Aracaju, 17 de setembro de 2021

Se quem dirige são os adultos, porque campanhas educação para o trânsito são tão infantis?

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Se quem dirige são os adultos, porque as campanhas de educação para o trânsito são tão infantis?

*Lacerda Junior

Quero começar este artigo com uma indagação “Se quem dirige são os adultos, porque as campanhas de educação para o trânsito são tão infantis?”.

Eu como estudioso da área de trânsito que sou, sei que “precisamos educar os meninos para não precisar punir os homens”, porém acredito que a intenção de quem desenvolve uma campanha educativa de trânsito é a redução do número de acidentes dentro de um curto espaço de tempo, e campanhas com rabiscos, desenhos animados trazem significação para o público infantil, mas não tem nenhum efeito nos adultos, sendo que estes são os responsáveis pela condução de veículos.

Em outros países as campanhas educativas de trânsito são “mais adultas”, e por vezes acabam tocando no ponto fraco de todo ser humano, a perca de um ente querido. São campanhas chocantes que mostram pessoas que acabaram perdendo a vida, ou tirando-a de alguém, por causa da imprudência no trânsito.

No Brasil existe uma corrente ideológica que acredita que campanhas com conteúdo “mais forte” podem traumatizar quem as assisti, porém acredito que mais traumatizante que VER na televisão é VIVER o acidente de trânsito.

As principal falha das nossas campanhas diz respeito a concepção que um modelo único é capaz de atingir todos os públicos, o que acaba por transformá-las em ineficientes.

As campanhas educativas deveriam ser desenvolvidas em três frentes:

1- Voltada à crianças – Desenvolvida em parceria com escolas, nessas sim os rabiscos e os desenhos devem ser usados, e de forma alguma se utilizará cenas chocantes envolvendo acidentes de trânsito.

2- Voltada aos condutores em formação nos CFC’s – Desenvolvida nas autoescolas, que aproveitaria o quantitativo de horas que estes alunos devem cumprir para aquisição da CNH, para materializar na formação todos os princípios estabelecidos no CTB e nas resoluções posteriores, de modo que na conclusão do curso os mesmos pudessem ter internalizado todo o conhecimento para conduzir de forma humana e segura.

3- Voltada a condutores habilitados a mais tempo – Desenvolvida principalmente através da mídia, com campanhas mais incisivas, que demonstrem que quando adotamos uma conduta imprudente no trânsito estamos colocando em risco a nossas vidas e a dos outros.

Enquanto não mudarmos a formatação, nossas campanhas educativas continuarão ineficientes e inócuas, onde estaremos apenas dissipando dinheiro público em ações que não trazem nenhum resultado.

*Lacerda Junior – Jornalista, professor e escreve sobre educação para o trânsito.

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