Aracaju, 23 de setembro de 2021

Jackson não dará a Cultura ao PT e quer saber como sigla vai fortalecer a aliança

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Por Diógenes Brayner

O governador Jackson Barreto (PMDB) disse ao ex-deputado federal Marcio Macedo (PT) que não iria lhe oferecer a Secretaria da Cultura do Estado. Avisou pessoalmente a ele (Márcio) que precisava reavaliar a Pasta como “instrumento para representação da cultura popular em Sergipe”.

Acha que o PT está precisando demonstrar maior interesse em formalizar uma aliança sem imposições, porque tem que discutir se a sigla estará bem representada no Estado. Lembrou que a questão da aliança política para a Prefeitura de Aracaju, por exemplo, passa também por uma questão política local, que deve ser sempre bem avaliada.

O governador do Piauí, Wellington Dias (PT), em longa conversa com a ex-primeira dama Eliane Aquino, disse que em seu Estado vai manter a aliança com todas as siglas que estava com ele antes da primeira votação do impeachment, para que o seu grupo obtenha êxito nas eleições municipais de 2016.

Reflexão – O PT precisa refletir sobre quais partidos leva para fortalecer a aliança em Sergipe já para ao pleito de 2016; o que vai oferecer esses partidos para realizar uma aliança em Aracaju e como ficará a chapa de vereadores, para o crescimento do bloco na Câmara Municipal.

Uma pergunta que fica no ar: “e a campanha, quem vai financiar?” De fato, trata-se de uma eleição em que tudo será muito difícil e a campanha será rígida, com pouca doação e muito bem fiscalizada. Não terá a facilidade de outros pleitos, em razão de trabalho mais intenso do Ministério Público e da Polícia Federal, que vai fazer valer o dispositivo que proíbe doações.

Além disso, o Partido dos Trabalhadores pensa em fortalecer seus líderes para conseguir sobreviver às eleições de 2018. Mas, qual o grupo que mantém para eleger um deputado federal? Como fazer uma chapa majoritária e proporcional para o pleito estadual, que possa eleger nomes do PT para a Câmara Federal e Assembleia Legislativa?

Juventude – O governador Jackson Barreto lamenta nota pública pela Juventude do PT (JPT) em Aracaju, que tenta forçar uma chapa de Edvaldo Nogueira (PCdoB) a prefeito, com Eliane Aquino (PT) para vice. Isso deixa claro que a juventude petista quer deixar o PMDB fora do processo eleitoral, numa “imposição” que não faz sentido, já que a legenda liderada por JB no Estado também tem nomes e interesses políticos eleitorais a preservar.

Também não agradou a Jackson e a membros do PMDB a exigência que faz a nota da JPT, de que “não pode deixar de ser observada a íntima ligação entre os interesses e projetos políticos sórdidos para o nosso país aos quais está ligada a grande maioria do PMDB, o que torna inviável uma aliança política com os peemedebistas”.

– O que se torna inviável é o PMDB apoiar candidaturas de duas legendas, que fazem oposição ao partido, mesmo a nível nacional. Por mais que o governador Jackson Barreto tenha demonstrado sua posição contra o impeachment, não deve agora se colocar em oposição à Direção Nacional do seu próprio partido.

Brasília – Em meio a pressões por menos contrapartidas para a retomada das renegociações das dívidas estaduais com a União, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) se reunirá na próxima quarta-feira (8) os governadores em Brasília.

Terça-feira (07) Jackson Barreto viaja a Brasília para uma reunião de governadores, na quarta-feira (08), com o presidente do Congresso Nacional, senador Renan Calheiros (PMDB). A renegociação da dívida dos estados deve ser tema prioritário. Os governadores defenderão a ideia já apresentada por secretários ao Ministério da Fazenda: simplificar a proposta em discussão no Congresso.

Eles querem limitar o projeto à extensão do prazo para pagamento da dívida para 20 anos, com a possibilidade de os estados terem prazo de dois anos para começar a pagar as parcelas. A proposta original previa carência por dois anos de apenas 40% do valor devido.

Em troca, os governos locais teriam de seguir duas contrapartidas: incluir no conceito de gasto de pessoal os funcionários terceirizados e limitar o crescimento das despesas com pessoal e dos gastos correntes à variação da inflação por dois anos. A correção dos desequilíbrios na Previdência dos servidores estaduais e a privatização de empresas estaduais seriam excluídas da discussão. Os governadores também se reunirão com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles.

Na próxima semana o governador Jackson Barreto provavelmente retorne a Brasília para audiência com o presidente Michel Temer, para discutir interesses de Sergipe, independente de posição política. Segundo um assessor do governador, JB perde terreno para seus adversários, que passaram a ser aliados do Governo e estão fazendo indicações para ocupação de espaços de órgãos federais no Estado.

O secretário da Fazenda, Jéferson Passos, já está em Brasília para cuidar das negociações da dívida, ao participar de reunião entre secretários da área com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles.

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