Aracaju, 25 de setembro de 2021

Alese: D. João lamenta discursos negacionistas na pandemia

Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on linkedin

O arcebispo metropolitano de Aracaju, D. João José Costa atendeu ao convite do deputado Iran Barbosa (PT) e fez uma reflexão durante sessão especial da Assembleia Legislativa de Sergipe nesta quinta-feira, 29, destacando a Campanha da Fraternidade 2021, lançada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Na oportunidade, ele lamentou os discursos negacionistas sobre a pandemia do novo coronavírus, criticou a negação da Ciência, as desigualdes, o racismo e a violência contra as mulheres, os negros, os indígenas e os grupos LGBTs.

Tema é voltado para o diálogo, a paz e a unidade

O tema da campanha este ano é: “Fraternidade e Diálogo: compromisso de amor” e o lema é “Cristo é a nossa paz: do que era dividido, fez uma unidade”, cujo objetivo principal é promover o diálogo visando superar as polarizações e as violências que marcam a comunidade mundial. O lema da campanha é: “Cristo é a nossa paz. O que era dividido, fez-se uma unidade”.

Agredecendo ao convite do deputado Iran Barbosa pela oportunidade de expressar a palavra sobre a Campanha da Fraternidade, D. João iniciou a apresentação afirmando que embora as pessoas sejam diferentes, é importante que vivam na comunhão e na unidade entre todos.

“A Campanha da Fraternidade é realizada há 59 anos  no Brasil com o objetivo central de convidar a todos os fiéis e as pessoas de boa vontade à vivência das primeiras comunidades cristãs. Particularmente nessas duas décadas inspiradas no impulso  renovador do Concílio Vaticano, essa campanha ecumênica está na 5ª edição e reúne algumas denominações cristãs que formam o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC), convidando a população de fé a pensar, avaliar e identificar caminhos para as polarizações e das violências que marcam o mundo atual, mediante o diálogo amoroso e o testemunho da unidade na diversidade inspirado no amor de Cristo”, ressalta.

D. João acrescentou que a Igreja não pode ser diferente frente à dimensão humana e humanizadora da vida social. “Sua missão consiste em fecundar e fermentar a sociedade com o evangelho e a Campanha da Fraternidade chama a atenção para uma questão que aflige a sociedade, promovendo reflexões e ações colaborativas. Nessas últimas décadas refletimos temáticas atuais sobre a dignidade humana, a exemplo das exclusões, solidariedade, economia, vida e casa comum. A campanha atual busca a necessidade do diálogo para que possa haver a verdadeira comunicação com um encontro para as relações mais amorosas, denunciando a violência e a destruição sócio-ambiental”, informa.

Desigualdades

D. João  destacou as desigualdades sociais

O arcebispo destacou que o tema deste ano conduz as pessoas à superação das desigualdades. “Animam o engajamento de ações concretas de amor ao próximo; promovem a conversão para a cultura do amor como forma de superar a cultura do ódio; fortalece a convivência ecumênica e inter-religiosa, estimula o diálogo em meio à crença, ideologias e concepções em um mundo cada vez mais plural e por fim: compartilha experiências de diálogo e convívio fraternos”, diz citando os discípulos e Emaús, que saíram impactados de Jerusalém e dialogaram com Jesus.

D. João lamentou o negacionismo de algumas pessoas sobre a realidade da pandemia do novo coronavírus. “Estamos vendo crises e sofrimentos; discursos negacionistas sobre a realidade da pandemia e à fatalidade da Covid-19, são recorrentes, assim como a negação da Ciência e do papel da Organização das Nações Unidas e da Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, a pandemia escancarou a desigualdades e a estratificação racial, econômica e social; o retorno ao mapa da fome, ao desemprego macivo, ao aumento da população de rua, à cultura de violência contra as mulheres, pessoas negras, indíginas e pessoas LGBTs, expostas pela pandemia. A violência aumentou nas casas e entre março e abril de 2020, os casos de feminicídio aumentaram 5% em relação ao mesmo período de 2019”, elenca lamentando a cultura da indiferença e da falta de empatia, que geram sofrimentos.

A palestra atendeu ao requerimento do deputado Iran Barbosa

No discurso, o arcebispo de Aracaju disse ainda que a Campanha da Fraternidade 2021 convida a todos para fazer uma reflexão sobre os acontecimentos mais recentes que marcaram a vida da história.

“A sociedade brasileira vive momentos difíceis por causa dos muitos muros construídos: do racismo, das desigualdades econômicas, da dificuldade de conviver com opiniões diferentes, de desrespeito e ataques às instituições. O seguimento de Jesus exige de todos nós, discernimento diante das mais diversas dúvidas, crises e contradições. Apesar das novas leis que buscam garantir que os direitos humanos incluam os grupos sociais, ainda permanecem as estruturas racistas e excludentes.  A manutenção desse sistema é nutrida com discursos de meritrocacia, com tecnologia de propriedade e a promessa de que todas as pessoas por mais pobres que sejam, poderão com muito esforço, fazer parte da camada mais rica da sociedade. Precisamos nos reconhecer em Efésio em proclamar a paz e a fé em Cristo para contribuirmos para a derrubada dos muros das divisões”, enfatiza exibindo um vídeo sobre a campanha com a fala do Papa Francisco.

Parlamentares

O presidente da Assembleia Legislativa de Sergipel, Luciano Bispo (MDB) deu as boas vindas ao arcebispo D. João José e ao diretor espiritual da equipe da campanhas da Paróquia Nossa Senhora do Monte Serrat, padre Adriano Andrade dos Santos. “Sejam muito bem-vindos à Casa do Povo para tratar de um tema tão importante escolhido para a Campanha da Fraternidade num momento tão difícil para todos nós”, afirmou.

O deputado Iran Barbosa agradeceu a atenção do arcebispo ao comparecer ao plenário da Alese para tratar do tema da Campanha da Fraternidade e o parabenizou por fazer uma contextualização muito bem feita. “Parabenizo D. João pela escolha da abordagem que fez tão profundamente marcante. Me solidarizo à CNBB; sei que a escolha do tema feita pelo CONIC e pela CNBB foi alvo de muito ataque, desproporcional e descabido. O papel que juramos à nossa Constituição é o papel de velar pelo caráter de não fazermos proselitismo dentro da nossa atuação política. O estado brasileiro é láico e é velando pela laicidade que mostramos a necessidade de acolhermos todas as religiões que cada um queira exercer e a mensagem trazida aqui hoje é de convivência fraterna com as diferenças”, entende.

A deputada Goretti Reis (PSD) também parabenizou o arcebispo pela palestra destacando o momento que o mundo vive, de medo, insegurança e incertezas em virtude da pandemia da Covid-19. “São muitas perdas e esse é um momento propício para termos cada vez presente na nossa vida a fé e a presença de Deus. O nosso papa Francisco tenta cada vez mais unir os segmentos religiosos e acho que temos que caminhar realmente para essa unidade, pois Deus é único. Fiquei muito feliz com a fala de D. João José sobre a violência à mulher, às crianças; o racismo e outros temas socias nesse momento de desigualdades muito grandes. O vírus vem mostrando que pega todas as classes e precisamos trabalhar a questão do respeito  e tentar vencer a fome e a miséria”, afirma.

O deputado Zezinho Guimarães (MDB) disse que não poderia deixar de participar da palestra do arcebispo de Aracaju. “Para nós todos é muito mais do que uma honra e alegria; é uma bênção ter nosso guia espiritual aqui no plenário da Assembleia Legislativa de Sergipe e eu só tenho a agradecer a aceitação do convite. Essas palavras nos confortam num momento tão difícil de pandemia. Me embebi da sua oratória religiosa com muita satisfação nesse ano consagrado a São José”, ressalta.

“O momento que estamos passando  é muito difícil com o agravamento dos problemas sociais, o desemprego, a violência contra as mulheres, as crianças, as minorias, os grupos vulneráveis. Há uma indiferença de algumas pessoas ao sofrimento e muitas vezes a discussão se dá no campo político-partidário, se esquecendo do momento necessário para a construção do que vem sendo proposto pela Campanha da Fraternidade, com a verdadeira união e junção de todos em prol do apoio da população na pandemia e das mazelas que o convívio social também tem produzido com as dificuldades econômicas e as diferenças”, complementa o deputado Zezinho Sobral.

Também participou da palestra, o diretor espiritual da equipe da campanhas da Paróquia Nossa Senhora do Monte Serrat, padre Adriano Andrade dos Santos.

Foto Jadilson Simões

Por Aldaci de Souza

Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on linkedin
Share on email

Leia também

Polícia prende mulher que praticou roubo de motocicleta no Bugio
Enock Ribeiro, secretário Socorro, recebe Título de Cidadão Sergipano
Eliane participa reunião com articuladores do Selo UNICEF
Fábio Reis assina ordem de serviço para pavimentar povoado