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“Eu vejo o presente repetir o passado!”, escreve o Professor Jossimário Mick

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*Professor Jossimário Mick

Não é novidade para ninguém que as pesquisas para o Senado em Sergipe sempre apresentaram distorções históricas daquelas apuradas nas urnas. Em 2018, por exemplo, Alessandro Vieira e Henri Clay não ultrapassavam duas cifras em todo o período de campanha, enquanto Valadares Pai era sempre o “favorito” dessas pesquisas. Resultado: Alessandro teve uma votação histórica e Henri Clay 110 mil votos, sendo o segundo mais bem votado em Aracaju. Qualquer leigo que acompanhe de perto a política eleitoral em Sergipe sabe que o resultado da candidatura ao Senado se define na última semana antes da votação. Seu cenário sempre foi muito incerto em todo período de campanha.

Em 2022, o mesmo cenário se repete, agora, com o Filho. Pois bem, chegamos na reta final desse processo em primeiro turno que decidirá, desta vez, quem ocupará a ALESE, a Câmara Federal e o Senado, quiçá a Presidência e o Governo de Estado. Uma convergência há em todas essas pesquisas: as espontâneas apontam 70% dos eleitores sem candidato ao Senado.

Nas ruas, entre os militantes da esquerda, do PT e do próprio PSB, ouvimos depoimentos de quem diz não votar em Valadares Filho, tanto pela sua trajetória de contradições, quanto ao oportunismo político, segundo suas bases. De fato, o Pai ocupou aquela casa por durante 24 anos em seus três mandatos como senador e agora o Filho busca mais 8 anos no Senado para formar uma dinastia de 32 anos de poder.

A trajetória política dos Valadares é de fato, recheada de contradições. Desde 1966 quando o pai ocupou o cargo de prefeito de sua cidade pela ARENA, partido que dava sustentação ao Golpe Militar. Depois, passou a deputado estadual, deputado federal, vice-governador, governador até chegar ao Senado.

Quem nunca trabalhou, quem nunca teve sequer perdido a “virgindade” de sua carteira de trabalho (se é que a tem) e usa a política como uma profissão e meio de sobrevivência, não tem autoridade para falar em geração de emprego que é a maior carência da nossa população, em particular, da nossa juventude.

A história não perdoa ninguém e ela [a história] jamais poderá ser apagada ou reescrita. Valadares Filho passou 12 anos como deputado federal e nunca apresentou grandes projetos para a educação, saúde ou segurança. Em 2016 protagonizou por Sergipe o golpe que retirou a presidenta Dilma e o PT do poder. Golpe esse que culminou no caos por que passa nosso país, com o fortalecimento do fascismo que trouxe o atual presidente ao poder.

A troco de que Valadares Filho votou pelo impeachiment  do PT? Segundo o próprio André Moura, em troca da indicação nacional presidência da CODEVASF. E aqui faço uma pausa para dizer do sofrimento do povo sertanejo que vivem às margens do Rio São Francisco e mendigam por carros pipas para terem água. A CODEVASF que há anos estive nas mãos dos Valadares fez da água um “comércio eleitoral” humilhante porque suas águas são capazes de matar a sede de quem vive lá no Ceará, mas não abastecem seus ribeirinhos. Os Valadares têm responsabilidade sobre isso já que o orçamento bilionário anual daquela Companhia sempre foi das maiores do Brasil. Nas mãos deles, o problema da água poderia ter sido solucionado, nossos sertanejos terem seu sofrimento amenizado ante a seca que devasta a região.

Não conseguiremos avançar com políticas públicas e sociais com os mesmos nomes que há décadas ocupam o espaço de poder. Acreditamos em Henri Clay como uma alternativa para o Senado. Advogado que atua há 30 anos em defesa da trabalhadora e do trabalhador; foi por três mandatos presidente da OAB em Sergipe e de uma trajetória política e de vida coerente.

Estamos já na reta final. As pesquisas mais uma vez  apresentando um favoritismo de candidaturas  que não serão confirmadas  nas urnas no domingo, dia 02. Sempre foi assim. Temos muitos motivos para não tomar nossa decisão com base nesses números. Votar baseado em pesquisa é ver o presente repetir o passado. Vamos virar voto e levar Henri Clay para o Senado!

*Professor Jossimário Mick, servidor público e militante político.

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