Aracaju, 2 de agosto de 2021

Filha de Bussunda fala pela primeira vez: ‘Quando meu pai morreu, eu fiquei míope’. Júlia Besserman narra os percalços do luto e, em série sobre o humorista

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Quando era criança, Júlia Besserman acreditava que o pai, Bussunda, era um super-herói e que o poder dele vinha da enorme barriga. Também está relacionada a essa parte do corpo a primeira lembrança que ela guarda do pai. Ainda era bebê quando os dois tomaram um caldo “absurdo” no mar. Recorda a desorientação, a falta de ar, o desespero e… um objeto não identificado que cobriu o sol. Era ela novamente, a barriga de Bussunda, que fora lhe salvar.

Quase todas as memórias que Júlia tem do pai, como essas que ela conta no documentário “Meu amigo Bussunda”, que estreia na próxima quinta-feira (17, data dos 15 anos de morte do humorista), no Globoplay, são da praia. Ele a ensinou a pegar onda, jacaré, a saber a diferença entre vala e boca… Mandou até fazer uma prancha para que fizessem aulas em família no Havaí, mas não deu tempo. A prancha nunca mais saiu de casa e Júlia se distanciou do mar.

Poucos meses após a perda, aos 12 anos, ela teve um problema na visão (“quando o meu pai morreu, eu fiquei míope”) e deixou de enxergar as ondas. Nesta entrevista, a roteirista, professora de storytelling do Colégio São Vicente e diretora de um dos episódios da série sobre o pai, conta que fez de tudo para evitar lidar com o luto e precisou trabalhar o sentimento de culpa (“Pensava: ‘Se tivesse ligado no dia, talvez ele tivesse ido ao médico'”). Aos 27 anos, Júlia problematiza as piadas politicamente incorretas feitas pelo pai no Casseta & Planeta (“vi e falei: ‘nossa'”), mas também prova que herdou o humor de Bussunda.

O GLOBO- Maria Fortuna

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