Aracaju, 28 de setembro de 2021

Cristóvam diz que toda esquerda envelheceu com total desapego à democracia

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Num discurso em que apontou os erros do governo da presidente Dilma Rousseff e as suas consequências para a crise política que desembocou no processo de impeachment, o senador Cristovam Buarque (PPS-DF) foi à tribuna do Senado, na tarde desta quarta-feira (11), para justificar o seu voto a favor da abertura do processo de impeachment, e não poupou a esquerda e o PT.

O senador começou lembrando que há 50 anos participou de sua primeira manifestação política pela esquerda, em Recife, para cercar o Palácio do Governo e tentar impedir a destituição do governador Miguel Arraes, ocasião em que dois jovens manifestantes foram mortos. Afirmou, no entanto, que apesar do risco de bala daquela época, sente que hoje corre riscos ainda maiores quando enxerga a reação de forças de esquerda que aí estão e que não querem aceitar a necessidade da admissibilidade desse processo de impeachment. Todo o desgaste político que o país enfrenta é para o senador um sinal de que a esquerda envelheceu:

– Não fui eu que mudei; foi a esquerda que envelheceu. A esquerda que está há 13 anos no poder, o que demonstra um desapego à democracia, manipulando, cooptando, criando narrativas em vez de análises; com a preferência pelo assistencialismo em vez de uma preferência pela transformação social; com um apego ao poder que consegue, inclusive, driblar a Constituição, fazendo com que o presidente Lula tenha quatro mandatos, dois em seu nome e dois em nome da presidente Dilma Rousseff; com o vício de corrupção, que nenhum de nós imaginava; com a incompetência gerencial, cujos resultados são nefastos e visíveis; com o aparelhamento do Estado; e com gosto por narrativas como é essa de que o que estamos fazendo aqui, dentro de todo o rigor constitucional, é golpe – disse.

Para o senador, no entanto, tudo isso não justifica, um golpe, porque não vivemos no parlamentarismo. Mas justifica a abertura do processo com base em crimes que foram, ou pelo menos há indícios, cometidos.

– Nós estamos aqui para discutir abertura do impeachment. E eu não entendo como votar contra admissibilidade. Seria ignorar que há indícios de não atendimento à Lei Orçamentária, que há evidências de que houve incorreção jurídica no Governo Federal ao editar decretos de contingenciamento sem autorização do Congresso. Há indicações de que houve relacionamento espúrio entre banco estatal e o Tesouro Nacional, em contradição ao que é explicitamente proibido pela Lei de Responsabilidade Fiscal e, ainda mais grave, com a finalidade de manipular resultados eleitorais.

Segundo o senador Cristovam Buarque, a admissibilidade do processo é um voto para que o Brasil seja passado a limpo, uma vez que, segundo afirmou, a presidente não deixou outro caminho, não aceitou os alertas dos riscos econômicos, feitos em discursos e artigos desde 2011, inclusive por ele da tribuna.

Cristovam disse que seu voto a favor da abertura do processo é técnico, pela incompetência como a economia e a gestão foram administradas. É político, pela análise dos rumos tomados pelo País no passado e do destino que nos ameaça no futuro.

– É um voto contra o estelionato eleitoral e a arrogância no exercício do poder, no lugar daquilo que deveria ser diálogo. É um voto moral, contra a corrupção generalizada, contra o saqueio da Petrobras e dos fundos de pensão. Mas é, sobretudo, para ficar restrito à Constituição, um voto jurídico, pela abertura do julgamento de crimes de responsabilidade.

Em seu discurso, o parlamentar frisou que o Brasil precisa sair da marcha da decadência em que está. Para ele, a abertura do processo de impeachment pode ser o momento, durante 180 dias, para debater não apenas os crimes que temos indícios de que a Presidente cometeu, mas para debater nossa crise em toda a sua profundidade.

– Não podemos ficar presos apenas a analisar crimes cometidos pela presidente atual. É preciso levar adiante a ideia do impeachment a todo modelo social, político e econômico que rege o País nos dias de hoje. Os brasileiros todos podem pensar onde todos nós erramos. Por que não fomos capazes de transformar um território rico e uma população sem divisões em uma Nação rica, feliz, saudável; por que não fizemos as reformas necessárias na política, no fisco, na educação; por que não fortalecemos a democracia, preferindo comprar Parlamentares com mensalão e movimentos sociais com financiamento de projeto; por que não realizamos as transformações sociais, estruturais, preferindo a assistência, com propósitos generosos, mas também fisiológicos, em troca de votos; por que não pusemos o Estado a serviço do povo.

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