Aracaju, 27 de julho de 2021

Racismo e intolerância religiosa são temas de palestra (Foto: assessoria)

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Por: Cândida Oliveira

“Desmistificando o Sincretismo – A polícia dialogando com a comunidade”, foi o tema da palestra que aconteceu no Ilê Yá Tassytaoo Ifá Enibalé, local onde também funciona a Associação Luz do Oriente, na figura da Yalorixá Rita Tassytaoo, babá José e Babá Janilson Teixeira.

O evento, pactuado em audiência pública, promovida pelo Ministério Público em março deste ano, teve como objetivo promover uma pauta de discussões  entre os órgãos que compõem a segurança pública, no que diz respeito ao racismo e à intolerância religiosa. O encontro, de viés antropológico, faz parte de uma das etapas do plano de ação do Projeto “Racismo: Conhecer para Enfrentar”. Uma campanha nacional coordenada pelo Grupo de Trabalho Enfrentamento ao Racismo e Respeito à Diversidade Cultural, da Comissão de Defesa dos Direitos Fundamentais (CDDF) do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).

Policiais, filhos, netos e simpatizantes do candomblé assistiram a apresentação que teve como palestrante, o educador, profissional da saúde, estudioso das religiões de matriz africana, Babá Janilson Teixeira. Para ele, a realização do evento foi um marco histórico. “Serviu também para desmistificar os preconceitos referentes as religiões de matriz africana, por meio de um dialogo fraterno, esclarecimentos e conscientização. Os policiais tiveram a oportunidade de tirar dúvidas no tocante as relações interpessoais e formas de tratamento, além de se permitiram conhecer conceitos históricos”.

Babá Janilson Teixeira lembrou que uma sociedade justa, igual e fraterna só cresce com base nos pilares da educação. “A educação que transforma e a informação gera o poder. Poder de esclarecer preconceitos, racismo e intolerância”. Ele aproveitou a oportunidade para agradecer a cúpula da Secretaria de Segurança Pública. “Todo o evento transcorreu em harmonia, a corporação convidada aderiu,  participou de forma efetiva e respeitosa. A comunidade do candomblé os abraçou enquanto irmãos e ficamos satisfeitos, pois existia na plateia pessoas que antes resistiam a uma simples visita a um candomblé, mas que mediante informações passadas na palestra, esclarecimentos, dúvidas tiradas por meio de uma  didática e metodologia clara, ao final, essas pessoas em depoimento demonstraram respeito e relevância que deve ter toda e qualquer religião. Foi um momento ímpar e agradecemos a Polícia pelo respeito”. A Yalorixá Rita disse que “unidos seremos fortes”. Já pai José acredita que com respeito e dignidade tudo pode ser diferente.

O palestrante reafirmou ainda que eventos como esse e diálogos que se travam com a sociedade é sempre bem vindo para a religião. “Estamos vivendo um processo de desmistificar e desconstruir, aquilo que foi historicamente massificado na sociedade. Que os tabus, preconceitos, a intolerância religiosa e os desrespeitos possam ceder lugar para reflexão, para o respeito e entendimento. Vivemos em um Estado laico, a Constituição no artigo 208 nos garante a liberdade de culto e enquanto garantia, merecemos respeito. Aquele que não conhece o candomblé se permita estudar para se permitir conhecer e não apenas julgar”, pontuou Babá Janilson.

Para a Capitã da Polícia Militar Jussara, é um marco histórico tanto para o candomblé como para a instituição. ” É de suma importância para os alunos aqui em formação, conhecer as religiões para poder respeitá-las”, garantiu.

A coordenadora do Núcleo de Analise de Pesquisas e Políticas Públicas, Cidadania e Prevenção, Abigail Souza, informou que o objetivo do encontro, é quebrar paradigmas criados historicamente. ” A SSP na perspectiva do seu trabalho de excelência, preza pelo respeito à pluralidade, pelo trabalho de prevenção e pela harmonia da sociedade”, enfatizou.

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