Aracaju, 24 de janeiro de 2022

Estudo avalia os efeitos do ácido úsnico no tratamento da doença de chagas (Ascom)

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Estima-se que no Brasil cerca de 3 milhões de pessoas sejam portadoras da fase crônica da doença de Chagas, uma das enfermidades negligenciadas, que é causada por um protozoário parasita chamado Trypanosoma cruzi. Um estudo coordenado pela professora doutora em Bioquímica e Imunologia, Sandra Lauton Santos, da Universidade Federal de Sergipe (UFS), propõe avaliar os efeitos do ácido úsnico, substância encontrada na Serra de Itabaiana, para o tratamento da fase crônica da doença.

A pesquisadora explica que atualmente só existe tratamento para a fase aguda da enfermidade, quando a atinge o nível crônico há apenas medicamentos para tratar os sintomas. No Brasil, o tratamento inicial da doença é feito com benzonidazol, caso ocorra falha terapêutica, o nifurtimox pode ser utilizado, mas esses medicamentos são tóxicos e de difícil administração. O objetivo do estudo, segundo Sandra Launton, é tentar matar o parasita na fase crônica evitando que o protozoário produza mais substâncias que prejudique o paciente.

O ácido úsnico é um produto natural derivado do metabolismo de líquen, uma associação de alga com fungo. De acordo com a pesquisadora, estudos científicos apontam que numa cultura de célula, essa substância é capaz de matar o T. cruzi. “Foi a partir desses estudos, que nós tivemos a ideia de pegar o ácido úsnico, tratar o animal com doença de Chagas e ver se no coração também acontecia isso. Se o ácido úsnico seria capaz de matar o parasita sem matar a célula do coração”, esclarece.

O projeto vem sendo desenvolvido com o financiamento da Fundação de Apoio à Pesquisa e à Inovação Tecnológica do Estado de Sergipe (Fapitec/SE), fruto do Programa de Pesquisa para o SUS. A meta do estudo é desenvolver uma nova ferramenta terapêutica com o ácido úsnico para tratar os pacientes na fase crônica da doença de Chagas.

De acordo com Sandra Lauton, outro aspecto importante do projeto é tentar tratar o paciente de maneira que não provoque danos, diminuindo a toxicidade da terapia. Para isso há incorporação de uma molécula em Beta-ciclodextrina que é uma ferramenta que diminui a toxicidade ou a possível toxicidade de medicamentos. O projeto conta ainda com a participação do Farmacêutico e Engenheiro Químico,Adriano Antunes de Souza Araújo, que fornece a Beta-ciclodextrina já com o ácido úsnico dentro e com o Químico e Farmacologista,Enilton Camargo especializado em inflamação.

Doença de chagas

O T. cruzi é encontrado nas fezes de alguns insetos, principalmente no barbeiro. A contaminação humana ocorre através da ingestão de alimentos crus que contenham fezes do parasita ou pelo contato direto com o animal. A doença de Chagas possui dois estágios: agudo e crônico. Na fase aguda, pode apresentar nenhum sintoma ou febre, inchaço e vermelhidão no local da picada do inseto, fadiga, dores no corpo, dor de cabeça, náusea, diarreia ou vômito, surgimento de nódulos e aumento do tamanho do fígado e do baço. Já no estágio crônico, fase evoluída da doença, causa constipação, problemas digestivos, dor no abdômen, dificuldades para engolir e batimentos cardíacos irregulares. A enfermidade também provoca um aumento do coração, prejudicando sua função e comprometendo todo o organismo.

Para a pesquisadora, o estudo é importante para preencher a lacuna da falta de tratamento da fase crônica da doença, desenvolvendo alternativas farmacológicas. “No SUS, encontram-se a maioria dos pacientes chagásicos. É uma doença que atinge a parcela da população mais desfavorecida economicamente, e este fato não é um atrativo para a indústria farmacêutica, assim, é importante estas estratégias que fomentem esse tipo de pesquisa”, enfatiza.

A professora Sandra Launton aponta como resultado esperado da pesquisa tentar esclarecer se o ácido úsnico será uma substância capaz de matar o parasita dentro da célula cardíaca, sem grande toxicidade para o organismo. Caso a resposta seja positiva, será uma boa ferramenta para tratamento de pacientes chagásicos na fase crônica da doença.

Assessoria de Comunicação – Fapitec/SE

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