18/05/21 - 07:25:29

Brasil é o país que mais mata pessoas trans no mundo

Diversidade e respeito nas esquinas de Ará é tema de debate virtual com Linda Brasil, primeira mulher trans eleita vereadora de Aracaju.

Se a humanidade pretende viver em sociedade que privilegie a cultura da paz, é preciso buscar uma transformação interior para combater o preconceito. Enquanto isso, o Brasil se mantém na liderança do ranking de países que mais matam pessoas trans no mundo.

Em 2020, foram 175 travestis e mulheres transexuais assassinadas. A alta é de 41% em relação ao ano anterior, quando foram registrados 124 homicídios. Segundo aponta o relatório da Associação Nacional de Travestis e Transexuais do Brasil (Antra), Sergipe segue na 23º posição no ranking dos estados onde se registrou homicídio na população transgênera. Todas as vítimas eram travestis e mulheres transexuais.

Em alusão ao Dia de combate à homofobia, celebrado em 17 de maio, a Universidade Tiradentes realizou  debate virtual no último dia 12, via YouTube, sobre “Diversidade e respeito nas esquinas de Ará”, com a vereadora e defensora dos direitos humanos,  Linda Brasil.

Os obstáculos que Linda enfrentou até ter sua independência financeira e formação acadêmica foram difíceis. “Eu sofri várias violências: tortura física e psicológica, simplesmente por ser diferente. Eu deixei de viver, de sorrir, me afastei das amizades que eu gostava. Eu tive que negar minha naturalidade por muitas das vezes para poder me manter no espaço escolar”, disse Linda Brasil.

Dados da União Nacional LGBT apontam que a expectativa de vida de um transgênero no Brasil é de apenas 35 anos. Para Linda, nem a escola, nem a família sabem lidar com pessoas trans. “Na verdade existe um extermínio no Brasil por falta de respeito, conscientização e conhecimento”, enfatizou a militante.

Como a Educação muda o mundo, Linda cita Paulo Freire: “‘Educação não transforma o mundo. Educação muda as pessoas. Pessoas transformam o mundo’. Por isso, precisamos acabar com esse sistema misógino, patriarcal e racista! Não podemos retroceder, precisamos ocupar e denunciar espaços que antes não podíamos”, conclui.

Por Roberta Andrade e Raquel Passos