Aracaju, 27 de janeiro de 2022

UMA SESSÃO SEM DECORO

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DIÓGENES BRAYNER[email protected]

A sessão histórica da aprovação do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff foi simplesmente ridícula. Claro com as devidas e honrosas exceções. Uma peça que não seria encenada nem em palco de circo mambembe – com todo respeito aos artistas circense. Um desfile lamentável de pieguices e de coisas miúdas, que não condizia com a importância do processo em votação.

Foi uma sessão com pouco decorro.

Parlamentares que nunca apareceram nas câmeras de TV, se não as da própria Câmara, foram paramentados. Mal paramentados. Embrulhavam-se em bandeiras, roupas e panos para declarar “sim” ou “não” ao impeachment de Dilma Rousseff, quando o momento pedia seriedade, o paletó e gravata que pede o regimento e muito mais seriedade. Uma ópera bufa.

Sem argumento e sem discutir as razões da abertura do processo ou sem se referir a pontos de vistas aceitáveis, passaram a dedicar votos aos antepassados, aos filhos, à mulher, à neta. Todos esqueceram a sogra, peça importante neste cenário. O fato carecia de maior serenidade e estilo.

A professora Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa escreveu um artigo que leva um pouco a isso. Sob o título “Precisamos nos benzer…”, ela diz em um dos trecho que Está provado que ninguém conhece o regimento da Câmara melhor do que Cunha. Sua ação está sendo perfeita como Presidente da Casa do Povo.

Isso o absolve de seus malfeitos? Claro que não.

Pois se ele fosse um homem ilibado, diante de sua firmeza, postura e capacidade no decorrer dessa seção longa e dolorosa, concluo que Eduardo Cunha seria um bom presidente de República.

O Brasil não tem dado sorte… Isso só pode ser brincadeira de mal gosto.

FÁBIO REIS

O deputado federal Fábio Reis (PMDB) estava decidido a vota pelo impeachment desde quando conversou com Michel Temer no Palácio do Jaburu.

Enquanto não conversou com Jackson Barreto, ele se declarou em dúvida.

CONVERSA

Só depois de conversar com Jackson, domingo pela manhã, foi que Fábio revelou sua intenção de votar contra o impeachment, pelo compromisso assumido com Temer.

A princípio Jackson não gostou, mas cedeu aos argumentos.

JERÔNIMO

No sábado passado, o ex-prefeito de Lagarto, Jerônimo Reis (PMDB), conversou com Jackson Barreto sobre a posição de Fábio Reis e a decisão do seu voto.

Jackson assimilou as razões e se mantém aliado dos Reis em Lagarto.

COM JONY

Em Brasília, o governador Jackson Barreto também conversou com o deputado Jony Marcos (PRB), para que ele votasse contra o impeachment.

Jony disse que sua posição inicial era contra, mas com a decisão do partido votou sim.

COM TEMER

Jony Marcos também esteve com Michel Temer, no Jaburu, e disse-lhe que Jackson estava constrangido porque um grupo político de Sergipe queria tomar o PMDB.

Ao ouvir isso, Temer ligou para Jackson e desfez os boatos.

INSULTOS

Três deputados de Sergipe que votaram pelo impeachment, em pleno vôo de Brasília a Aracaju, foram insultados por três pessoas que também estavam abordo.

– Fascistas, vamos pegar vocês nas urnas, disseram.

APLAUSOS

Depois dos insultos, os três deputados foram aplaudidos pelo restante da tripulação e desceram da aeronave aliviados.

Esse tem sido o clima em Sergipe e no restante do País.

SENADORES

Em termos de impeachment do Senado, os três senadores de Sergipe votam iguais pelo afastamento da presidente Dilma do Governo.

São eles: Ricardo Franco (DEM), Eduardo Amorim (PSC) e Valadares (PSB).

INALDO

Em Socorro o précandidato a prefeito Padre Inaldo (PCdoB) disse ontem que o projeto do grupo é ficar ele e o ex-prefeito José Franco (PSDB) no mesmo bloco.

Zé Franco só vai definir sua posição em junho.

BALANÇA

Na balança que pesa os précandidatos, Padre Inaldo está com 100 quilos, enquanto Klewerton Siqueira (PDT) está pesando apenas cinco quilos.

Inaldo diz que tem a simpatia de Jackson Barreto para sua candidatura.

EDVALDO

O ex-prefeito Edvaldo Nogueira (PCdoB) tem convicção que o candidato a prefeito do grupo será ele, pelo perfil traçado pelo governador Jackson Barreto (PMDB).

Acha que será uma composição entre seu partido, PMDB e PT.

MOVIMENTO

O PT já mostrou que não vai se acomodar com o resultado da Câmara Federal e se manterá nas ruas contra a aprovação do impeachment no Senado.

Como diz João Daniel: “Vamos derrotar o golpe nas ruas!”,

VALADARES

Está havendo o melhor relacionamento entre o vice-presidente Michel Temer e o senador Valadares (PSB). Os dois têm trocado telefonemas constantes.

Valadares viajou ontem a Brasília para participar do início do processo.

VOTAÇÃO

O Senado vota duas vezes no processo. A primeira para aceitação, que será aprovada por maioria simples. A segunda, para afastamento, com dois terços.

A diferença é que à frente do Governo já estará Michel Temer.

EDUARDO

O senador Eduardo Amorim (PSC) também já está em Brasília e, em avaliação rápida, admite que o impeachment tenha maioria.

O relatório da Câmara será lido hoje…

FUNDO

Enquanto todos se preocupam com o impeachment, os prefeitos arrancam cabelos com a queda no FPM um pouco acima de 25%.

A queda é sequente e as Prefeituras estão sem caixa.

PARTIDO

O sargento Edgard Menezes é précandidato a vereador de Aracaju nas eleições deste ano e está conversando com alguns partidos para filiação.

Menezes é ligado a Mendonça Prado.

SHOPPING

Alguns lojistas estão reclamando do pouco movimento nas compras, excessos de taxas dos shoppings e a queda nas vendas que se registra a cada mês.

A tendência de três lojas de médio porte é fechar.

Notas

Relatoria – O PSDB e o PP, dois partidos de oposição à presidente Dilma Rousseff, vão dividir a presidência e a relatoria da comissão que analisará o pedido de impeachment na segunda fase do processo autorizado neste domingo pela Câmara. Os tucanos devem ficar com a presidência.

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Entrega – O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, entregou os 34 volumes da admissibilidade do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff ao presidente do Senado, Renan Calheiros. Renan anunciou que vai fazer a leitura oficial do documento hoje, na Ordem do Dia do Senado.

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Posse – Mesmo após a Câmara dos Deputados ter aprovado o encaminhamento do impeachment da presidente Dilma Rousseff ao Senado, o STF decidiu manter na pauta do plenário de amanhã o julgamento sobre a posse do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no cargo de ministro-chefe da Casa Civil.

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Ministros – A Casa Civil confirmou que a presidente Dilma reconduzirá os ex-ministros Celso Pansera, da Ciência e Tecnologia, e Marcelo Castro, da Saúde, aos respectivos cargos. Ambos são deputados pelo PMDB, deixaram os postos para votarem contra o processo de impeachment e cumpriram a promessa.

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Pieguice – O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse ontem que não haverá na Casa voto a favor ou contra o impeachment da presidenta Dilma Rousseff em função do que a “família quer ou não”. O que se viu na Câmara foi um festival de pieguices dos deputados dedicando votos a familiares.

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Projetos – Com aprovação da admissibilidade do processo de impeachment contra Dilma Rousseff, o presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse ontem que dificilmente a Casa votará projetos enquanto o Senado decida se aceita a denúncia, o que provocaria o afastamento de Dilma por até 180 dias.

Conversando

Internet – Anatel proíbe operadoras de banda larga de limitar dados de internet ou cobrar excedentes de franquia.

Registro – O ex-deputado João Fontes, próximo aos deputados que votavam, foi quem mais apareceu nas telinhas das TVs.

Holofotes – Todos os holofotes agora se voltam para o Senado. Se Dilma subsistir deve aceitar que o Lula mande em seu lugar.

Ana Lúcia (PT) vai a tribuna da Assembleia, fala sobre o momento político e diz que os trabalhadores vão continuar resistindo.

Fabio – Presidente do PMDB em Sergipe, Augusto Gama, pessoalmente respeita o voto de Fábio Reis e confirma telefonema de Michel Temer a Jackson Barreto.

Desgraça – Gilmar Carvalho diz que deputado Bolsonaro é uma desgraça e agradece a Deus por não ter visto o voto dele ontem a favor da ditadura.

Acinte – É um acinte, o deputado Bolsonaro citar o coronel Ustra, torturador na ditadura, para votar pelo impeachment.

Difícil – Marcos Povóas diz ser difícil esperar bom senso de senadores como Aécio Neves sobre processo de Impeachment de Dilma

Razão – Dilma não perdeu pelas pedaladas, mas pela sua indiferença ao parlamento e porque não sabe fazer política de coalizão.

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