhecer objetos, hábitos e modos de vida que fizeram e ainda fazem parte da realidade de muitas famílias nordestinas. A instalação é apresentada como memória, registro cultural e ponto de partida para reflexões sobre as diferentes realidades do Nordeste.
Memória em cada detalhe
Do lado de fora, as paredes em tonalidade terrosa, as pequenas janelas, os bancos de madeira e uma gaiola pendurada ajudam a compor a aparência de uma casa simples do interior. No ambiente interno, os cômodos foram organizados com objetos que remetem ao cotidiano sertanejo.
A cozinha reúne fogão a lenha, panelas, potes de barro, cuscuzeira, milho e cuscuz sobre a mesa. Em outros espaços, o público encontra lamparinas, rádio, máquina de costura, cadeira de balanço, cama com colcha de retalhos, mosquiteiro e o penico colocado sob a cama. Um pequeno oratório com santos, terços e velas representa a presença da religiosidade popular no cotidiano de muitas famílias.
A disposição dos objetos permite que o visitante percorra o cenário imaginando quem preparava a comida no fogão, ouvia o rádio na cadeira de balanço, costurava as roupas da família ou se reunia em torno da mesa. O espaço mostra como a vida cotidiana também foi construída com criatividade, trabalho, convivência familiar e saberes transmitidos entre gerações.
Público aprova
Vindos de Salvador, Márcia Negrão e Nilson observaram os detalhes da casa com atenção. Sem ter conhecido pessoalmente uma moradia desse tipo, Márcia encontrou no espaço uma oportunidade de contato com costumes nordestinos. “Nunca tive contato com casinha de taipa, estou vendo aqui pela primeira vez. É muito bonita, bem criativa, bem decorada. A religiosidade está bem exposta, a comida, a fartura na mesa, as fotografias, uma tradição bem nordestina e recriada aqui com uma precisão bem caprichada. Já conhecia a Vila e sempre faço questão de passar por aqui”, disse.
Também da capital baiana, Silda Santos destacou como o espaço pode despertar lembranças em quem viveu essa realidade e apresentar esse modo de vida a quem não o conheceu. “Achei tudo de bom. Relembrar o passado pela casinha de taipa é também uma inovação, porque muitas pessoas conheceram e viveram essa realidade e outras puderam conhecer. Está tudo maravilhoso. Viemos de Salvador para conhecer o forró daqui e estou tirando muitas fotos, principalmente da casinha”, contou.
A turista Damiana Palma chamou a atenção para os pequenos objetos que ajudam a construir a narrativa da casa. “É uma representação muito forte. A cama com o penico embaixo, os objetos de banheiro improvisado, essas coisinhas pequenas fazem a diferença e fazem a gente se reconhecer. A casa é bem representativa e traz de volta muita coisa que a gente ouviu dos mais velhos”, avaliou.
Ao lado dela, o marido Antônio Jorge reconheceu no cenário elementos que fizeram parte de construções com as quais teve contato. “Quem conhece mesmo sabe que é desse jeito, com esses elementos e esse estilo. Já tive muito contato com essas construções e é bom poder rever tudo isso aqui”, afirmou.
Moradora da Barra dos Coqueiros, Cristina Lorenzo voltou à Casa de Taipa depois de conhecê-la em outra edição da Vila do Forró. Para ela, a ambientação aproxima diferentes tempos e realidades. “É muito interessante trazer essa experiência para cá, porque fala da nossa história. Eu nunca vivi em casa de taipa, só conhecia de relatos e da televisão. Ver assim, montada, ajuda a entender melhor o que muita gente ainda vive hoje. É como estar entre dois mundos, o que a gente vive agora e algo que parece antigo, mas continua presente na vida de outras pessoas”, refletiu.
Maior São João à beira-mar do país
O Arraiá do Povo e a Vila do Forró são uma realização do Governo de Sergipe, por meio da Fundação de Cultura e Arte Aperipê de Sergipe (Funcap), Banese Card e Ministério da Cultura, por intermédio da Lei Rouanet, com patrocínio da Eneva, Maratá, Celi, Rede Primavera, Iguá Sergipe, Deso, Pisolar, GBarbosa e Banco do Nordeste, com apoio da Energisa, Netiz, Sergas, Telequipe e Shopping Jardins.
Foto: Erick O’Hara
