Aracaju, 22 de setembro de 2021

Veja como a pandemia transformou a história de um dos restaurantes mais populares de Aracaju

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Quem passa pela Rua Martinho Basílio do Vale, na Farolândia, não imagina quantos capítulos de luta e perseverança estão guardados entre as quatro paredes da casa de número 46. É lá, que há 23 anos, é construída a história de empreendedorismo de uma das mais tradicionais feijoadas da cidade. A receita de sucesso foi construída aos poucos, mas durante a pandemia o primeiro ingrediente foi assumir e dar uma nova cara a um restaurante que funcionava no centro de Aracaju e teve que fechar as portas. “Meu pai trabalhou como garçom por anos, foi quando surgiu a oportunidade de comprar o restaurante. Foi um desafio e tanto naquela época para ele e minha mãe cuidar de quatro filhos e tocar o empreendimento, que teve que fechar e demitir os funcionários no auge da Covid-19. Quem não conhece a nossa luta, não faz ideia do que enfrentamos para chegar até aqui”, revela Joice Tirone, empreendedora”.

Casados há 47 anos, José Antônio e dona Maria Aparecida contaram com ajuda das quatro filhas para tocar o projeto. O jeito simples de receber e atender os clientes sempre foi marca registrada e ajudou a aumentar a popularidade do restaurante, que sempre manteve o clima familiar. Essa união foi fundamental para manter equilíbrio em um dos momentos mais críticos enfrentados pelo negócio da família. “A pandemia pegou a gente em cheio e de surpresa. Nunca tínhamos vivido algo do tipo. Ninguém acreditava que o comércio fosse fechar por um ano. No começo, eram 15 dias, depois mais 15… a preocupação bateu à porta e a situação foi ficando insustentável”, conta Joice.

Mesmo com perseverança, o restaurante não suportou a avalanche e ficou fechado por dois meses. Apesar dos prejuízos acumulados, a família acredita que esse intervalo foi necessário para uma reflexão, que teve como resultado uma retomada surpreendente. Joice explica que a ideia de apostar no delivery foi a maneira mais prática de voltar à ativa, respeitando os protocolos sanitários. “Foi um sopro de esperança, regado a muita ansiedade e adaptação. A gente sempre trabalhou com o serviço à la carte, então fazer entrega e falar com os clientes pela internet era novidade, principalmente para meu pai, que mal sabe usar um telefone celular. Na verdade ele nem telefone tem”, brinca ela ao lembrar.

A modernização do Recanto da Feijoada trouxe de volta os clientes de sempre e atraiu muita gente nova. A demanda tem sido tamanha, que a família já percebe a necessidade de fazer uma expansão, algo que é analisado com muita cautela, por causa das incertezas do momento. “Hoje sabemos que estamos no caminho certo, o poder de impulsão das redes sociais é incrível. Meu pai já percebeu isso e acredita no potencial da internet para nosso restaurante”, revela a jovem empreendedora.

Apesar de abrir espaço para modernidade e reconhecer a importância dela nesta retomada, a família não abre mão de hábitos antigos. “Nosso produto continua sendo artesanal, nosso jeito de receber o cliente ainda é sempre o mesmo. Não temos clientes, temos amigos, pessoas que admiram nossa trajetória e que amam o nosso tempero. Tem coisa melhor que isso?”, conclui Joice, que faz questão de registrar a admiração que tem pela garra e resiliência dos pais. Mesmo com as dificuldades enfrentadas, Joice incentiva outros empreendedores a se reinventarem e não desistir, como aconteceu com ela e sua família, que continuaram o negócio que é a fonte de renda de todos.

Foto assessoria

Por Valéria Santana

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