Aracaju, 23 de setembro de 2021

Comunicação de Venda: Quem não comunica se “trumbica”, escreve Lacerda Junior (Foto: ilustração)

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*Lacerda Junior

No interior de Transitolândia morava um típico morador da roça cujo nome era Mané, este levava a vida da forma característica da maioria dos moradores da zona rural, acordava cedo para tirar o leite, alimentava as galinhas e providenciava a ração para as quatro vaquinhas que criava.

Mané era igualzinho a qualquer caipira, a única coisa que o diferenciava dos demais era a sua paixão por caminhonetes antigas, embaixo do telheiro de sua propriedade ele guardava a paixão de sua vida, uma D10 ano 1982 com motor Perkins, carroceria de metal e para-choques cromados, algo que ele trabalhou durante dez anos para adquirir.

Num determinado ano a seca castigou fortemente a região onde Mané morava e a situação ficou muito crítica, a falta d’água destruiu a lavoura e matou as galinhas, agora só restavam três vaquinhas, pois uma já tinha morrido de sede, então Mané tomou uma decisão:

– Muié! Ô Muié!

– Que é Mané? Já não basta esta seca dos infernos e você ainda fica me apurrinhando – respondeu Genoveva esposa de Mané

– Manda o menino chamar aqui o compadre Zé, diz pra ele que vou vender a D10 e sei que ele tá de olho nela faz tempo. – respondeu Mané

Após algumas horas ouviu-se o arrastar de um par de botas:

– Compadre Mané! Sou eu o Zé. Mandou me chamar?

– Mandei sim. Sabe o que é compadre, é que essa seca acabou com toda minha lavoura e tá judiando o que sobrou de minhas criações. Queria saber se o senhor ainda tem interesse de comprar minha D10.

– Mas compadre o senhor tem tanto amor por esse carro. – respondeu Zé.

– Tenho mesmo, mas infelizmente a situação me obriga a me desfazer dele. – respondeu Mané.

– Tá bom compadre! Eu fico com o carro, só que tem uma condição.

– Qual Zé?- perguntou Mané.

– O compadre vai só assinar o recibo do carro e me entregar, pois estou sem tempo de ir lá na cidade para fazer a transferência por estes dias, mas garanto que mês que vem eu transfiro pro meu nome.

– Tá bom compadre eu confio no senhor. – respondeu Mané.

Zé pagou o valor acertado e se mandou com a paixão da vida de Mané.

Mané utilizou boa parte do dinheiro para salvar a vida das três vaquinhas que restava, o restante guardou para garantir a compra da ração caso a seca persistisse por mais tempo. Toda vez que Mané chegava ao telheiro um sentimento de tristeza o tomava, mas seu consolo era saber que as vaquinhas teriam o que comer durante toda a seca.

Um dia quando Mané levantou percebeu que um carro estava estacionando em sua porta e foi olhar quem era, quando abriu a porta foi acertado por um soco de um homem que urrava de raiva como um jumento.

– Moço o que tá acontecendo? – perguntou Mané

– Seu cretino! Você bateu em meu carro com aquela lata velha e nem parou. –respondeu o homem enfurecido

– Amigo eu não tenho carro nenhum! O que eu tinha vendi já faz uns seis meses. – falou Mané com voz trêmula

-Como não tem? Procurei informações no DETRAN lá da cidade e o carro tá registrado nesse endereço, no nome de um tal de Mané. – Continuou falando o homem enfurecido.

-Eu vendi este carro pro compadre Zé já faz seis meses. – tornou a afirmar Mané

– Muié! Chama lá o compadre Zé. – Gritou Mané

Passada uma meia hora chegou Genoveva, mais pálida que jumento quando apanha na chuva.

– Cadê o compadre muié? – Perguntou Mané agoniado

– Mané! ele disse que vendeu o carro prum cara que ele nem conhece direito e entregou o recibo pra ele, o Zé disse que o problema num é dele não, que você procure o cara pra quem ele vendeu o carro pra resolver com ele. – respondeu Genoveva

– Eu quero meu carro consertado, senão vou dar parte de você – disse o motorista enfurecido.

– Tá bom amigo! Quanto foi o estrago do seu carro? – Perguntou Mané com voz triste.

– Oito mil trezentos e cinquenta e dois reias – respondeu o motorista enfurecido

– Tudo isso? – Perguntou Mané

– Amigo! Meu carro é importado e as peças só são vendidas nos States, por isso são tão caras. – falou o motorista enfurecido aumentando ainda mais o tom da voz.

Para pagar os danos causados ao veículo do motorista enfurecido Mané teve que vender as três vaquinhas que lhe restara e completar o valor com o restante do dinheiro da venda de sua linda D10. Ao final Mané ficou sem a D10, sem as vaquinhas e com um grande hematoma no olho esquerdo devido o soco que levou, tudo isso por ter confiado em um “amigo” e não ter procedido a comunicação da venda da sua maior paixão.

O texto acima é apenas uma narração fictícia, porém o problema vivido por Mané é também vivido por dezenas de pessoas que vendem seus veículos e não comunicam a venda ao DETRAN de sua região.

O código de trânsito brasileiro em seu artigo 134 determina que no caso de transferência de propriedade, o proprietário antigo deverá encaminhar ao órgão executivo de trânsito do Estado dentro de um prazo de trinta dias, cópia autenticada do comprovante de transferência de propriedade, devidamente assinado e datado, sob pena de ter que se responsabilizar solidariamente pelas penalidades impostas e suas reincidências até a data da comunicação, ou seja, quando vendemos um veículo e não comunicamos a venda ao DETRAN a responsabilidade pelo veículo continua sendo nossa até que se proceda a transferência.

Não seja Mané: COMUNIQUE SUA VENDA E NÃO SE ARREPENDA.

*Lacerda Junior – Professor e pesquisador da área de Educação e Segurança para Trânsito

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