Aracaju, 23 de setembro de 2021

DONO DA ENGEVIX DIZ QUE PAGOU PROPINA A TEMER, RENAN E ERENICE GUERRA

Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on linkedin

Segundo materia publicada pela revista Época, uma proposta de delação premiada apresentada a procuradores da Operação Lava Jato, pela defesa de um dos donos da Engevix, o engenheiro José Antunes Sobrinho, afirma que ele pagou propina a operadores do esquema de corrupção na Petrobras que falavam em nome do vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), e do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB). De acordo com os relatos de José Antunes, os peemedebistas apadrinharam a nomeação de aliados políticos na petrolífera e em outras estatais, como a Eletronuclear, durante os governos Lula e Dilma Rousseff. Um dos beneficiários do suborno – um “amigo de Temer”, diz a revista Época – embolsou R$ 1 milhão para que fosse obtido e mantido um contrato de R$ 162 milhões da Engevix com a empresa do setor elétrico.

José Antunes diz também ter pagado à ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra, principal assessora de Dilma até 2010, e ao advogado Carlos Araújo, ex-marido da presidente, para obter influência junto às altas esferas do poder. As informações constam de reportagem de capa da Época deste fim de semana. Intitulada “O homem que sabia demais”, a matéria se baseia em um conjunto de informações reunidas em 30 anexos a que a revista diz ter tido acesso, em que José Antunes fala sobre fatos, personagens e crimes diversos.

Preso em Curitiba desde setembro, o executivo de 63 anos resolveu falar o que sabe e está em estágio avançado de negociações para firmar a delação premiada – e, por envolver figuras com direito a foro privilegiado, passíveis de julgamento apenas no Supremo Tribunal Federal, as informações passam a estar sob o núcleo de atuação do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Acusado de corrupção, lavagem de dinheiro, formação de cartel e outros crimes, ele compõe o grupo de empreiteiros que operavam junto a políticos do PT e do PMDB, principalmente.

No documento, José Antunes diz ainda que pagou milhões em propina ao caixa dois de campanha do Partido dos Trabalhadores, com o objetivo de obter vantagens para a Engevix junto a diversas estatais e entidades correlatas – além das já citadas, a empresa lucrou clandestinamente na Caixa Econômica Federal e seu fundo de pensão (Funcef), na Hidrelétrica de Belo Monte e no Banco do Nordeste. A rede de negociatas era facilitada, segundo o delator, por figuras como o ex-ministro José Dirceu e o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, ambos também investigados e presos na Operação. O valor de mercado da Engevix saltou de R$ 141 milhões, em 2004, para R$ 3,3 bilhões em 2014, informa Época.

Para ter acesso ao “dinheiro público barato”, registra a revista, as propinas serviram, entre outros propósitos, para que a Engevix conseguisse propina em grandes contratos públicos de serviços e obras nas estatais. Furnas e Infraero são outros exemplos da fonte que abasteceu o esquema.

Ele disse ainda ter sido pressionado pelo ministro-chefe da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, Edinho Silva, então coordenador de campanha de Dilma, a financiar o pleito petista em 2014. “A empresa valia R$ 141 milhões em 2004. Dez anos depois, faturava R$ 3,3 bilhões. O modelo de negócios de Antunes era simples e eficiente, adaptado ao capitalismo de Estado promovido pelos governos petistas. Consistia em corromper quem detivesse a caneta capaz de liberar dinheiro público à empresa dele. Ou, se esse estratagema não fosse suficiente, corromper os chefes políticos e amigos influentes daqueles que detivessem as canetas”, diz trecho da reportagem.

Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on linkedin
Share on email

Leia também

Seduc finaliza mais um ciclo formativo para professores do Programa Alfabetizar pra Valer
Em ação do TCE/SE, corregedorias de dez tribunais de contas debatem inovações tecnológicas
Jornada Full Stack começa dia 27 e segue até dia 29 deste mês
Valdevan destina recursos para aquisição cestas em Itabaianinha