Aracaju, 18 de outubro de 2021

Mostra celebra ciclo junino com artesanato regional e comidas (Foto: Pritty Reis)

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Centro de Arte e Cultura J. Inácio abre festejos com ‘Quermesse do J.’, que segue até 03 de julho

Foi dado o pontapé às comemorações dos festejos juninos na noite da terça-feira, 24, com a abertura da ‘Quermesse do J.’, no Centro de Arte e Cultura J. Inácio. Contando com ambientes decorados e peças assinadas por artistas e decoradores sergipanos, como Jaci Rosa Cruz; Jorge Luiz Barros; Sayonara Viana; Ateliê das Amigas; Lícia Violeta e Camila Martins, a mostra segue até dia 03 de julho, reunindo o que há de mais representativo na cultura sergipana para o período.

De artigos de mobiliário a doces e cachaças, todos os produtos expostos no local estão à venda e, entre eles, têm lugar especial os Santos do ciclo junino: José, Antônio, João e Pedro, esculpidos em cerâmica ou madeira. Segundo Vanda Bezerra, do Ateliê das Amigas, os Santos foram o ponto chave dos ambientes que ela e sua mãe, Maria Esther, decoraram e das peças dos mais de 20 artesãos que integram o Ateliê escolhidas para a exposição.

“Os santos expostos são peças de diversos dos nossos artesãos, que têm características e materiais diferentes. Nós buscamos trazer muitos divinos e oratórios em caixote, e também fizemos um altarzinho com São João, São Pedro e Santo Antônio. Também utilizamos na decoração dos ambientes luminárias de cabaça, bastante cor, uma pescariazinha e muitos elementos pendurados, para ambientar com fidelidade a quermesse. Montamos, ainda, alguns ambientes como se fosse uma casa, para as pessoas verem que as peças podem ser usadas nos seus lares também”, disse Vanda.

O designer de interiores Jorge Luiz Barros também deixou sua assinatura na ‘Quermesse do J.’. Ele escolheu ambientar uma cozinha nordestina, basicamente criada com mobiliário brasileiro. “É a representação das cozinhas tradicionais de fazenda, com móveis coloniais hoje utilizados em ambientes contemporâneos. Utilizei cerâmica popular regional e porcelana inglesa, fazendo fusão de culturas. A peça principal eu chamo de ‘Recorte’, trabalhada em MDF com pintura em esmalte sintético. E uso a chita, que é o ponto principal na composição por ter uma relação muito estreita com a época junina”, contou Jorge Luiz, que também deu uma contribuição ao lounge, assinado por Jaci Rosa Cruz e a Sayonara Viana.

O Centro de Arte e Cultura J. Inácio é um espaço para divulgar a cultura sergipana, vinculado à Secretaria de Estado da Mulher, Inclusão e Assistência Social, do Trabalho e dos Direitos Humanos (Seidh). De acordo com o diretor Guga Viana, idealizador da mostra, o evento não poderia ocorrer em época mais oportuna, considerando a importância do período junino para a cultura nordestina, em especial a sergipana.

“Sergipano ou turista, quem vier vai encontrar o artesanato da terra, comidas típicas, folguedos, quadrilhas e muito forró pé de serra, que representam todas as influências das tradições dos municípios. Depois do dia 03, teremos novos eventos em sintonia com o período. A casa não para”, disse Guga.

Fomento ao Artesanato

Apesar da época atrair turistas, a presidente da associação dos artesãos do J. Inácio, Vera Lúcia de Souza, afirma que há bom fluxo de turistas durante todo o ano. “Sempre tem movimento aqui, porque ficamos em uma localização privilegiada, em frente aos maiores hotéis da cidade. Então, eu e os cerca de 200 artesãos que expõem aqui durante o ano, não temos do que reclamar. Aqui é muito bom e o pessoal só faz elogiar. As vendas são ainda melhores neste mês de junho e nas férias de final de ano, entre dezembro e janeiro. Essa quermesse está sendo ótima pra gente. Ajuda o artesão, porque movimenta mais, e chama turista”, analisou Vera Lúcia.

Alice Pessoa é um desses turistas atraídos pela cultura regional. Vinda de São Paulo com um grupo de amigas, ela permanece em Sergipe até o final da semana, mas já faz planos de retornar durante o São João. “É a nossa primeira vez em Aracaju. Estou amando esse lugar e essa exposição. A quermesse e as peças expostas estão belíssimas. Vamos embora na sexta-feira, mas dá tempo de voltar depois. Em São Paulo tem muita quermesse, porque não tem o festejo junino, mas sinto bastante falta. Tanto que às vezes vou lá ao centro tradicional nordestino, no Parque Água Branca, só para curtir um forró”.

Para a secretária Marta Leão, é essencial fomentar eventos desse tipo, que movimentam o Centro e dão visibilidade ao trabalho dos artesãos sergipanos. “A gente vê nos belos trabalhos realizados por esses artesãos uma oportunidade incrível de geração de renda. E isso também é inclusão social. Por isso, a gente não abre mão de realizar eventos que atraiam maior fluxo de visitantes para nosso espaço e, consequentemente, aumentem a venda desses trabalhos. Guga está de parabéns e, claro, já estamos pensando nas próximas ações que realizaremos aqui”, revelou.

Forró e Cordel

A abertura da Quermesse do J. também contou com outras formas da expressão da arte nordestina. O trio Santana Forró Baião da Penha se encarregou do arrasta pé, enquanto Zé Antônio Cordelista e Pedro Amaro do Nascimento apresentavam a tradicional literatura de cordel para os visitantes. Também professor de história, Zé Antônio expõe cordéis como ‘O São João de Antigamente e o São João de Hoje em Dia’, ‘O Rei do Baião’, ‘No Xaxado do Cordel’, entre outros. Já Pedro Amaro do Nascimento, que tem mais de 120 livros escritos, é um cordelista pernambucano radicado em Sergipe há 40 anos. “Eu já pertenço a Sergipe. É uma honra para mim vender esses livros aqui no Centro de Cultura J. Inácio. E a gente aqui tem a maior alegria de receber os turistas e as pessoas que vêm do mundo inteiro. Estamos muito satisfeitos com essa exposição”, concluiu o cordelista.

Fonte ASN

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