Aracaju, 27 de janeiro de 2022

A CÂMARA VENCE O GOVERNO

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Diógenes Brayner – [email protected]

O Governo perdeu na Câmara Federal. O processo de impeachment da presidente Dilma tem prosseguimento no Senado. A oposição só contabilizou com certeza o número dos votos que aprovaria o impeachment na Câmara sexta-feira passada. Na contagem feita pela Comissão que Coordenava o processo e cuidava de manter os deputados contra, a vitória seria por 373 votos.

Errou por seis votos, que bateria se não houvesse abstenções nem faltas.

As pedaladas fiscais cometidas por Dilma Rousseff em 2015 eram o argumento jurídico do processo que provocou o impeachment. Mas, mesmo na votação de ontem, pouco se falou sobre isso. Os deputados justificaram seus votos levando em consideração atos de corrupção, prisões de aliados da presidente e do ex-presidente Lula, além da crise política e econômica que afeta o País.

O povo na realidade serviu de massa de manobra, mesmo que os parlamentares – além de dedicarem aos filhos, mulheres, netos e outros familiares – os seus votos, citavam o desemprego, a inflação e a corrupção como principais causas de suas posições.

Sabe-se, entretanto, que os deputados de todos os partidos têm queixas de Dilma Rousseff, pelo tratamento que a presidente lhes dispensava tanto em termos de cargos, quanto de atendimento a pleitos, principalmente a liberação de verbas. Há essa queixa dos deputados, que pretendem um presidente que tenha projeto político que inclua a Câmara Federal e que não os receba apenas quando está com problemas de sobrevivência, como aconteceu agora com o processo de impeachment.

Ontem, segundo revelou a analista política Cristiana Lobo, o porta-voz do Governo, José Eduardo Cardozo [advogado geral da União] disse que o Planalto recebeu a decisão da Câmara sobre impeachment de Dilma com “indignação e tristeza”. Claro que não poderia comemorar, porque a continuidade foi um golpe forte numa administração que rasteja pela incompetência política e administrativa.

Cristiana explica que o afastamento do presidente é por até 180 dias. Se o prazo for usado, a presidente do STF será Carmen Lúcia, assume o cargo em setembro. A sessão do Senado para julgamento do presidente da República é presidida pelo presidente do STF.

Com maioria simples, o Senado autoriza o afastamento da presidente; com um terço dos votos, barra a cassação no julgamento. A luta do governo, agora, é obter o apoio de um terço do Senado, ou seja, 27% dos votos e mais um. Até aqui, tem garantia de 22 votos. O governo teve 137 votos na Câmara, ou 27% dos votos. Índice baixíssimo para o governo se sustentar e qualquer situação.

Ontem, entretanto, começou a surgir as primeiras conversas para eleições gerais ainda este ano. O que, para o Governo, seria uma esperança de eleger seu sucessor.

SILVIO

Silvio Santos (PT) deixa a Presidência do Ibama em Sergipe, cargo para o qual fora nomeado pela cota do seu partido. Em seu lugar assume Genival Nunes, que foi secretário do Meio Ambiente e também dirigiu o Ibama.

A posse está marcada para segunda-feira.

LIGAÇÕES

O ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT) ligou para Jackson Barreto ontem e pediu que ele fosse a Brasília. A mesma coisa fez Jaques Wagner, da Casa Civil.

Compromissos no interior impediram a viagem do governador.

JONY

O deputado federal Jony Marcos (PRB) não resistiu aos encantos de Michel Temer. Esteve com ele no Jaburu, levado pelo deputado federal André Moura (PSC).

Além disso, seu partido aprova o impeachment.

INTERVENÇÃO

Durante conversa com Temer, o deputado Jony Marcos disse que circulava informação em Sergipe de que o Diretório Nacional do PMDB interviria em Sergipe.

Sem querer, Temer pôs o dedo na ferida.

TELEFONEMA

Em razão dessa informação de Jony, Michel Temer teria ligado para Jackson Barreto, negando qualquer possibilidade de intervenção no PMDB de Sergipe.

Temer inclusive fez elogios à postura democrática de Jackson Barreto.

ANTES

Dias antes de se decidir pelo impeachment, Jony Marcos havia decidido votar contra o impeachment, depois de uma audiência com Dilma Rousseff.

Mas, entre uma visita e outra, o seu partido resolveu votar contra o Governo.

ANIMADO

O governador Jackson Barreto (PMDB) ficou muito contente com um levantamento recente, que melhorou muito a avaliação do seu Governo.

Houve uma redução de quase 50% no item rejeição.

FÁBIO

Fábio Reis (PMDB) continua declarando que está indeciso, mas correligionários seus em Sergipe acham que essa dúvida não caberia em razão do apoio que tem de Jackson.

JB já teria dito que Fábio é seu candidato a deputado federal em 2018.

ADELSON

O deputado Adelson Barreto (PR) também ficou vislumbrado com a conversa que teve com Michel Temer e a sua dúvida foi para o ar. Vota pelo impeachment.

Alega como causa uma pesquisa feita por seus leitores.

ANDRÉ MOURA

O deputado federal André Moura (PSC) disse que o Governo, além de oferecer cargos em troca do voto contra, também estaria oferecendo vantagens aos deputados.

– Mesmo assim ainda não tem número para barrar o impeachment.

POSIÇÃO

Sergipe é ponto estratégico para quem ainda esteja indeciso. Será o penúltimo Estado a votar e já se tem noção de quem ganha ou não a batalha do Impeachment.

O voto do indeciso será dado a quem estiver ganhando, contra ou a favor do processo.

LUCIANO

O deputado Luciano Bispo (PMDB) não perdeu o mandato, como foi divulgado ontem de forma equivocada, o processo que tramita em Brasília é de quando ele era prefeito.

Luciano apenas vai pagar a multa estipulada pela ministra.

ASSESSORIA

Segundo a assessoria de Luciano Bispo, ela tinha sido condenado ao pagamento de multa e recorreu do processo e não conseguiu extingui-la.

– O mandato que estava em discussão era o de prefeito de Itabaiana.

JACKSON

Apesar da esperança do ex-prefeito Edvaldo Nogueira (PCdoB) ser o indicado de Jackson Barreto para disputar a Prefeitura de Aracaju, o nome certo será o de Zezinho

É que o diretório do PMDB fechou questão em torno do seu nome.

VERDADE

É absoluta verdade que Edvaldo Nogueira aparece bem em todas as pesquisas, mas o nome de Zezinho (PMDB) passou a ser exigência do partido.

Edvaldo terá de recorrer a outra aliança.

BETINHO

O précandidato a prefeito de Socorro, Zé Franco (PSDB), convidou o vereador Betinho (PMDB) para ser seu vice na disputa pela Prefeitura do município.

Betinho é muito ligado ao governador Jackson Barreto.

EXPECTATIVA

O deputado Laércio Oliveira (SDD) disse, ontem, que está otimista mas não tranquilo e nem parado, porque toda disputa é acirrada. Laércio vota pelo impeachment.

Tem que ficar atento até o último voto, disse.

MITIDIERI

O deputado Luiz Mitidieri está bem cotado entre todos os segmentos de esquerda, em razão da posição que adotou em favor de Dilma.

Ainda ontem ele foi tentado a mudar de opinião, mas manteve sua posição.

CLÓVIS

O presidente regional do PPS, Clóvis Silveira, disse que não precisa ser vidente para prevê que “Dilma e levar Eduardo Cunha e Temer”.

A Justiça vai pegar Aécio e mais uma centena…

SEGURANÇA

O secretário da Segurança, João Batista, disse que a polícia está de prontidão. E admite que é apenas por precação como acontece em todos os eventos.

Os grupos vão se aglomerar na Atalaia e na 13 de Julho.

CONDIÇÕES

Segundo João Batista, o objetivo da Polícia é acompanhar as manifestação, seguindo orientação do governador Jackson Barreto, de da condições a todas as tendências.

Admite que está tudo projetado e espera que haja tranquilidade.

PICHAÇÃO

Sede do PSDB amanheceu pichada ontem com palavras de ordem contra impeachment e a frase “não vai haver golpes”. Pintaram as paredes e a placa de crílico.

O prédio do PSDB foi pintado recentemente.

Notas

Está certo – O juiz federal Sérgio Moro, que conduz os processos em primeira instância da Operação Lava Jato, disse ontem, em Curitiba, que tirar a presidente Dilma Rousseff (PT) do poder não é a solução para o país. A declaração do deputado ocorreu em palestra na Associação Médica do Estado.

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Recua – A presidenta Dilma Rousseff cancelou o pronunciamento que faria hoje à noite, em cadeia nacional de rádio e televisão, depois que o Solidariedade anunciou que entraria com ação para impedir a transmissão, alegando desvio de finalidade no uso da prerrogativa presidencial de convocar a rede para falar à nação.

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Expulsão – O Partido Progressista decidiu ontem punir até com expulsão os deputados que votarem contra o impeachment de Dilma Rousseff. A determinação atinge em cheio o vice-presidente da Câmara, deputado Waldir Maranhão (MA), que declarou em vídeo gravado que vai votar contra o afastamento da presidente.

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Greve geral – João Pedro Stédile, integrante da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra fez um duro discurso contra o processo de impeachment e propôs uma greve geral no País antes de o impeachment ser votado no Senado, caso ele passe pela Câmara no próximo domingo.

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Burguesia – João Pedro Stèdile, que já declarou condições de promover uma batalha armada no País, disse que “se o impeachment for para o Senado, antes dele ser debatido lá, temos de fazer um dia de greve nacional nesse País para mostrar para a burguesia que quem produz a riqueza são os trabalhadores”, afirmou.

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Matéria – O  “The New York Times” publica extensa reportagem na edição de ontem em que destaca que o processo de impeachment contra a presidente da República, Dilma Rousseff, está sendo liderado por políticos que enfrentam uma série de acusações como corrupção, fraude eleitoral e até abusos de direitos humanos.

Conversando

Votação – Domingo haverá manifestações em Aracaju para a votação do impeachment. Os contra vão se concentrar na Atalaia, os favoráveis ficarão na 13 de Julho.

Objetivo – O Movimento Sem Terras (MST) está fazendo um trabalho de interdição das rodovias, com o objetivo de intimidar.

Contra – A impressão é que nesses momentos de tensão, interditar rodovia depõe contra quem o MST defende, porque isso chega aos deputados.

Admite – Segundo Miriam Leitão, José Eduardo Cardozo admite erros do governo, mas nega que houve crimes de responsabilidade.

Pena – Fernando Negrão: Tô com pena do vice-presidente Temer. Qualquer que seja o resultado da votação no domingo, a vida dele será um inferno à partir de segunda.

Parar – A CUT também está propagando que o Brasil vai parar se houver impeachment. Em nome de um “golpe”, fere-se a democracia.

Daniel – O deputado federal João Daniel afirma, em entrevista que “quem vai vencer não é a presidente Dilma, é a democracia”.

Rebelião – Nas ruas, contra o golpe diz: Se Temer/Cunha derem golpe, única saída será a rebelião – diante de um governo ilegal.

Sombras – Silvio Santos ‏(PT) cita frase de Lula: “quem trai compromisso selado nas urnas, não vai sustentar acordos feitos nas sombras”.

 

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